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Vaga por R$ 15 mil: Operação revela fraude em concurso da Câmara de Minduri

21/07/2026 às 18h21
operação minduri

Uma vaga garantida no serviço público por R$ 15 mil. Esse foi o preço da aprovação em um esquema de fraude no concurso da Câmara Municipal de Minduri, revelado pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Operação ‘A Porta é Larga’ contra a fraude

O Ministério Público deflagrou a operação ‘A Porta é Larga’ nesta terça-feira (21). A ação mobilizou cinco viaturas e 20 policiais militares para cumprir quatro mandados de busca e apreensão, além de duas prisões preventivas.

Tudo começou com um alerta da própria presidente da Câmara Municipal. Ela encaminhou uma comunicação formal relatando que a lisura do certame estava comprometida, o que levou à instauração de um procedimento investigatório criminal.

Como funcionava a venda de vagas

Um servidor público da prefeitura abordava candidatos e oferecia a aprovação mediante o pagamento de R$ 15 mil.

O mentor intelectual seria um advogado da banca examinadora, que manipulava as notas após a aplicação das provas para beneficiar quem pagasse. Para provar o crime, a Justiça autorizou gravações ambientais entre os investigados e uma servidora comissionada.

O caso ficou evidente quando a servidora, que não aceitou a proposta, marcou todas as alternativas ‘A’ no gabarito de resposta. Mesmo com esse desempenho impossível, ela foi aprovada em segundo lugar dentro do número de vagas.

Licitação suspeita e a empresa

A fraude começou antes mesmo da prova. O servidor que intermediava as vendas era o mesmo responsável pelo procedimento licitatório para contratar a organizadora do concurso.

A empresa escolhida, a CAP Concursos Públicos, sediada em Andrelândia, venceu a disputa com um orçamento significativamente inferior à média do mercado. Essa manobra teria servido para afastar possíveis concorrentes e garantir a contratação da empresa ligada ao esquema.

Outras cidades sob a mira da investigação

O rastro de suspeitas é longo. O MPMG investiga se o mesmo método foi usado em concursos de outras prefeituras e câmaras no interior de Minas, em São Paulo e até no Mato Grosso.

Entre as localidades afetadas estão Colíder (MT), São Lourenço, Carmo do Rio Claro, Nova Santa Helena e Jumirim (SP). A investigação apura se a CAP Concursos adotou o mesmo modus operandi em Bias Fortes, Piedade do Rio Grande e Itá de Minas.

A Câmara de Minduri já anunciou a anulação total do certame e a restituição integral dos valores pagos pelas inscrições. O órgão afirmou que não realizou nenhum pagamento à empresa CAP Concursos em razão dos fatos apurados.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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