Lafayette quer alistar 12 mil jovens na Guarda e igualar apps com táxi

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Lafayette Andrada foi o 15º sabatinado na rodada de entrevistas do BHAZ (Moisés Teodoro/BHAZ)

O deputado federal e candidato à PBH (Prefeitura de Belo Horizonte) pelo Republicanos, Lafayette Andrada, deseja implementar um alistamento semelhante ao do Exército para atrair 12 mil jovens à Guarda Civil Municipal; construir um monotrilho ligando o Barreiro ao Centro; retomar as aulas presenciais na rede pública da capital a partir de janeiro; e igualar todas as obrigações e benesses de táxi e aplicativos de transporte através de regulamentação e concessão pública.

Essas e outras informações foram reveladas pelo candidato durante entrevista exclusiva concedida ao BHAZ. O deputado é o 15º – e último – a participar da sabatina que o portal realiza com todos os postulantes a assumir a PBH a partir de 2021. Acompanhe a cobertura das eleições municipais em todas as nossas redes e clique no nome do candidato para conferir as entrevistas já realizadas:

Lafayette Andrada também planeja isentar o IPTU dos comerciantes por oito meses, e acredita que faltou “coerência” nas decisões tomadas na gestão de Alexandre Kalil (PSD) durante a pandemia: “Não houve o planejamento necessário”. O parlamentar propõe parcerias com a iniciativa privada para diminuir a fila de espera na saúde e se mostra otimista para chegar ao segundo turno. Para o concorrente, está na hora de BH ter um prefeito cruzeirense, já que o atual torce para o Atlético.

‘Pequeno exército’

Durante a campanha, Lafayette Andrada tem prometido alistar 12 mil jovens para alavancar o efetivo da Guarda Civil Municipal. A medida, segundo o candidato, visa aumentar a segurança na cidade, principalmente para combater a violência contra a mulher. A proposta é que o alistamento seja semelhante ao do Exército Brasileiro, realizado aos 18 anos, mas facultativo.

“Precisamos ter a chamada segurança ostensiva, polícia na rua. Daí a ideia de alistar 12 mil jovens para compor a Guarda Municipal. Proponho o alistamento facultativo dos jovens de 18 anos que quiserem servir a Guarda Municipal. Doze mil jovens que vão ser retirados da periferia, pode ser o primeiro emprego e eles vão ajudar na segurança”, explicou.

Os novos integrantes da guarda ficariam responsáveis por monitorar “ponto de ônibus, locais mais escuros onde há assédios contra mulheres, porta de escola e praças”. “Vamos colocar um pequeno exército de 12 mil jovens para trabalhar pela segurança de Belo Horizonte”. Os guardas que já compõem o quadro atual vão orientar os jovens – estes, sem armas. “A ideia é que os guardas de carreira, estes armados, comandem estes jovens que não estarão com armas”.

Aulas em janeiro

Lafayette Andrada defende a voltas às aulas “rapidamente” e, se for eleito, pretende que isso aconteça a partir de janeiro. O candidato não detalhou sob quais protocolos o retorno aconteceria, mas sugeriu que a volta seja integral, sem revezamento de turmas ou algo do tipo. O parlamentar defende ainda a implementação da escola cívico-militar, além de um “choque na educação”.

“As aulas precisam voltar rapidamente e acho que já poderiam ter voltado. A educação em Belo Horizonte vai mal. Saiu o Ideb de 2019, antes da pandemia, e a nota de BH ficou atrás de 478 munícipios mineiros. Somos a capital e deveríamos ser exemplo. Precisamos de um choque na educação. Proponho a escola cívico-militar. Primeiro porque todas elas são bem avaliadas e, segundo, pela disciplina. Na minha ótica, as escolas públicas, de um modo geral, padecem da falta de disciplina”, disse.

O candidato demonstrou descontentamento com a falta de aulas remotas aos estudantes da rede pública e se comprometeu modernizar as escolas. “Em Belo Horizonte nós fizemos um crime. Durante a pandemia, não foram oferecida aos alunos a aula remota. O Estado ofereceu e disponibilizou as plataformas e a maioria dos municípios aderiu. BH virou uma ilha e alunos ficaram trancafiados dentro de casa. Vamos modernizar as escolas e iniciar as aulas em janeiro”.

Apps = táxi

Os aplicativos de transporte utilizados pelo cidadão de Belo Horizonte precisam ser regulamentado, na visão de Lafayette Andrada. E mais: a ferramenta deve se tornar uma concessão pública. O postulante à PBH acredita que eles precisam ter “a mesma regra que o táxi”. Na cidade, o serviço ainda não foi integralmente regulamentado pelo Executivo municipal.

