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Polícia Civil faz nova perícia em apartamento de capitã da PM morta por sargento em BH

28/07/2026 às 17h11
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Casal morava na cobertura de um prédio localizado na avenida José Cleto, no bairro Santa Cruz (Ana Magalhães/BHAZ)

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) fez, nesta terça-feira (28), uma nova perícia no imóvel onde vivia a capitã da Polícia Militar Michelle Leão Azevedo, de 41 anos. Ela teria sido morta pelo companheiro Eduardo Abner Pereira de Oliveira, também policial militar, na última segunda-feira (20), em um apartamento localizado no bairro Santa Cruz, na região Nordeste de BH.

De acordo com a delegada Ana Paula Rodrigues, a atuação da PCMG nesta tarde consistiu em trabalhos periciais complementares, além do cumprimento de diligências que ainda estavam pendentes para a conclusão do relatório final. Um dos pontos principais foi a inspeção de um carro branco que, de acordo com relatos de moradores, estava estacionado no local desde o dia da festa que antecedeu o crime. Conforme a delegada, o veículo passou por uma vistoria minuciosa com a autorização do proprietário.

Ana Paula Rodrigues também destacou que, apesar de não ter encontrado elementos relacionados ao crime dentro do automóvel, o dono continua sob investigação. “Há informações de que esse homem, o proprietário do carro, foi um dos últimos a sair do apartamento”, revelou. Além disso, a delegada informou que outras testemunhas ainda serão ouvidas sobre o caso, incluindo os convidados da festa.

Segundo a delegada, o acesso ao interior do apartamento ficou estritamente restrito aos peritos e à equipe de investigação. Embora do novo advogado de Eduardo e o tio de Michelle estivessem presentes no local, eles puderam permanecer apenas na área externa do apartamento. Durante a vistoria, a perícia recolheu objetos que serão integrados ao laudo pericial.

Sobre o exame cadavérico, a delegada ainda destacou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) tem um prazo mínimo de 10 dias para ser concluído. “Estão sendo adotados todas as providências para que as dirigentes sejam concluídas o mais breve possível”, explicou. Além disso, Ana Paula Rodrigues disse que a necessidade de novas diligências ainda será avaliada após a análise dos novos dados coletados com as provas já obtidas pela investigação.

Veja o que se sabe sobre o caso da capitã

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michelle Leão Azevedo, de 41 anos, foi deixada morta no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira (20) pelo seu companheiro. O principal suspeito do crime é o companheiro dela, o também policial militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, que foi preso e permanece em uma unidade da Polícia Militar.

Segundo o boletim de ocorrência, a oficial apresentava diversas lesões traumáticas pelo corpo, incluindo traumatismo craniano, hematomas, ferimentos nos membros, marcas compatíveis com chicotadas e um extenso ferimento na cabeça.

Suspeito alega uso de ecstasy em festa, sexo com agressões e queda de escada antes da capitã morrer

Em depoimento, o 3° sargento Eduardo, suspeito do crime, afirmou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e ecstasy durante uma confraternização realizada na residência do casal, na noite de domingo (19). Segundo a versão apresentada por ele, os dois também praticaram atos de violência física consensuais durante uma relação sexual.

O policial alegou ainda que, horas depois, Michelle teria caído da escada da casa, sofrido um corte na cabeça e recusado atendimento médico. Ainda segundo o sargento, o casal teria adormecido. Ao acordar à noite, ele diz que percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo, então, levá-la ao hospital.

Durante a perícia realizada no apartamento do casal, foi apreendido um cabo de madeira quebrado que, segundo avaliação preliminar, pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também chamou a atenção dos investigadores o fato de as roupas de cama estarem lavadas e ainda molhadas dentro da máquina de lavar. O celular do suspeito e a substância encontrada no hospital também foram recolhidos para perícia.

Eduardo Abner recebeu voz de prisão e foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso será investigado pela Polícia Civil.

Em nota, a defesa do sargento da PM disse que “é imprescindível que se aguarde a conclusão das investigações e dos laudos periciais, evitando-se qualquer julgamento precipitado. O caso ainda está em fase inicial de apuração, e todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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