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Ônibus de BH lotados durante pandemia não têm solução, diz Kalil

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Com Guilherme Gurgel

Apontados como o ambiente mais propício para a propagação da Covid-19 em Belo Horizonte – atrás apenas de hospitais -, os ônibus lotados da cidade não têm solução. Essa é a avaliação do prefeito Alexandre Kalil (PSD), que reconhece o grave problema, mas afirma que não pode obrigar que os coletivos andem vazios para “todo mundo ficar folgado sendo que o ônibus custa R$ 400 mil e gasta mais R$ 6 milhões de óleo diesel por semana”.

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“Você não pode obrigar um empresário… Você pode pedir até ameaçar tomar concessão. É guerra. Guerra não tem conforto, é o que pode. Qual a solução do transporte público de BH? Estou esperando na minha mesa uma solução. Pode vir de repórter, jornalista, político… Não tem solução. Então não tem, ué”, argumenta o prefeito de BH, em trechos de entrevista exclusiva ao BHAZ.

Kalil também afirma que não pode obrigar que os empresários aumentem o número de ônibus nas ruas por causa do custo que a medida representaria. “Como você faz? Obriga o transporte público a andar vazio? Você obriga eles a colocarem ônibus a mais para todo mundo ficar folgado sendo que o ônibus custa R$ 400 mil e gasta, não sei, mais R$ 6 milhões de óleo diesel por semana…”, alega.

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“É um pouco sem solução, nós estamos levando. Adiantamos o vale-transporte para eles poderem sobreviver, comprar óleo diesel… porque já estão pagando meio salário com o benesse do governo federal. Estamos rebolando, estamos rebolando”, diz. “Não tem solução, reclama, tira filminho, passa na televisão. Você já viu alguém dar uma solução desse problema ou só mostrar o filme do problema? Então tem que parar com essa cretinice. Vereador… me dá a solução que faço, gente. Conversa com os caras no Setra, solução que eles querem é dinheiro. Não tem almoço de graça, não”, finaliza.

Sujeira do dia anterior

Enquanto isso, a quarentena avança, muda o regime do comércio, mas a insegurança que ronda o deslocamento do belo-horizontino que depende do transporte público continua. Nesta semana, mesmo com a volta da restrição completa do comércio, com exceções apenas àqueles considerados essenciais, a situação piorou, na avaliação de passageiros assíduos.

“Eu acompanhei o número de um veículo que peguei de manhã e, quando peguei o mesmo na manhã do outro dia, estava lá o mesmo papel no chão, as mesmas sujeiras, tudo no mesmo lugar. Se não está limpando nem o chão, imagina a catraca, as barras que a gente segura”, relata o supervisor de call center Christiano Tiher, que pega diariamente a linha 5104, no Centro de BH.

Ônibus continuam cheios mesmo com restrição do comércio (Efigenia Maria Gomes/Arquivo pessoal)

Questionada, a BHTrans afirma que fiscaliza diariamente os ônibus municipais para garantir o cumprimento dos itens estabelecidos nos decretos 17.362 e 17.365. “As concessionárias devem providenciar a higienização de todos os veículos do transporte coletivo, antes e depois de cada viagem, sobretudo nos locais de maior contato dos usuários (barras de apoio e roletas) e também a manutenção emergencial de todos os equipamentos de ar condicionado”, diz, em trecho de nota (leia na íntegra abaixo).

O BHAZ questionou as concessionárias, mas, até esta publicação, não recebeu as respostas. Tão logo os empresários se manifestem, esta reportagem será atualizada.

Além da óbvia necessidade de manter higienizado um ambiente pelo qual passam centenas e até milhares diariamente, um estudo feito por virologistas da UFMG aponta que os ônibus são o ambiente de maior transmissão do novo coronavírus, atrás apenas dos hospitais (leia mais aqui). Um outro estudo, também realizado por especialistas da UFMG, detectou a presença de genoma do coronavírus em diversos locais públicos de Belo Horizonte, incluindo pontos de ônibus.

