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‘Esperamos mais chuvas e eventos críticos’, diz prefeita após tragédia em Juiz de Fora

24/02/2026 às 17h51
De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, esse é o período mais chuvoso da história da cidade. (Reprodução/@nicolassoueu + @eierikacampos + @hugobritess)

“Nós esperamos mais chuvas e, por isso, é razoável imaginar que teremos novos eventos críticos”, disse a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), em razão dos desastres provocados pelo temporal que atingiu a cidade na noite dessa segunda-feira (23). Além de desabamentos e alagamentos, já foram registradas 21 mortes, enquanto 43 pessoas seguem desaparecidas. O município está em estado de calamidade pública.

Segundo a Defesa Civil de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados. Ao todo, 13 vítimas foram resgatadas e levadas ao pronto-socorro, enquanto 440 pessoas estão desabrigadas.

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (24), a prefeita Margarida Salomão recomendou que moradores que estejam em áreas classificadas pela Defesa Civil como vulneráveis, com nível quatro de risco, deixem suas casas. “Procura a gente. Venha para os nossos lugares que iremos acolher, porque, certamente, você estará a salvo. E a segunda é: se você está em um local sem risco, evite sair de casa. As ruas podem ter alagamentos e deslizamentos”, disse.

Durante o temporal, o Rio Paraibuna e córregos transbordaram, alagando ruas. Foram registrados desabamentos de imóveis e deslizamentos de terra, com pessoas soterradas.

‘Solidaridade’

A prefeita também reiterou a solidariedade da comunidade, após o deslizamento que fez com que nove casas “se engavetassem” no bairro Costa Carvalho, onde um morro desabou sobre os imóveis. Segundo ela, a vizinhança “se mobilizou imediatamente”.

“Uma situação desesperadora. Nove casas deslizaram e ficaram sobrepostas na rua. A comunidade, imediatamente, acionou a prefeitura. Nossa diretora de denúncias, que inclusive tem vínculo com os moradores, foi até o local. Ao chegar, viu que o resgate era feito de forma coletiva, na união. A primeira pessoa foi retirada pelas mãos desses moradores, um esforço heroico, pois arriscaram a própria vida”, relatou a prefeita Margarida Salomão.

Reforços

Ainda conforme Salomão, diante do estado crítico, a cidade contará com apoio das equipes de segurança e saúde, além de recursos do Governo Federal. Além disso, a Defesa Civil de Minas Gerais mantém diálogo com o Executivo municipal.

“Recebemos um telefonema do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, colocando o Governo Federal do Brasil à nossa disposição. Em seguida, um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está embarcando para os Emirados Árabes Unidos, mas fez questão de dizer que está conosco”, reiterou.

A prefeita contou que o governo mandará reforços da Defesa Civil Nacional, ajuda humanitária, além da Força Nacional da Saúde. “Será um grupo de profissionais da saúde que irá apoiar com os atendimentos que forem necessários. Mandaram também um conjunto de psicólogos que irão fazer o acolhimento das famílias atingidas, seja pela perda de um familiar ou bens”, disse.

Outro auxílio foi decretar Juiz de Fora em estado de calamidade nacional. “Isso facilita que tenhamos acesso às condições legais que nos permitem responder algumas questões prontamente e fazer contratações emergenciais. Isso nos liberta de uma série de amarras legais que, na verdade, caracterizam a gestão pública, mas que dificultam muito”, explicou.

Chuvas causam pelo menos 20 mortes na Zona da Mata

As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata Mineira, deixaram ao menos 20 mortos e 47 desaparecidos, segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros até a manhã desta terça-feira (24).

Até o momento, 16 pessoas morreram e outras 43 estão desaparecidas em Juiz de Fora. Já Ubá registrou sete óbitos.

O temporal soterrou casas, arrastou carros, provocou alagamentos e deixou um rastro de destruições nas duas cidades. Em Ubá, um prédio chegou a desabar no centro do município. Segundo relatos enviados ao BHAZ, a situação é caótica. Há pedidos por botes para o resgate de pessoas ilhadas, além de relatos de desaparecidos.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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