“Não pode exigir do táxi o que não exige do outro [aplicativos], pois fica uma disputa desigual. A própria existência do aplicativo já é controversa. Aí, você dar para eles vantagem em relação ao táxi, eu não concordo. A existência dos aplicativos acho até razoável, mas eles não podem ter vantagem em relação ao táxi”.

Para o deputado federal, a prefeitura tem que determinar a quantidade de veículos que rodam na cidade, exigir a qualidade do serviço e “todas as cobranças feitas para o táxi têm que ser feita para os aplicativos”, inclusive, por exemplo, as provas periódicas de habilitação.

‘Saúde no CTI’

A demora na realização de consultas e exames é um dos gargalos históricos da rede municipal de saúde. Com o intuito de fazer “a fila andar”, Lafayette Andrada pretende realizar convênio com a rede particular. “A saúde de BH está no CTI. Não é possível que a pessoa passando mal tenha que esperar oito meses para fazer uma consulta. Se for fazer exame, um ano e dois meses. Isso não é possível. É uma agressão ao cidadão”, destacou.

A parceira com a iniciativa privada seria tanto para realização de exames e consultas, como para cirurgias. O postulante ainda se mostra favorável ao uso da tecnologia na saúde da capital mineira. “Vamos compactuar [com a rede privada] para fazer cirurgias de média e alta complexidade. Temos que usar a tecnologia. É possível fazer telemedicina, consulta à distância, pelo menos a primeira. As ferramentas de inteligência artificial têm que ter no celular todo o prontuário médico”.

Prefeito cruzeirense

Nas redes sociais, Lafayette Andrada tem se apresentado como o candidato da torcida do Cruzeiro. A ideia é ser uma alternativa ao eleitor celeste da capital, já que o atual prefeito, Alexandre Kalil, é torcedor do Atlético e até presidiu o clube rival. O deputado federal publicou vídeos nos quais até parabeniza Sérgio Santos Rodrigues, presidente do Cruzeiro, pela contratação do técnico Luiz Felipe Scolari.

“Sempre fui cruzeirense e a gente sente que, de fato, na torcida há uma certa aversão do prefeito Kalil ser atleticano e por declarar várias vezes o desejo de destruir o Cruzeiro, ferrar o Cruzeiro. Isso é lamentável porque eu acho que o prefeito não tem que fazer isso. Como cruzeirense, tenho conversado [com as pessoas] e no ano que vem, no centenário, seria muito interessante ter um prefeito cruzeirense”, afirmou.

Indagado sobre a boa fase do Atlético no Brasileirão e um possível campeonato conquistado, Lafayete Andrada se comprometeu a permitir a festa da torcida alvinegra, mas alfinetou. “Vamos autorizar o Atlético a festejar, mas acho muito difícil [o Galo ser campeão]. O Atlético dá muito azar. Se ganhar temos que permitir a festa. O prefeito é de todos e temos que valorizar”.

Isenção do IPTU

Para amenizar o impacto do fechamento dos comércios, Lafayette Andrada propõe a isenção do IPTU por oito meses. “O desafio do próximo prefeito será a retomada da economia. Estou propondo isenção do IPTU para todos os comércios que foram obrigados a fecharem na pandemia. Essa medida é para eles se reerguerem, manterem e abrirem novos postos de trabalho”.

O candidato defende ainda a realização de obras de infraestrutura. “A prefeitura tem que ser a locomotiva. Vamos fazer obras, iniciar as tratativas para o monotrilho. As obras de infraestrutura, muitas precisam ser feitas. É uma maneira de ativar a economia”, pontuou. O deputada federal criticou a gestão Kalil na pandemia ao alegar falta de coerência e planejamento.

“No início fecharam-se os comércios. No meio do caminho, o prefeito anunciou que ia comprar 7 mil respiradores. Desistiu e não comprou nenhum. Mais à frente abriu alguns setores e abriu Shopping Oi, popular, cheio de gente, corredores estreito e shoppings arejados não permitiu abertura. Critico a falta de coerência nas decisões tomadas. Não houve planejamento necessário”.

Monotrilho

O transporte público de Belo Horizonte foi um dos grandes problemas durante a pandemia de Covid-19. Ônibus lotados e aglomerações foram alvos de denúncia dos usuários dos coletivos. Kalil afirmou, em entrevista ao BHAZ, que o problema não tem solução – Lafayette Andrada garante que há. “Tem solução e é aumentando o [número] de coletivos e também investindo em outras alternativas do transporte de massa”.

Uma das alternativas do candidato é o monotrilho. “É um metrô moderno que passa em postes e pilastras. De acordo com especialistas, é mais barato e rápido. BH tem mapeado 120 km de ruas e avenidas que suportam o monotrilho. É uma solução importante e precisa ser trazida. No meu primeiro governo, pretendo [inaugurar] duas ou três estações”.

