A Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vai abrir em agosto o Acervo LGBT+ Cintura Fina. O local será destinado a pessoas interessadas em desenvolver pesquisas com base nos documentos.
O acervo conta com documentos, cartas, fotos, recortes de revistas e jornais, além de outras mídias doadas por pesquisadores e histórias de pessoas LGBT+ que marcaram os cenários local e nacional. O intuito é resgatar, registrar, difundir e preservar o patrimônio, relacionados a práticas, memórias e produções culturais da comunidade, bem como lugares, imagens e documentos.
O nome do acervo homenageia Cintura Fina uma dissidente sexual (figura não propriamente travesti) importante no cenário LGBT+ de BH.
A UFMG foi a primeira universidade do Brasil a institucionalizar um acervo dedicado à comunidade LGBT+. Para visitá-lo, o agendamento prévio deve ser feito pelo site do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBTQIA+ (NUH).
Cintura Fina
Cintura Fina foi reconhecida como cidadã honorária de BH em dezembro de 2021. Natural do Ceará, ela viveu na capital por quase 30 anos, nas décadas de 50, 60 e 70, e foi cozinheira, faxineira, profissional do sexo e gari.
Cintura Fina destacou-se na mídia devido à personalidade combativa e pelo uso de navalhas para se defender de agressões. Embora fosse retratada como uma pessoa violenta pelos veículos de comunicação, ela era conhecida nas ruas pela personalidade amigável e pela defesa das populações mais vulneráveis, em especial as prostitutas.
Ela morreu em 1995, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, aos 62 anos. Em 1998, tornou-se nacionalmente conhecida, ao ser interpretada por Matheus Nachtergaele na minissérie Hilda Furacão, da TV Globo.










