A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado na última sexta-feira (31). O agente já respondia em liberdade pela morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, mas um novo episódio de violência doméstica resultou em sua prisão.
Prisão preventiva de Bruno Carvalho do Prado
A decisão da juíza Luiza Torggler Silva foi motivada por denúncias graves feitas pela própria esposa do policial. Segundo o relato, Bruno teria proferido ameaças constantes de morte e agredido a mulher fisicamente, deixando hematomas em seu braço.
O risco aumentou quando o policial teria se dirigido ao local onde guarda sua arma institucional durante uma discussão. A vítima fugiu de casa descalça para pedir socorro imediato.
O Ministério Público de São Paulo argumentou que as medidas cautelares anteriores não foram suficientes para conter o comportamento lesivo do agente. Bruno agora está custodiado no presídio Romão Gomes, unidade exclusiva para policiais militares.
Recomendação de expulsão do soldado Guilherme Augusto Macedo
Enquanto Bruno foi preso, o outro policial envolvido no caso enfrenta a saída definitiva da corporação. Um processo administrativo disciplinar concluído pela Polícia Militar de São Paulo recomendou a expulsão do soldado Guilherme Augusto Macedo.
Macedo foi o agente que efetuou o disparo fatal contra o estudante de medicina. A defesa do soldado classificou a recomendação como uma decisão afoita, possivelmente influenciada por pressões externas ao procedimento administrativo.
O crime: morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta
A tragédia ocorreu em 20 de novembro de 2024, no bairro da Vila Mariana, zona sul da capital paulista. Marco Aurélio, de 22 anos e aluno do 5º ano de medicina, teria dado um tapa no retrovisor de uma viatura policial antes de fugir para um hotel.
No saguão do estabelecimento, o jovem foi encurralado pelos dois agentes. Bruno Carvalho do Prado desferiu um chute contra o estudante, momento em que Guilherme Augusto Macedo disparou à queima-roupa.
Contradições nas versões e provas
No boletim de ocorrência, os policiais alegaram que o estudante estaria agressivo e teria tentado subtrair a arma de fogo para se defender. No entanto, as imagens das câmeras corporais e do circuito interno do hotel desmentem essa versão.
Os vídeos mostram que o disparo aconteceu após o chute desferido por Bruno, sem qualquer tentativa da vítima de pegar a arma. Por isso, o Ministério Público denunciou ambos por homicídio qualificado, citando motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A Justiça já determinou que os dois policiais sejam submetidos a júri popular. Embora a data do julgamento ainda não tenha sido definida, a prisão de Bruno e a recomendação de expulsão de Guilherme marcam novas etapas no caso.

















