O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, deixou a própria equipe de segurança, formada por policiais do Senado, para trás antes de sair do país rumo aos Estados Unidos. A informação foi revelada pelo jornalista Octávio Guedes, em seu blog no g1.
Agenda que não chegou
Segundo o colunista, Flávio avisou na noite de segunda-feira (26) que mandaria sua agenda no dia seguinte. Como ele não atendeu aos telefonemas, a equipe foi até a casa do senador entre 8h e 9h e descobriu que ele já havia saído, o que reforçou a suspeita de que tenha evitado o acompanhamento de propósito.
O envio antecipado da agenda é praxe. É com essa informação que o grupo se organiza e define a que horas deve se apresentar. De acordo com a Folha de S.Paulo, os policiais disseram a superiores que não conseguiram falar com o senador na terça (27) e que o viram pela última vez na segunda, quando o deixaram em casa no fim do dia, em Brasília.
A escolta é feita pela Polícia Legislativa. Flávio conta com esse serviço desde 2019, início do governo do pai, e durante a campanha abriu mão da proteção da Polícia Federal, a que teria direito como candidato à Presidência, mantendo a equipe do Congresso.
Ordem do STF descumprida
A saída ocorreu em meio a uma determinação judicial. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, Flávio estava proibido de deixar o Brasil e deveria entregar o passaporte à PF na manhã de terça, ordem que, segundo a corporação, foi descumprida. A medida foi tomada no âmbito de investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro; Flávio nega irregularidades.
A PF afirma que pediu ao STF a apreensão dos passaportes comum e diplomático do senador no domingo (25), sete minutos depois de a Justiça Eleitoral anunciar o resultado do segundo turno. Na véspera da viagem, Flávio havia dito que entregaria o passaporte à PF e que iria se defender do que chamou de “aberração”.
Rota pela Argentina
Autoridades argentinas registraram a passagem de Flávio pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, na noite de terça. Ele cruzou a fronteira por terra acompanhado da esposa e das duas filhas. De lá, seguiu em avião particular e desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta (28), com escala no Equador. A chegada foi pelo aeroporto de Opa-locka, na região de Miami, de onde a família saiu sob escolta policial. Segundo a imigração americana, Flávio entrou no país com passaporte diplomático.
“Não é foragido”, diz PF
Apesar do descumprimento, a PF afirma que o senador não é considerado foragido. A corporação diz que apura as circunstâncias do descumprimento da ordem de Moraes e que não registrou oficialmente a saída dele pelos postos de controle migratório brasileiros.
No Senado, a ausência também gera dúvidas. Flávio não comunicou à Casa sua saída nem pediu afastamento do mandato, e o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) pretende esperar os próximos passos do senador antes de discutir se ele pode votar do exterior.
Já em solo americano, Flávio divulgou sua primeira manifestação, em tom de confronto com o resultado das urnas, e depois recuou, retirando da carta o trecho em que se declarava presidente do Brasil.

















