O governador Romeu Zema (Novo) criticou a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de paralisar o projeto de escolas cívico-militares em Minas Gerais. Por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, que destaca matéria do BHAZ sobre a decisão da Corte, o chefe de estado classificou a decisão, tomada na última quarta-feira (17), como “abuso de poder”. O órgão decidiu por interromper as atividades das instituições já operantes e acabar com futuras implementações do modelo em 2026.
Segundo Zema, com a ação, o TCE proíbe o governo de Minas de realizar “uma simples consulta aos pais, aos alunos e aos professores, sobre algumas das nossas escolas cívico-militares”. Ainda de acordo com o governador, as escolas que operam “já provaram que são boas”.
Em fala, o governador afirma que, enquanto chefe de estado, “essa decisão é um ato de abuso de poder, para dizer o mínimo”. Romeu Zema explica que o projeto do governo é ampliar o número de escolas cívico-militares em Minas e que, segundo a própria gestão, “o modelo já provou dar certo”. O argumento é contrário à análise do TCE que, com base em inspeções fiscalizadoras, demonstra que os indicadores educacionais não apresentaram evolução significativa desde o início da implementação militar.
Em contrapartida, o político diz que: “pessoalmente, as pessoas podem até discordar, mas o TCE está extrapolando suas atribuições ao impedir que o governo pergunte às comunidades qual a sua opinião”. Zema afirmou que fará o que estiver ao alcance para mudar a decisão, que considera “absurda”, expressou no vídeo. O governador ainda afirmou que seguirá com o processo até as últimas instâncias da Justiça.
Veja o vídeo
Paralisação do projeto
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE) manteve a paralisação do projeto ‘Política Educacional Gestão Compartilhada: Escolas Cívico-Militares’, do governador Romeu Zema. O modelo de ensino, já vigente em nove escolas mineiras, deverá ser interrompido em 2026. A decisão foi tomada em sessão do Tribunal Pleno, nessa quarta-feira (17).
Entre os motivos que levaram à decisão do TCE, estão a ausência de lei em sentido formal que respalde a implementação do Programa das Escolas Cívico-Militares e a inexistência de previsão orçamentária compatível com a política.
O Tribunal justifica que a interrupção das atividades nas nove instituições não é capaz de gerar prejuízos concretos à comunidade escolar, justificativa usada pelo Estado para tentar evitar a paralisação. Segundo a inspeção da Unidade Técnica do TCE, os indicadores educacionais não apresentaram evolução significativa após a implementação do programa. A análise, porém, demonstrou redução dos índices de evasão escolar e avaliação positiva dos alunos e professores.
Dentre as contestações feitas, o TCE questionou a convocação de militares da reserva para atuarem como supervisores e monitores. O Tribunal afirma que a atuação dos profissionais tem “caráter excepcional e transitório”, o que torna o exercício da função nas escolas incompatível. O órgão público também se atenta ao fato de o pagamento dos militares ser feito com recursos da segurança pública, o que configura desvio de finalidade.
Segundo o órgão, a análise contrária ao projeto se baseia em aspectos como o instrumento legal, como resolução conjunta entre gestores públicos, e não uma lei estadual específica; e aspecto orçamentário, na ausência dos recursos na Lei Orçamentária Anual de 2026.
A decisão liminar que torna inoperante as atividades de escolas cívico militares em Minas já está em vigor, a partir desta quarta-feira (17). O processo segue em análise no Tribunal de Contas, até o julgamento do mérito da Representação nº 1.192.308.
O BHAZ entrou em contato com o Governo de Minas sobre a decisão do TCE. Caso o Executivo se manifeste, esta matéria será atualizada.
Escolas cívico-militares
Escolas cívico-militares são instituições de ensino público que funcionam em parceria com as Forças Armadas ou com policiais e bombeiros militares. Nessas escolas, a parte pedagógica continua sob responsabilidade de profissionais da educação, enquanto a gestão disciplinar e administrativa é feita com apoio de militares.










