O Ministério da Fazenda derrubou a licença de 14 sites de apostas em uma operação cautelar que visa proteger o mercado e os próprios usuários. A medida atinge cinco empresas diferentes que falharam na entrega de documentos obrigatórios exigidos pelo governo.
A decisão da equipe econômica ocorreu após a constatação de riscos à atuação regulatória e ao mercado regulador. O descumprimento de regras no envio de informações dificulta a fiscalização governamental sobre essas operações.
Processos administrativos contra as empresas já haviam sido implementados em agosto de 2025. A suspensão é imediata e serve como um freio para quem opera sem a documentação exigida pela lei brasileira.
Quais empresas e marcas foram afetadas?
A lista de alvos inclui a ZeroUm Bet, fundada pela influenciadora Deolane Bezerra, que agora pertence a um dono de bar no Piauí. Também entraram na mira a Select Operations, ligada ao grupo Pixbet, e a Nexus, de propriedade do britânico Gurhan Kiziloz.
Outros nomes suspensos são a RR Participações, do empresário mineiro Ricardo Rezende Soares de Oliveira, e a Enseada Serviços e Tecnologia. Esta última possui como beneficiário uma offshore registrada no Chipre.
Algumas empresas do conglomerado Pixbet, como a Open Gaming, mantiveram suas licenças nacionais e podem continuar operando normalmente. O grupo afetado detém quase 4% de fatia do mercado total de apostas.
Regras para apostadores e penalidades
As plataformas suspensas são obrigadas a exibir um aviso claro sobre a punição em seus sites. O acesso deve permanecer liberado apenas para que os jogadores consigam sacar seus saldos disponíveis.
No caso da ZeroUm Bet, a Fazenda determinou que apostas em curso sejam canceladas e os valores devolvidos imediatamente. O descumprimento dessas ordens pode gerar multas diárias de 200 mil reais para as empresas.
Impacto social e a crise da ludopatia
A fiscalização rigorosa ocorre em meio a um cenário alarmante de vício em jogos. Mais de 1,1 milhão de apostadores já pediram a exclusão de suas contas através da Plataforma Centralizada de Autoexclusão da SPA.
Cerca de 35% dessas pessoas alegaram perda total de controle sobre o jogo como motivo para sair das plataformas. O Ministério da Saúde reagiu abrindo mais de 100 mil vagas de teleatendimento pelo SUS para tratar viciados.
Até agosto, estima-se que 5 milhões de brasileiros tenham deixado plataformas de apostas esportivas e cassinos online.

















