Uma vaga garantida no serviço público por R$ 15 mil. Esse foi o preço da aprovação em um esquema de fraude no concurso da Câmara Municipal de Minduri, revelado pelo Ministério Público de Minas Gerais.
Operação ‘A Porta é Larga’ contra a fraude
O Ministério Público deflagrou a operação ‘A Porta é Larga’ nesta terça-feira (21). A ação mobilizou cinco viaturas e 20 policiais militares para cumprir quatro mandados de busca e apreensão, além de duas prisões preventivas.
Tudo começou com um alerta da própria presidente da Câmara Municipal. Ela encaminhou uma comunicação formal relatando que a lisura do certame estava comprometida, o que levou à instauração de um procedimento investigatório criminal.
Como funcionava a venda de vagas
Um servidor público da prefeitura abordava candidatos e oferecia a aprovação mediante o pagamento de R$ 15 mil.
O mentor intelectual seria um advogado da banca examinadora, que manipulava as notas após a aplicação das provas para beneficiar quem pagasse. Para provar o crime, a Justiça autorizou gravações ambientais entre os investigados e uma servidora comissionada.
O caso ficou evidente quando a servidora, que não aceitou a proposta, marcou todas as alternativas ‘A’ no gabarito de resposta. Mesmo com esse desempenho impossível, ela foi aprovada em segundo lugar dentro do número de vagas.
Licitação suspeita e a empresa
A fraude começou antes mesmo da prova. O servidor que intermediava as vendas era o mesmo responsável pelo procedimento licitatório para contratar a organizadora do concurso.
A empresa escolhida, a CAP Concursos Públicos, sediada em Andrelândia, venceu a disputa com um orçamento significativamente inferior à média do mercado. Essa manobra teria servido para afastar possíveis concorrentes e garantir a contratação da empresa ligada ao esquema.
Outras cidades sob a mira da investigação
O rastro de suspeitas é longo. O MPMG investiga se o mesmo método foi usado em concursos de outras prefeituras e câmaras no interior de Minas, em São Paulo e até no Mato Grosso.
Entre as localidades afetadas estão Colíder (MT), São Lourenço, Carmo do Rio Claro, Nova Santa Helena e Jumirim (SP). A investigação apura se a CAP Concursos adotou o mesmo modus operandi em Bias Fortes, Piedade do Rio Grande e Itá de Minas.
A Câmara de Minduri já anunciou a anulação total do certame e a restituição integral dos valores pagos pelas inscrições. O órgão afirmou que não realizou nenhum pagamento à empresa CAP Concursos em razão dos fatos apurados.








