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Canetas do Paraguai não têm equivalência com medicamentos registrados, diz Anvisa

08/07/2026 às 17h25
canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou como falsa a informação de que testes de laboratório comprovaram a equivalência entre canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai e os medicamentos com registro no Brasil.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) realizou testes de presença, concentração e estrutura molecular do princípio ativo tirzepatida em produtos contrabandeados. A Anvisa, porém, afirma que esses testes não permitem concluir equivalência entre os produtos.

O motivo: o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado no Brasil e não faz parte da Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas). Para se comprovar equivalência, o estudo precisa ser conduzido em um centro credenciado, com avaliações das etapas clínicas, analíticas e estatísticas.

O ponto central da contestação da Anvisa está na biodisponibilidade — o dado que indica se o medicamento funciona da mesma forma no corpo. Esse teste não foi realizado pela Unicamp.

Os testes do CIATox também não avaliaram impurezas, contaminantes, degradação do produto, esterilidade e presença de metais pesados. Além disso, os fabricantes dos produtos analisados não foram inspecionados na linha de produção e não foram avaliados pela Anvisa para a certificação de Boas Práticas de Fabricação (BPF).

Segundo a agência, uma análise de laboratório sem acesso a informações que só o fabricante detém — como processo de síntese, impurezas possíveis e perfil de degradação — não produz dados confiáveis sobre o conteúdo do fármaco.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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