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BH ganha lei sobre entrega voluntária de cavalos e abre caminho para que carroceiros recebam veículos elétricos

21/07/2026 às 17h54
bh lei entrega voluntaria animais
(Karoline Barreto/CMBH)

O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) sancionou, nessa segunda-feira (20), a Lei nº 12.074, que cria o Programa de Substituição Gradativa dos Veículos de Tração Animal em BH. Na prática, a nova legislação autoriza a entrega voluntária de animais ao município e estabelece a diretrizes para que os condutores de carroça migrem para alternativas mais tecnológicas, como veículos elétricos. O BHAZ questionou a Prefeitura sobre a entrega dos veículos aos trabalhadores e aguarda um retorno.

Publicada no Diário Oficial do Munícipio (DOM), o texto altera a Lei nº 11.285/2021, que já previa a substituição gradual das carroças de tração animal em BH. Com o acréscimo do Artigo 4º-A, agora fica determinado que a implementação de alternativas, incluindo a substituição por equipamentos motorizados ou similares, será feita por meio de um regulamento definido pelo Executivo. Esse documento poderá detalhar as condições necessárias para que o trabalhador receba o novo veículo, o que inclui a possibilidade de exigir a entrega do animal à prefeitura.

Na prática, segundo a PBH, a nova legislação “autoriza a Prefeitura de Belo Horizonte a firmar convênios e parcerias com entidades públicas ou organizações da sociedade civil para a guarda, acolhimento e destinação responsável dos animais cujos tutores optarem pela entrega ao município”.

A Prefeitura lembra que a entrega voluntária do animal é uma das possibilidades previstas na adesão ao Programa, assim como a assinatura de Termo de Responsabilidade, quando cabível.

“O recebimento do veículo motorizado sustentável ou equipamento similar depende do cumprimento de todos os requisitos previstos na legislação e no regulamento, incluindo critérios administrativos e capacitações”, diz a nota enviada ao BHAZ.

A reportagem questionou a Prefeitura de BH quantos trabalhadores já se cadastraram e quantos irão passar por cursos a fim de se habilitarem a receber o veículo elétrico, mas ainda não obteve resposta. Em fevereiro, o prefeito Álvaro Damião apresentou e testou os triciclos motorizados que vão substituir o uso de carroças.

À época, a PBH informou que após os testes, a prefeitura irá repassar os veículos para os 419 carroceiros cadastrados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Para dirigir o triciclo, será necessário ter carteira de habilitação para moto. Para aqueles que ainda não têm, o município vai oferecer um prazo de até um ano para a retirada da chamada carteira social.

Os veículos elétricos podem atingir até 52 km/h e têm autonomia média de 100 quilômetros por carga, podendo chegar a até 140 quilômetros, a depender da região e do relevo.

Qual será o destino dos animais?

Um dos pontos centrais da lei é o destino dos animais entregues. O texto estabelece que a guarda, acolhimento e destinação responsável dos equinos seguirão normas técnicas de bem-estar animal. Sendo assim, com a nova lei, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está autorizada a firmar convênios e parcerias com entidades públicas e organizações da sociedade civil (OSCs).

Conforme a PBH, o trabalho de transição já cadastrou 612 animais, que foram microchipados, vacinados e vermifugados. Aqueles que forem doados ou recolhidos serão encaminhados para instituições parceiras sob a coordenação da Subsecretaria de Bem-Estar Animal.

Inclusão produtiva dos carroceiros

Para os trabalhadores, o acesso aos veículos motorizados sustentáveis, como os triciclos elétricos, não é automático. O recebimento do equipamento dependerá do cumprimento de todos os requisitos administrativos e da realização de cursos de capacitação.

Além do veículo, o programa oferece outras modalidades de suporte, como apoio técnico para requisição do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) para quem atende aos critérios. Outra opção é a participação em cursos profissionalizantes na área de zeladoria urbana, com foco na absorção da mão de obra em serviços da própria prefeitura.

A iniciativa teve origem no Projeto de Lei 370/2025, assinado por Wanderley Porto (PRD), e foi sancionada sem vetos. Em nota enviada ao BHAZ, a PBH destacou que a nova legislação concilia “a proteção e o bem-estar dos equídeos com a oferta de alternativas sustentáveis para os trabalhadores participantes do Programa”, disse.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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