O preço para ajustar roupas em Belo Horizonte pode variar até 166%, segundo pesquisa realizada pelo site Mercado Mineiro em 18 estabelecimentos da capital. O levantamento, feito em 5 de junho de 2026, aponta um aumento na procura por serviços de costura, impulsionado pela rápida mudança de medidas corporais após uso de canetas emagrecedoras.
Os maiores contrastes aparecem nos serviços mais técnicos. Estreitar os ombros de um blazer forrado lidera a variação, com diferença de 166,67%, os preços vão de R$ 30 a R$ 80. Já encurtar o punho da peça pode custar entre R$ 35 e R$ 60 (71%), enquanto costurar a alça de um vestido varia 150%, de R$ 10 a R$ 25.
Entre os serviços mais procurados, o ajuste de cintura acompanha a mudança no corpo dos consumidores. Em calças jeans, os valores vão de R$ 28 a R$ 45, uma variação de 60,71%. Para calças de tecido, o mesmo ajuste custa entre R$ 30 e R$ 45 (50%). Já a bainha, tanto em jeans quanto em peças comuns, apresenta uma diferença menor, de 33,33%, com preços entre R$ 30 e R$ 40.
Outros serviços também mostram oscilações relevantes. Pregar botão pode custar de R$ 5 a R$ 10 (100%), enquanto a troca de fecho de calça varia de R$ 20 a R$ 36 (80%). Os dados reforçam a importância de pesquisar antes de contratar, já que o mesmo serviço pode ter valores bastante distintos dependendo do estabelecimento.
Apesar da alta procura, o comparativo com 2025 indica estabilidade nos preços médios. Pregar botão teve alta de 3,03%, passando de R$ 8,25 para R$ 8,50. A bainha de calça jeans subiu 2,21% (de R$ 35,06 para R$ 35,83), enquanto o ajuste de cintura em jeans avançou apenas 1,88%. Em sentido oposto, estreitar ombros de blazer ficou 2,89% mais barato, com média de R$ 50,80.
A pesquisa alerta ainda que, por se tratar de um serviço personalizado, o preço não deve ser o único critério de escolha. Fatores como tipo de tecido, complexidade do ajuste e qualidade técnica da costureira ajudam a explicar as diferenças encontradas, e pesam diretamente no resultado final.
Outras áreas também tem sido impactadas
E esta não é a única mudança provocada pelas canetas emagrecedoras. Desde o ano passado, diferentes setores da economia vêm relatando alterações no comportamento de consumo de quem utiliza medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy. Em Belo Horizonte, bares, restaurantes, academias, clínicas e lojas de roupas já começaram a adaptar produtos e serviços para atender esse novo perfil de cliente.
No setor de alimentação, empresários observam uma redução no consumo de pratos mais pesados, bebidas alcoólicas e grandes porções. Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) apontou que 61% dos estabelecimentos já perceberam mudanças no comportamento dos clientes, incluindo maior procura por porções menores e compartilhamento de pratos.
As mudanças também chegam ao varejo e aos hábitos de compra. Estudos recentes mostram que usuários das chamadas canetas emagrecedoras passaram a reduzir gastos com alimentos ultraprocessados, doces e bebidas alcoólicas, enquanto aumentam o consumo de proteínas, frutas e vegetais. O movimento já levou supermercados e indústrias a revisarem seus portfólios para acompanhar as novas preferências dos consumidores.
No vestuário, o impacto aparece diretamente nas medidas corporais. Com a perda acelerada de peso, cresce a procura por ajustes em roupas, especialmente serviços de redução de cintura em calças e peças sociais. O fenômeno também impulsiona a revenda de roupas em grupos de desapego e fortalece práticas ligadas à economia circular, criando novas oportunidades para costureiras e ateliês de reforma.








