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Sigma é multada pela Justiça; famílias do Vale do Jequitinhonha dependiam de autorização para entrar e sair de casa

28/07/2026 às 11h31 - Atualizado em 28/07/2026 às 11h37
Justiça reconhece que Sigma Mineração descumpriu determinações judiciais no Vale do Jequitinhonha
Fiscalização identificou descumprimento de medidas judiciais (Fotos: Reprodução/MPMG)

A Justiça de Minas Gerais reconheceu que a Sigma Mineração descumpriu duas determinações judiciais e estabeleceu uma multa relacionada às operações da mina Grota do Cirilo, localizada entre os municípios de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha. A decisão da Justiça atende a um recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e fixa multa diária de R$ 500 mil à mineradora, limitada a R$ 200 milhões, com contagem retroativa a 11 de junho de 2026.

Segundo o MPMG, a mineradora desrespeitou a ordem que determinava a suspensão das atividades geradoras de ruído entre 22h e 6h, além de não garantir um acesso viário permanente para quatro famílias que vivem isoladas entre as instalações da empresa e o Rio Piauí, na comunidade da Ponte do Piauí.

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Os limites legais de ruído foram superados em 67,2% das medições diurnas e em 87,5% das medições noturnas, de acordo com dados do monitoramento feito pela própria empresa. Há, também, evidências de que a emissão de partículas finas no ar estavam acima da média permitida.

Fiscalização flagrou operações durante a madrugada

A decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) teve como base, entre outros elementos, uma fiscalização realizada nos dias 18 e 19 de junho por equipes do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim), do Centro de Apoio Operacional ao Meio Ambiente (Caoma) e da Polícia Militar.

Durante a vistoria, os fiscais registraram, por meio de imagens, vídeos e georreferenciamento, caminhões e máquinas em operação durante a madrugada nas áreas de extração e beneficiamento da mina. Conforme o Ministério Público, a empresa continuava realizando atividades noturnas sem apresentar o laudo de auditoria independente exigido pela Justiça para comprovar que os níveis de ruído nas comunidades vizinhas estavam dentro dos limites legais.

O tribunal entendeu que a obrigação imposta à mineradora era justamente interromper as operações noturnas até apresentar esse documento, cabendo à própria empresa produzir a prova de que estava em conformidade com a legislação ambiental.

Comunidades denunciam impactos da mineração; famílias seguem sem acesso livre às próprias casas

Outro ponto considerado pela Justiça foi a situação de quatro famílias da comunidade Ponte do Piauí, que continuam sem uma via de acesso independente às residências.

Segundo o MPMG, durante a fiscalização foi constatado que os moradores ainda dependiam de autorização prévia e de escolta da própria mineradora para entrar e sair de casa. Os fatos foram registrados em boletim de ocorrência e, para o Tribunal, o descumprimento da obrigação representa risco ao direito de locomoção e à segurança das famílias, justificando a aplicação imediata da multa.

A ação civil pública proposta pelo Ministério Público trata dos impactos provocados pelas atividades da mina Grota do Cirilo sobre as comunidades de Piauí Poço Dantas, Ponte do Piauí e Santa Luzia. Entre as principais reclamações estão a emissão de poeira, o excesso de ruídos e as vibrações provocadas pelas operações da mineradora.

Além da suspensão das operações noturnas e da garantia de acesso às famílias, a Justiça também determinou que a empresa providencie auditoria e assessoria técnica independentes para as comunidades, elabore um programa emergencial de reassentamento, custeie ações de saúde para os moradores e limite as detonações a horários previamente informados à população.

A Sigma Mineração foi intimada a se manifestar no processo. O caso ainda será analisado pelo colegiado do TJMG, enquanto o Ministério Público informou que continuará fiscalizando o cumprimento das determinações judiciais.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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