‘Nesta semana piorou’

No momento em que Belo Horizonte já está com quase 7 mil casos confirmados de contaminação pelo coronavírus e o comércio é fechado novamente, a aglomeração em ônibus parece estar piorando. Usuários relatam que nesta semana, com a nova determinação da prefeitura e fechamento de lojas, o horário de alguns ônibus foi reduzido. No entanto, o movimento não acompanhou, fazendo com que os veículos circulem mais cheios.

Essa é a sensação da passageira da linha 35 Neide Bárbara. “Chego a ficar mais de uma hora esperando o ônibus e sempre vem lotado e sujo, com os frascos de álcool em gel vazios”, lamenta. A auxiliar de serviços gerais, que sai do Barreiro no ônibus para trabalhar no Centro da cidade, sente que há um descaso por parte da prefeitura. “Eu fico muito preocupada, além de eu ter duas crianças, os casos [de coronavírus] estão só aumentando, mas não tem cuidado com o trabalhador. Nós, que precisamos dos ônibus para trabalhar, estamos correndo risco”, desabafa.

Ônibus são um problema sem solução, segundo Kalil (Amanda Dias/BHAZ)

A BHTrans, por sua vez, afirma já ter aplicado 6.703 autuações por descumprimento de diretrizes do decreto, tais quais transportar passageiros em pé ou acima do limite e veículos sem álcool em gel. O monitoramento acontece também por meio de câmeras do COP. Além disso, todos os dias a operação do sistema é analisada e, havendo necessidade, são feitas adequações para o dia seguinte”, diz a empresa de trânsito.

Sem melhorias

Em uma reportagem de 10 de junho, a passageira da linha S80 Efigênia Maria Gomes relatou ao BHAZ os casos de lotação no ônibus que pegava e sua preocupação em meio a pandemia. Na época, a BHTrans foi procurada e afirmou que iria verificar as condições de operação da linha (veja aqui).

Ouvida novamente pela reportagem nessa quinta-feira (2), a trabalhadora da construção civil afirmou que não houve nenhuma mudança na situação. Os ônibus continuam a transitar lotados, expondo os passageiros. “A única mudança foi a colocação de um frasco com álcool em gel”, ressalva.

Pontos de ônibus lotados durante pandemia (Amanda Dias/BHAZ)

Efigênia lamenta a dificuldade e se preocupa se algo será feito pelo poder público. “Eu fico com medo, assustada, porque eu tenho família, tenho pessoas em casa. Tá difícil!”, lamenta.

Kalil

O BHAZ realizou entrevista exclusiva com o prefeito Alexandre Kalil nessa terça-feira (30) e tratou de assuntos como coronavírus, transporte público, reeleição, futebol, entre outros. O conteúdo será publicado ao longo dos próximos dias. Confira o que já está no ar:

. Kalil descarta futebol em BH durante restrição do comércio: ‘Vão jogar em Sete Lagoas’
Kalil descarta ensino a distância na rede municipal: ‘No Cabana vão fazer o quê?’
Kalil critica Bolsonaro na pandemia: ‘Qualquer imbecil sabe que faltou liderança’
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Repostas da BHTrans

  • Usuários reclamaram das sujeiras no ônibus e alguns observaram que os veículos chegavam a ficar sem higienização por mais de um dia. Como está sendo feita a fiscalização da limpeza dos ônibus das linhas municipais e com qual frequência?

Diariamente, os agentes da BHTRANS estão monitorando e fiscalizando os ônibus municipais para garantir o cumprimento dos itens estabelecidos para o transporte coletivo nos decretos municipais 17.362 e 17.365 como, por exemplo, a limpeza de todos os veículos. De acordo com os decretos, as concessionárias devem providenciar a higienização de todos os veículos do transporte coletivo, antes e depois de cada viagem, sobretudo nos locais de maior contato dos usuários (barras de apoio e roletas) e também a manutenção emergencial de todos os equipamentos de ar condicionado.

