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Suspeita de matar idosos presta depoimento após reconstituição do crime: ‘Ela passou por momentos muito difíceis’, afirma advogado

08/07/2026 às 19h48
suspeita matar idosos bh
(Isadora Vianna/BHAZ)

Paola Cirino, de 30 anos, suspeita de matar dois idosos em BH, foi conduzida para prestar um novo depoimento no Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (DEPATRI) na tarde desta quarta-feira (8). Ela optou por responder apenas ao que alegava recordar e manteve o silêncio sobre pontos cruciais da investigação. Mais cedo, a diarista retornou ao apartamento no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de BH, para participar da reconstituição do crime e “passou por momentos muito difíceis”, segundo relato do advogado Bruno Corrêa.

A mulher havia confessado o crime informalmente quando foi presa em Itabira, na região Central de BH, na última quinta-feira (2). No entanto, na primeira vez em que foi ouvida pela autoridade policial, Paola permaneceu totalmente em silêncio. Diferente da primeira oportunidade, nesta tarde a diarista respondeu algumas perguntas. Segundo o advogado, ela foi “extremamente colaborativa dentro da sua capacidade”, mas apresentou diversos lapsos de memória.

“O que ela lembrou, ela respondeu. Naturalmente o que ela não lembrou, ela não respondeu”, afirmou a defesa, ressaltando que não houve mudanças significativas em relação ao que ela já havia comentado informalmente no dia da prisão.

Insanidade mental

Conforme o advogado, a defesa busca agora provar que Paola sofre de graves transtornos psiquiátricos, o que justificaria o comportamento no dia do crime e os esquecimentos relatados em depoimento. Bruno Corrêa ainda detalhou que a diarista possui um histórico médico preocupante, que inclui internações psiquiátricas, uso contínuo de remédios tarja preta e relatos recorrentes de que “escuta vozes”.

Para o defensor, ficou evidente que a justiça lida com uma pessoa que possui “sérios problemas relacionados à sua saúde mental”, fato que ele pretende comprovar no decorrer do processo penal.

Nesse sentido, o advogado de defesa disse que protocolou uma petição solicitando à autoridade policial que represente junto ao Judiciário a instauração de um incidente de sanidade mental. Segundo ele, o objetivo é realizar uma perícia técnica para avaliar se Paola era capaz de compreender a ilicitude dos atos dela no momento do crime.

“Não vejo esse requerimento nem como positivo, nem como negativo. Vejo como um ato de justiça e um requerimento necessário que deveria ter sido feito”, declarou o advogado.

Relembre o caso da diarista que matou casal de idosos

Os corpos de Maria Clotilde Atala Inácio, de 76 anos, e Cláudio Atala Inácio, de 75 anos foram encontrados pelo filho do casal no início da tarde de terça-feira, 30 de junho, depois que o pai não havia aparecido ao trabalho. Ao entrar no apartamento, se deparou com o casal já sem vida. Segundo o boletim de ocorrência, os dois tinham ferimentos em diferentes partes do corpo, como costas, garganta, pescoço, barriga, queixo e tórax, além de sinais de defesa. 

Ao investigar as câmeras de monitoramento do prédio, a Polícia Civil identificou a entrada e saída de Paola na última segunda-feira (29). Equipes foram até a casa dela em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, mas não encontraram a mulher. Parentes contaram à polícia que ela teria viajado para o estado do Espírito Santo com o filho. 

Já nesta quarta-feira (01), equipes da PCMG encontraram Paola Stefany Neto Cirino dormindo com o filho, de 6 anos, em um quarto de hotel, na cidade de Itabira. Ela não resistiu à prisão e confessou o crime aos policiais.

Paola é suspeita de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. De acordo com a PC, após matar os idosos, ela lavou a faca utilizada no crime, tomou banho e fugiu do local levando bens de valor do casal, como jóias, celulares e relógios. Ela deixou o prédio carregando bolsas e sacolas, uma delas contendo a roupa utilizada no momento das execuções.

Na última sexta-feira (3), a faxineira teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. De acordo com a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, a suspeita não apresentou provas que sustentassem uma possível incapacidade mental ou uso de substâncias no momento do crime.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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