Os funcionários da fábrica Midea Indústria Brasil, em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, anunciaram paralisação nessa terça-feira (22), após um trabalhador denunciar ter sido agredido fisicamente por um gerente chinês da empresa. Em nota, a multinacional afirmou que está ciente das alegações, afastou o gestor e que os fatos estão sendo apurados “com seriedade e imparcialidade”.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Pouso Alegre e região (Sidmetpa), a vítima é um trabalhador do setor de produção. O empregado relatou, durante a denúncia, que recebeu “tapas na região das costelas e, posteriormente, foi atingido nas costas com uma peça de borracha conhecida como ‘gacheta'”.
Os funcionários realizaram um ato em frente à unidade, no munícipio mineiro, na noite dessa terça-feira (22), e a manifestação contou com a presença do presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), Jairo Nogueira.
A tesoureira do sindicato, Christiane Aparecida dos Santos, informou que cerca de 1,2 mil trabalhadores participaram da paralisação e que a maioria aprovou a greve. “A empresa foi comunicada e tem até 48 horas para se reunir com a categoria e informar quais medidas serão tomadas contra o agressor. Até o momento, não sabemos se ele foi, de fato, afastado. Caso não tenhamos algum retornos, as maquinas serão paradas. Todos estão muito indignados”, explicou em entrevista ao BHAZ.
O Sindmetpa ainda afirmou que “a atitude é considerada incompatível com qualquer ambiente de trabalho que respeite a dignidade dos trabalhadores”. A categoria também relata denúncias de restrição ao uso do banheiro, além de casos de assédio moral, assédio sexual e pressão excessiva por metas de produção.
“A situação é ainda mais preocupante entre as trabalhadoras. O Sindicato recebeu relatos de uma funcionária que urinou nas vestimentas e de outra que, após um mal-estar intestinal, acabou defecando na roupa por não conseguir acesso ao banheiro em tempo hábil”, disse.
Christiane contou que o sindicato está investigando o caso. “A empresa conta, em sua maioria, com trabalhadoras mulheres. Elas ficam impossibilitadas de ir ao banheiro, já que não há funcionários suficientes para fazer o revezamento. Essa questão também será discutida com a fábrica”, relatou.
Ainda segundo ela, quatro representantes do Sindmetpa se reúnem, na tarde desta quarta-feira (24), com a Superintendência Regional do Trabalho em Belo Horizonte.
O BHAZ procurou a Superintendência e aguarda retorno.
O que diz a Midea Indústria Brasil
A Midea informou, em nota, que está ciente das alegações e que adotou as medidas previstas no protocolo interno da empresa, “afastando o envolvido enquanto os fatos são apurados com seriedade e imparcialidade”.
“A companhia reforça que não compactua com quaisquer formas de violência, assédio, discriminação ou conduta incompatível com seus valores, Código de Conduta e políticas internas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos necessários e colaboração com as autoridades e órgãos competentes”, escreveu.










