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Mais antigo em funcionamento da América latina, Teatro Municipal de Ouro Preto será tombado pelo Iphan

10/06/2026 às 15h10
Teatro Municipal de Ouro Preto
(Secretaria Municipal de Cultura de Ouro Preto/Ane Souz)

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta terça-feira (9), o tombamento da Antiga Casa de ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto. Localizado na região Central do estado, o espaço é o mais antigo em funcionamento da América Latina, com atividade contínua há 256 anos.

Desde 1938, o teatro já fazia parte do conjunto histórico de Ouro preto, tombado pelo Iphan. Agora, a casa passa a contar com proteção individual em âmbito federal, sendo inscrita no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.

De acordo com o Iphan, o tombamento reconhece oficialmente a importância histórica, arquitetônica, artística e simbólica do monumento. A decisão abrange a edificação, o terreno e os bens integrados ao imóvel.

Conforme a conselheira Beatriz Bueno, o processo de tombamento iniciou em 1963, mas permaneceu sem uma decisão definitiva por décadas. Para ela, o reconhecimento marca uma reparação histórica. “O mais antigo prédio teatral da América do Sul constitui um dos raríssimos exemplares remanescentes das casas de ópera do período colonial ainda preservados em sua materialidade e significado histórico”, comentou.

Teatro Municipal de Ouro preto

Inaugurada em 7 de junho de 1770, a Casa de Ópera entrou em funcionamento durante as celebrações do aniversário do rei Dom José I, de Portugal. Ao longo das décadas, o espaço se tornou importante para a sociabilidade e difusão da arte da antiga capital de Minas Gerais.

Por lá, já passaram figuras importantes da política, da economia e da intelectualidade da época. Além disso, o documento do Iphan ainda destacou que o teatro foi o primeiro do Brasil a permitir que mulheres participassem do elenco. O Instituto também evidenciou a participação significativa de artistas negros, mestiços, livres, e de pessoas escravizadas nas atividades do local.

“A expressiva presença de artistas negros e mestiços, livres e escravizados, torna fundamental o estudo da vida urbana colonial e do papel desempenhado pelas casas de ópera na conformação da cena cultural para além do circuito eclesiástico”, registrou o documento.

Arquitetura

Além dos costumes da época em que foi construído, o prédio do Teatro Municipal de Ouro Preto também preserva características raras da arquitetura luso-brasileira do período colonial. De acordo com o Iphan, o espaço se destaca pela organização interna em forma de lira, “solução incomum entre os teatros coloniais existentes”.

Do lado de dentro, a casa tem palco italiano, galerias laterais, balcões e camarotes, incluindo o “camarote do governador”. Além disso, há uma pintura alegórica que é considerada, possivelmente, a primeira e única pintura profana remanescente em Minas Gerais.

Veja imagens:

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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