A Polícia Civil e a Polícia Militar do Ceará monitoram a interrupção do fornecimento de água mineral em Banabuiú e em bairros de Fortaleza devido a ameaças da facção Comando Vermelho (CV). No interior, a situação levou à implementação de um sistema de abastecimento emergencial com escolta policial para garantir que a população tenha acesso ao produto.
Crise de abastecimento e escolta policial em Banabuiú
Moradores de Banabuiú enfrentam filas na Praça da Matriz para adquirir garrafões de água mineral sob a proteção de policiais militares. A operação, iniciada em 31 de outubro, conta com apoio logístico da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para o transporte dos galões.
Cada cidadão pode comprar até dois garrafões de 20 litros pelo valor de R$ 6 cada. O prefeito Marcílio Coelho informou que são disponibilizados ao menos mil garrafões diariamente para a cidade de 17 mil habitantes.
Extorsões e ameaças do Comando Vermelho
As extorsões começaram em 19 de outubro por meio de mensagens intituladas Edital Banabuiú, assinadas pela Diretoria de Banabuiú. O grupo exigia taxas de R$ 200 para a manutenção de lojas abertas e R$ 750 semanais para autorizar a venda de água mineral.
Alguns distribuidores foram obrigados a pagar R$ 1,50 por cada unidade vendida. A polícia identificou que o mandante do crime envia ordens diretamente da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Três homens foram presos em 22 de outubro sob a suspeita de recolher os pagamentos exigidos. Durante a ação, as autoridades apreenderam um revólver calibre .38, munições, celulares e um notebook.
Impacto na saúde e a questão da água potável
O abastecimento regular de Banabuiú ocorre via açude, e a água tratada que chega às residências é considerada potável pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). No entanto, a população local mantém a preferência pelo consumo de água mineral filtrada.
Durante a suspensão das vendas, alguns moradores tentaram consumir água bruta diretamente do açude. Essa prática resultou em problemas de saúde para essas pessoas, pois a água do reservatório não possui o tratamento adequado para consumo humano.
Expansão das ameaças para Fortaleza
A Polícia Civil do Ceará, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), investiga ameaças semelhantes na capital. Comunicados do Comando Vermelho circularam nas redes sociais no dia 2 de novembro, ordenando a paralisação de vendas de água.
As mensagens foram direcionadas a comerciantes de ao menos três regiões: Bela Vista, Pan-Americano e a comunidade da Rosalina, no bairro Parque Dois Irmãos. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Militar realiza ações preventivas e ostensivas nas áreas afetadas.

















