O síndico do prédio onde Michelle Leão de Azevedo, de 41 anos, morava, no bairro Santa Cruz, na região Noroeste de Belo Horizonte, afirmou, em entrevista ao BHAZ, que o marido dela teria limpado o apartamento em que o casal vivia. A capitã, que integrava a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), foi deixada morta no Hospital Odilon Behrens na noite dessa segunda-feira (20). O principal suspeito do crime é o companheiro da vítima, o também militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37.
Segundo o síndico, Dirceu de Oliveira, durante os trabalhos da perícia, equipes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) constataram que o apartamento estava limpo e sem vestígios aparentes de sangue. No entanto, marcas de sangue nos corredores do prédio teriam sido observadas por um morador.
“O vizinho me ligou falando que tinha observado que tinha sangue no corredor. O sangue vinha direcionado da porta do apartamento deles”, relatou o síndico.
Ao seguir os vestígios, ele e outros moradores acompanharam o rastro até a garagem do edifício. Desconfiado sobre o que poderia ter ocorrido, Dirceu acessou as câmeras de segurança do prédio e percebeu que Michelle havia sido retirada do local já ‘desfalecida’. “Fui abrir as imagens e percebemos que ele estava carregando-a e ela estava desfalecida. A gente não sabia se estava desmaiada ou se já estava sem vida. Foi um choque pra gente”, contou Dirceu, emocionado.
Durante a perícia realizada no apartamento do casal, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo avaliação preliminar, pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de as roupas de cama estarem lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O celular do suspeito e a substância encontrada no hospital também foram recolhidos para perícia.
Festas frequentes
De acordo com o síndico, a rotina do casal era marcada por festas longas que incomodavam a vizinhança. “Tinha semanas que tinha festa que às vezes durava três dias, 4 dias seguidos… Começava às 10 horas da noite de um dia e acabava três dias depois, quatro dias depois, com um som constante de música. Era muito desgastante”, descreveu.
Por isso, ele disse que a administração já estava se movimentando para aumentar a vigilância no local. “A gente já tinha no orçamento equipamentos para alterar, colocar câmeras nos corredores dos apartamentos, de reforçar a nossa segurança justamente por causa dos eventos que estavam sendo feitos”, afirmou o síndico.
Veja o que se sabe sobre o caso:
Michelle Leão Azevedo foi deixada sem vida no Hospital Odilon Behrens, em BH, na noite de segunda-feira (20). A equipe médica constatou que ela já estava morta há cerca de quatro a seis horas antes de dar entrada na unidade. O marido da vítima foi preso em flagrante por feminicídio e também por tráfico de drogas, após ser flagrado descartando comprimidos de ecstasy em uma lixeira do hospital.
Eduardo alega que o casal participou de uma confraternização com amigos, regada a álcool e drogas, no último fim de semana. Ele afirma que Michelle caiu de uma escada por volta do meio-dia, mas recusou ajuda médica por “constrangimento”.
Disse ainda que praticaram atos sexuais consensuais de dominação com uso de cinto. O boletim de ocorrência descreve lesões traumáticas por todo o corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas e marcas compatíveis com chicotadas.
Relatos de abuso
A mãe de Michelle relatou que a filha vivia um relacionamento marcado por controle psicológico e humilhações, sendo chamada reiteradamente de “vagabunda” pelo marido. Michelle teria chegado a confessar a familiares que considerava Eduardo uma pessoa narcisista e que ele já havia empunhado uma faca contra ela durante uma discussão.










