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Vice-governador detalha falhas em elevadores da Cidade Administrativa: ‘Gambiarras’

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Laudo preliminar foi entregue na noite dessa quinta-feira (PCMG/Divulgação)

Os uso de mais de 50 elevadores sociais e privativos dos prédios Minas e Gerais da Cidade Administrativa, sede do Governo Estadual, foi suspenso nesta sexta-feira (10). Em entrevista coletiva concedida durante a manhã, o vice-governador Mateus Simões (Partido Novo) detalhou as falhas detectadas por uma perícia técnica realizada pela Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Seinfra (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais).

O laudo preliminar, entregue na noite dessa quinta-feira (9), foi o motivo de o Governo de Minas decidir suspender o expediente presencial dos servidores hoje.

O documento aponta que alguns pilares que sustentam as guias do contrapeso dos elevadores, por exemplo, estão suspensos, quando deveriam estar apoiados na base do fosso. Ainda segundo a perícia, há um desalinhamento nas barras que sustentam esses pilares.

“É uma quantidade inacreditável de gambiarras que foram feitas. As guias que deveriam estar fixadas nas paredes estão fixadas em uma escora. Como o fosso do elevador não está alinhado, então não consigo colocar o trilho correndo direto na parede, então colocaram uma escora atrás de 75 metros de altura, que não está encostando no chão”, disse Simões.

O vice-governador destacou, ainda, o risco que essas falhas estruturais poderiam trazer a usuários dos elevadores. A estimativa é de que cerca de 8 mil pessoas transitem pelos equipamentos diariamente.

“Essa escora está, desde a construção, pesando sobre os parafusos, puxando eles para baixo e deformando os trilhos de segurança do contrapeso dos elevadores. Talvez esse risco não existisse de forma tão grave no dia em que o prédio foi inaugurado, mas cada vez que esse elevador é usado, esse risco vai aumentando. Existe um risco de queda do elevador? Eventualmente, sim. Mas há risco também de choque do elevador em trânsito, pois estamos perdendo o alinhamento do contrapeso”, destacou o vice-governador.

‘Problema que coloca vidas em risco’

As perícias oficiais foram solicitadas após desistência da empresa que venceu a primeira licitação para reparo dos elevadores. A expectativa é de que haja uma nova contratação nas próximas semanas.

Enquanto isso, os servidores que desempenham funções, fundamentalmente presenciais, trabalharão no primeiro e segundo andares dos prédios Minas e Gerais. Ainda não há uma expectativa para o fim dos reparos nos elevadores nem se sabe quanto vão custar essas obras.

Durante a entrevista coletiva, Mateus Simões destacou outros problemas detectados na infraestrutura da sede do Governo Estadual. Ele reforça, contudo, que as falhas apresentadas nos elevadores são as únicas que poderiam levar a uma fatalidade.

“Não temos hoje nenhuma evidência de risco construtivo nos prédios, temos problemas de qualidade edificativa. Temos problemas em forros, carpete, em sistema de descargas, no sistema de controle de temperatura. Mas o único problema que coloca vidas em risco, detectado até agora, é o problema nos elevadores”, disse Simões.

Servidor morre na Cidade Administrativa

A pane nos elevadores da Cidade Administrativa tornou-se pública após a morte de um servidor de 66 anos, que sofreu um mal súbito após ter subido lances de escada, conforme narram fontes ouvidas pela reportagem, o que é investigado pelas autoridades.

Os bombeiros foram acionados para socorrer a vítima, que teve o óbito constatado pelo Samu. Ele chegou a ser submetido a massagens cardíacas, mas não resistiu.

Os elevadores centrais do prédio Minas da Cidade Administrativa não estavam funcionando na ocasião, o que teria levado o idoso a fazer parte do trajeto até o 13º andar de escada. Não se sabe quantos andares ele precisou subir pela escada.

Isso porque, desde a pane nos equipamentos, o governo autoriza o uso dos elevadores privativos pelos servidores – além de ter permitido o teletrabalho.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.

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