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Ouro Preto cria política de turismo LGBTQIAPN+ e cria Selo Arco-Íris

03/07/2026 às 17h28
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Montagem feita pelo BHAZ (Reprodução/Governo de Minas)

O município de Ouro Preto, reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela UNESCO, deu um passo histórico para a inclusão e diversidade no setor turístico. Localizada na região Central de Minas Gerais, a cidade agora tem a lei “Todo Mundo em Ouro Preto”, que institui a Política Municipal de Turismo LGBTQIAPN+ e cria o Selo Arco-Íris para estabelecimentos e serviços inclusivos.

Sancionada pelo prefeito Angelo Oswaldo de Araújo Santos, a Lei nº 1.656 tem o objetivo de consolidar o município como um destino “seguro, inclusivo, acolhedor e livre de discriminação para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não binárias e demais identidades e expressões de gênero e orientação sexual”, diz o texto publicado no Diário Oficial.

De acordo com a lei, a nova política busca alinhar o desenvolvimento turístico da cidade aos princípios da dignidade humana e da hospitalidade inclusiva. Veja os objetivos:

  • promover ambiente turístico seguro e acolhedor;
  • qualificar serviços e estabelecimentos turísticos;
  • prevenir e enfrentar práticas discriminatórias e violências;
  • integrar a diversidade sexual e de gênero às ações de promoção do destino;
  • fortalecer a imagem de Ouro Preto como destino turístico inclusivo para pessoas LGBTQIAPN+;
  • articular ações com o Conselho Municipal dos Direitos da População LGBTQIAPN+;
  • incentivar a formação contínua de trabalhadores do setor turístico.
  • assegurar a inclusão e o destaque dos estabelecimentos e serviços certificados com o Selo Arco-Íris (LGBTQIAPN+OP) no Inventário da Oferta Turística Municipal e nos materiais informativos e promocionais da cidade.

Selo Arco-Íris

Além de programas de capacitação, campanhas educativas e parcerias com diversos setores, a Política de Turismo também terá o Selo Arco-Íris. O certificado vai reconhecer estabelecimentos e serviços turísticos de Ouro Preto que adotem práticas de acolhimento, respeito, inclusão e atendimento qualificado à população LGBTQIAPN+.

Conforme o texto, podem solicitar o selo estabelecimentos turísticos, culturais, gastronômicos, de hospedagem, entretenimento, transporte turístico, eventos e outros serviços relacionados ao turismo, regularmente estabelecidos no Município.

Para conquistar a certificação, que possui validade de 24 meses, os estabelecimentos devem cumprir requisitos rigorosos. Entre eles estão:

  • Respeito à identidade: tratamento obrigatório pelo nome social e identidade de gênero;
  • Banheiros inclusivos: a lei determina a não segmentação de sanitários por gênero, assegurando a privacidade por meio de cabines individuais com trancas;
  • Capacitação: participação obrigatória da equipe em treinamentos periódicos sobre prevenção e enfrentamento à LGBTfobia;
  • Protocolos de acolhimento: adoção de canais de escuta e registro de reclamações, além de um compromisso formal contra a discriminação.

De acordo com o texto, a permanência do Selo Arco-Íris exige a observância contínua das normas de atendimento inclusivo. Além disso, o selo poderá ser suspenso ou cancelado em casos de comprovação de atos de discriminação, assédio ou LGBTfobia, incluindo o não cumprimento das diretrizes do programa. Os locais que perderem o selo por infrações só poderão solicitar um novo certificado após 12 meses.

Agora, o Poder Executivo de Ouro Preto tem o prazo de 90 dias para regulamentar os critérios de pontuação, vistorias técnicas e a comissão avaliadora que deve gerenciar o programa.

Vinícius Sampaio

Jornalista pela Universidade Federal de Viçosa. Foi repórter da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural de Viçosa (Fratevi). Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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