Paola Cirino, de 30 anos, suspeita de matar dois idosos em BH, foi conduzida para prestar um novo depoimento no Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (DEPATRI) na tarde desta quarta-feira (8). Ela optou por responder apenas ao que alegava recordar e manteve o silêncio sobre pontos cruciais da investigação. Mais cedo, a diarista retornou ao apartamento no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de BH, para participar da reconstituição do crime e “passou por momentos muito difíceis”, segundo relato do advogado Bruno Corrêa.
A mulher havia confessado o crime informalmente quando foi presa em Itabira, na região Central de BH, na última quinta-feira (2). No entanto, na primeira vez em que foi ouvida pela autoridade policial, Paola permaneceu totalmente em silêncio. Diferente da primeira oportunidade, nesta tarde a diarista respondeu algumas perguntas. Segundo o advogado, ela foi “extremamente colaborativa dentro da sua capacidade”, mas apresentou diversos lapsos de memória.
“O que ela lembrou, ela respondeu. Naturalmente o que ela não lembrou, ela não respondeu”, afirmou a defesa, ressaltando que não houve mudanças significativas em relação ao que ela já havia comentado informalmente no dia da prisão.
Insanidade mental
Conforme o advogado, a defesa busca agora provar que Paola sofre de graves transtornos psiquiátricos, o que justificaria o comportamento no dia do crime e os esquecimentos relatados em depoimento. Bruno Corrêa ainda detalhou que a diarista possui um histórico médico preocupante, que inclui internações psiquiátricas, uso contínuo de remédios tarja preta e relatos recorrentes de que “escuta vozes”.
Para o defensor, ficou evidente que a justiça lida com uma pessoa que possui “sérios problemas relacionados à sua saúde mental”, fato que ele pretende comprovar no decorrer do processo penal.
Nesse sentido, o advogado de defesa disse que protocolou uma petição solicitando à autoridade policial que represente junto ao Judiciário a instauração de um incidente de sanidade mental. Segundo ele, o objetivo é realizar uma perícia técnica para avaliar se Paola era capaz de compreender a ilicitude dos atos dela no momento do crime.
“Não vejo esse requerimento nem como positivo, nem como negativo. Vejo como um ato de justiça e um requerimento necessário que deveria ter sido feito”, declarou o advogado.
Relembre o caso da diarista que matou casal de idosos
Os corpos de Maria Clotilde Atala Inácio, de 76 anos, e Cláudio Atala Inácio, de 75 anos foram encontrados pelo filho do casal no início da tarde de terça-feira, 30 de junho, depois que o pai não havia aparecido ao trabalho. Ao entrar no apartamento, se deparou com o casal já sem vida. Segundo o boletim de ocorrência, os dois tinham ferimentos em diferentes partes do corpo, como costas, garganta, pescoço, barriga, queixo e tórax, além de sinais de defesa.
Ao investigar as câmeras de monitoramento do prédio, a Polícia Civil identificou a entrada e saída de Paola na última segunda-feira (29). Equipes foram até a casa dela em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, mas não encontraram a mulher. Parentes contaram à polícia que ela teria viajado para o estado do Espírito Santo com o filho.
Já nesta quarta-feira (01), equipes da PCMG encontraram Paola Stefany Neto Cirino dormindo com o filho, de 6 anos, em um quarto de hotel, na cidade de Itabira. Ela não resistiu à prisão e confessou o crime aos policiais.
Paola é suspeita de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. De acordo com a PC, após matar os idosos, ela lavou a faca utilizada no crime, tomou banho e fugiu do local levando bens de valor do casal, como jóias, celulares e relógios. Ela deixou o prédio carregando bolsas e sacolas, uma delas contendo a roupa utilizada no momento das execuções.
Na última sexta-feira (3), a faxineira teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. De acordo com a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, a suspeita não apresentou provas que sustentassem uma possível incapacidade mental ou uso de substâncias no momento do crime.