As concessionárias devem, dentre outras medidas preventivas:

  1. Higienizar, ao final de cada viagem, volante, manoplas do câmbio e do freio de estacionamento e demais superfícies tocadas pelos operadores, fazendo-se fricção nesses componentes.
  2. Lavar os veículos, interna e externamente, a cada vinte e quatro horas, sendo que as superfícies que são tocadas com maior frequência pelos usuários, como corrimãos, balaústres, pega-mãos, roleta e pontos de apoio nos assentos, devem ser higienizadas em intervalos máximos de cento e oitenta minutos;
  3. Realizar a manutenção rigorosa dos veículos com sistema de ar-condicionado, bem como observar os prazos e procedimentos de operação e higienização definidos pelos fabricantes dos equipamentos.

Para melhor direcionar as equipes de fiscalização da BHTRANS, é fundamental que os passageiros registrem as reclamações por meio do Fale Conosco no portal pbh.gov.br ou avaliem as viagens do transporte coletivo por meio do PBH APP

  • Com o novo fechamento do comércio nesta semana, usuários relataram redução de veículos em algumas linhas de ônibus. No entanto, não corresponde à diminuição do movimento de passageiros, causando aumento na lotação dos veículos. Como isso é avaliado para cada linha? Qual o critério para fiscalizar a adequação do serviço durante esse período?

É dever dos consórcios fazer as adequações necessárias no número de viagens de acordo com a demanda de cada linha. Diariamente a BHTRANS fiscaliza a operação do transporte coletivo e, sempre que necessário, notifica os consórcios para que disponibilizem ônibus extras para suprir a demanda. O monitoramento acontece também por meio de câmeras do COP. Além disso, todos os dias a operação do sistema é analisada e, havendo necessidade, são feitas adequações para o dia seguinte. Do dia 27/3 a 26/06/20 foram aplicadas 6.703 autuações por descumprimento de diretrizes do decreto (transportar passageiros em pé ou acima do limite e veículos sem álcool em gel).

  • Outra preocupação é com a aglomeração, muitas vezes sem o uso correto da máscara ou até mesmo sem a proteção. Existe alguma fiscalização quanto a isso? Alguma outra medida para evitar esse tipo de exposição?

Todos os ônibus foram sinalizados pelos concessionários, indicando o posicionamento dos passageiros que viajarem de pé e todas as estações de integração e de transferência foram devidamente sinalizadas, indicando o distanciamento necessário. Os motoristas do transporte coletivo por ônibus também são instruídos a orientar os passageiros.

Cartazes, avisos do sistema de áudio, vídeos nas tvs dentro dos ônibus e a orientação direta dos agentes fazem parte das ações da BHTRANS de orientação aos passageiros, mas é fundamental que a população colabore e entenda que usar a máscara e manter o distanciamento é uma proteção pessoal e das pessoas próximas.

Desde o início do período de isolamento social, todo o trabalho de comunicação e fiscalização da BHTRANS pode ser acompanhado pelo perfil da BHTRANS no Twitter (OficialBHTRANS).

Com relação às linhas reclamadas, a BHTRANS vai intensificar a fiscalização para garantir o cumprimento das regras estabelecidas em decreto para o serviço do transporte coletivo.

Thiago Ricci

Thiago Ricci

Editor-chefe do BHAZ desde agosto de 2018, cargo ocupado também entre 2016 e 2017. Jornalista pós-graduado em Jornalismo Investigativo, pela Abraji/ESPM. Editor-chefe do SouBH entre 2017 e 2018; correspondente do jornal O Globo em Minas Gerais, entre 2014 e 2015, durante as eleições presidenciais; com passagens pelos jornais Hoje em Dia e Metro, TVs Record e Band, além da rádio UFMG Educativa, portal Terra e ONG Oficina de Imagens. Teve reportagens agraciadas pelos prêmios CDL, Délio Rocha, Adep-MG e Sindibel.

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