Zema e outros governadores rebatem Bolsonaro e dizem que preço da gasolina é ‘problema nacional’

Governador Romeu Zema
Governadores negam que alta do preço tenha relação com o ICMS, como já alegou Bolsonaro antes (Pedro Gontijo/Imprensa MG)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e outros 19 mandatários estaduais assinaram uma carta rebatendo as afirmações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o preço dos combustíveis no país. No texto, eles negam que a alta do valor tenha relação com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), como já alegou Bolsonaro antes.

“Os Governadores dos Entes Federados brasileiros signatários vêm a público esclarecer que, nos últimos 12 meses, o preço da gasolina registrou um aumento superior a 40%, embora nenhum Estado tenha aumentado o ICMS incidente sobre os combustíveis ao longo desse período”, diz a carta.

“Essa é a maior prova de que se trata de um problema nacional, e, não somente, de uma unidade federativa. Falar a verdade é o primeiro passo para resolver um problema”, completa documento intitulado “Nota dos governadores sobre os combustíveis), assinado nesse domingo (19).

Além de Zema, assinaram a carta os governadores Rui Costa (PT-BA), Cláudio Castro (PL-RJ), Flávio Dino (PSB-MA), Helder Barbalho (MDB-PA), Paulo Câmara (PSB-PE), João Doria (PSDB-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Mauro Mendes (DEM-MT), Eduardo Leite (PSDB-RS), Camilo Santana (PT-CE), João Azevêdo (Cidadania-PB), Renato Casagrande (PSB-ES), Wellington Dias (PT-PI), Fátima Bezerra (PT-RN), Renan Filho (MDB-AL), Belivaldo Chagas (PSD-SE), Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Waldez Góes (PDT-AP).

Histórico

Principalmente durante a pandemia de Covid-19, Bolsonaro tem transferido a culpa da alta dos preços dos combustíveis aos governadores. “O preço do gás não está caro. Está R$ 45 na origem. Eu zerei imposto federal. Cadê os governadores para zerar o estadual? Aí chega a R$ 130 na ponta da linha”, disse em agosto.

Há meses, o presidente reitera que a responsabilidade pelos valores da gasolina e do botijão de gás compete aos governadores. Segundo ele, o custo desses insumos também é influenciado pela alta do ICMS, o que foi rebatido pelos governadores na carta.

Bolsonaro defende que, por já ter zerado os impostos federais, quem superfatura os valores são os gestores das unidades da federação.

Zema e as cartas de governadores

A assinatura de Romeu Zema na carta que rebate as alegações de Bolsonaro chama a tenção, já que o governador de Minas Gerais não costuma se juntar a outros governadores em documentos que contrariam o presidente da República. No mês passado, o mandatário estadual não assinou uma nota de apoio enviada aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O documento demonstrava solidariedade ao Supremo e seus ministros em meio às ameaças e agressões do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No total, 13 estados e o Distrito Federal assinaram a nota, mas Zema não foi um deles. “Vale lembrar que eu fui eleito para governar Minas e não para ficar avaliando presidentes e o Supremo Federal”, justificou.

Em março deste ano, 14 chefes do Executivo enviaram uma carta a Jair Bolsonaro pedindo para que o governo federal comprasse mais vacinas contra a Covid-19. O governador mineiro não aderiu ao apelo.

Antes disso, o mandatário mineiro já tinha decidido não assinar uma outra carta feita por chefes executivos estaduais responsabilizando o presidente pelos estragos da pandemia de Covid-19 no país.

Edição: Roberth Costa
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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