Home NotíciasBHPM vai à casa de representante de blocos e ameaça usar armas em caso de protestos; corporação fala em visita ‘amistosa’

PM vai à casa de representante de blocos e ameaça usar armas em caso de protestos; corporação fala em visita ‘amistosa’

blocos denunciam intimidação da PMMG

Um representante de dois blocos de Carnaval de Belo Horizonte denuncia ter recebido uma visita intimidadora da Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo o músico Heleno Augusto, os policiais foram até a sua casa e avisaram que ele não poderia “insuflar as massas” e deveria passar mensagens positivas sobre a corporação.

O representante dos blocos Raga Mofe e Havayanas Usadas relata que foi avisado que se proferisse palavras de ordem durante a apresentação de algum cortejo, poderia passar por alguma intervenção da PM. “Eles falaram que o efetivo estaria armado e poderia usar as armas para fazer uma dispersão forçada do bloco”, detalha ao BHAZ.

O músico conta que foi convidado para uma reunião com os policiais na última quarta-feira (19). Porém, como Heleno não tinha disponibilidade, a PM agendou uma visita em sua casa para o dia seguinte, na quinta-feira.

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Segundo o músico, na manhã de quinta chegaram em sua casa alguns policiais em uma viatura do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam). “Cria na gente uma tensão desnecessária, é uma intimidação que nos deixa sem saber se vai dar problema. Parece uma ação direcionada”, comenta.

Após a conversa, os próprios policiais registraram um boletim de ocorrência e fizeram algumas fotografias do carnavalesco. A PM enviou para ele o registro da conversa, porém Heleno considera que o relato dos policias não corresponde ao teor da conversa que tiveram.

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Tensões com a polícia

A denúncia de intimidação e tom ameaçador é mais uma escalada na tensão entre a Polícia Militar de Minas Gerais e o Carnaval de Belo Horizonte. Desde o último domingo, autoridades policiais têm feito exigências que inviabilizam o desfile de dezenas de blocos da cidade (entenda aqui).

A Liga Blocada, que reúne seis clássicos blocos de Belo Horizonte, se pronunciou sobre as intimidações denunciadas por Heleno. Por causa da tensão com a PM, a Liga reforça o temor do que pode acontecer durante os cortejos, mas ressalta a importância do Carnaval para a manutenção da democracia.

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“Estamos diante de uma clara ameaça ao Estado Democrático de Direito e tememos o que pode acontecer nos desfiles […] porque não abriremos mão dos nossos direitos assegurados no art. 5º da Constituição Federal, de liberdade de expressão e de reunião em locais abertos ao público, independentemente de autorização”, declarou por meio de nota.

Para Heleno, o sentimento que ficou foi de “liberdade cerceada”. “Cria um clima de tensão no nosso Carnaval, que nunca teve problemas, é só alegria. Cantei 4 anos no Baianas Ozadas, mais de 4 no Havayanas Usadas e no Raga Mofe há quase 10 anos”, lamenta.

Posicionamento da PM

Apesar da denúncia dos blocos, a Polícia Militar de Minas Gerais nega que tenha intimidado ou repreendido qualquer representante. “Os contatos ocorreram em tom amistoso e sem qualquer intercorrência. Inclusive, para todas as visitas foram geradas Boletins de Ocorrências no sentido de resguardar a intenção preventiva e comunitária desses contatos”, garantiu, por meio de nota à imprensa.

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A corporação garante que as conversas com os carnavalescos foi somente de “cunho preventivo”. “O objetivo das visitas foi ampliar a sensação de segurança no Carnaval e solicitar o apoio dos blocos para a divulgação de dicas preventivas durante suas apresentações”, declarou.

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Nota da PMMG na íntegra:

“A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) esclarece que foram realizadas visitas comunitárias com representantes de blocos nas áreas de alguns Batalhões com cunho preventivo. O objetivo das visitas foi ampliar a sensação de segurança no Carnaval e solicitar o apoio dos blocos para a divulgação de dicas preventivas durante suas apresentações. Também foram repassadas orientações para que se evitassem estímulos à violência e ocorrências de crimes durante o Carnaval.

A PMMG esclarece que os contatos com os blocos não tiveram cunho intimidativo e repressivo e ocorreram em tom amistoso e sem qualquer intercorrência. Inclusive, para todas as visitas foram geradas Boletins de Ocorrências no sentido de resguardar a intenção preventiva e comunitária desses contatos.

A Polícia Militar ressalta ainda que tem contado com o apoio de vários blocos para difundir as dicas de segurança e fazer um Carnaval de Paz.

Vale destacar que a redução dos crimes violentos neste Carnaval na capital já se apresenta bastante expressiva, na casa de 40% e que essa redução reforça que as ações da Polícia Militar de Minas Gerais, em conjunto com os blocos e os demais órgãos envolvidos, fazem do Carnaval de Belo Horizonte o mais seguro para os foliões”.

Guilherme Gurgel

Guilherme Gurgel

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco nas editorias de Cidades e Variedades no BHAZ.

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