Segundo o candidato, o monotrilho passaria no seguinte trecho: “A ideia é começando do Barreiro para o Centro, passando pelo Betânia, Buritis, desce a Barão Homem de Melo e segue para o Centro. Tem que ser um trabalho constante e as próximas administrações continuarem. O monotrilho é muito viável, eficiente e possível nos primeiros quatro anos”, detalhou. A construção se daria por meio de parceria público-privada.

Sobre o aumento da frota de ônibus, o deputado pretende dialogar com as concessionárias. Já com relação aos cobradores, Lafayette Andrada acredita que “temos que olhar pra frente”. “É fundamental o passageiro estar satisfeito com o transporte público. Não é o cobrador que vai melhorar o transporte”. O deputado ainda defende a indicação de “rotas alternativas” para que a cidade tenha mais fluidez no trânsito.

Destino da maternidade

A maternidade Leonina Leonor Ribeiro, em Venda Nova, está construída há mais de uma década e nunca foi inaugurada. Apesar de ter sido alvo de promessa do então candidato Kalil, em 2016, o agora prefeito já disse que, se reeleito, vai dar outra finalidade para o espaço. O mesmo é pensado por Lafayette Andrada, que já tem em mente sobre o que fazer.

“Essa estrutura pode ser bem usada como local de atendimento para idosos. A faixa etária no Brasil e em BH está crescendo. É preciso local específico para atendimento a idosos com geriatras, cardiologistas, fisioterapia. Eu utilizaria aquela estrutura para fazer instituição de atendimento ao idoso. Durante os últimos anos era um pedido muito grande e promessa de fazer creche porque dona de casa tinha que deixar o filho”, iniciou.

“Agora a população está envelhecendo e temos que começar a pensar na creche dos velhinhos, os lares de acolhimento. A faixa etária brasileira está mudando e precisamos pensar nisso”, complementou. Os lares citados por Lafayette Andrada seriam construídos pela PBH, porém não foi informada a quantidade.

Chuvas

O período chuvoso já começou e o temor de novas tragédias acompanha aqueles que moram em áreas de risco. Lafayette Andrada criticou a gestão atual alegando que “não teve planejamento” para realizar as obras necessárias. “Todos vão recordar que há quatro anos, quando teve enchente e morreu uma senhora com a filha na Vilarinho, o prefeito disse que tinha dinheiro e estrutura, mas nada foi feito”.

O postulante alega que “somente em abril deste ano a prefeitura soltou o edital de licitação da concorrência da futura obra”. “Mostra que a administração atual não teve planejamento. Não é obra para um governo só, mas tem que mapear os locais de alagamentos e fazer projetos para enfrentá-los. Cada administração faz algumas e as outras continuam”.

Lafayette Andrada pontua que é necessário mapear todos os locais de alagamentos para que as intervenções sejam realizadas. “Todo ano é a mesma coisa. Ninguém faz nada e só na emergência socorre as famílias [desabrigadas]. Passa o ano inteiro e só vamos lembrar na época da chuva. Tem que mapear os pontos, fazer o projeto e executar a obra com o dinheiro da prefeitura mesmo”.

‘Tenho esperança’

As pesquisas de intenção de voto apontam o prefeito Kalil com larga vantagem frente aos demais candidatos. No último levantamento do Ibope, por exemplo, o atual gestor tem 62%, enquanto Lafayette Andrada aparece com menos que 1%. Mesmo assim, o postulante do Republicanos se mostra confiante em chegar ao segundo turno e impedir a reeleição do chefe do Executivo municipal.

“As últimas eleições mostram que o eleitor só decide em quem vai votar na última semana. Se lembrarmos de 2018 na corrida ao Senado, a Dilma estava na dianteira em todas as pesquisas e longe vinha outros três candidatos. No final, a Dilma ficou em quarto e não foi eleita. As pesquisas estavam mentindo? Não. Mas é na última semana que o voto é decidido”.

No próximo domingo (15), Lafayette Andrada acredita que Kalil não terá tantos votos, como as pesquisas indicam, e se mostra otimista. “Acho muito provável eu estar no segundo turno e tenho esperança de vencer. O Kalil está disparado e todos os demais embolados na margem de erro. Acho que o Kalil não terá esta votação toda e qualquer um pode ir [para o segundo turno]. Estou esperançoso e confiante”.

Secretaria de segurança

Lafayette Andrada foi secretário da Seds (Secretaria de Defesa Social) durante o governo de Antonio Anastasia, em 2011, e sua gestão recebeu críticas por especialistas de segurança pública ouvidos pelo BHAZ. Uma das colocações é que “ele politizou a secretaria com cabos eleitorais”, deixando de levar pessoas técnicas que tinham conhecimento da área.

O deputado federal rebateu as críticas e alegou que quem diz isso são adversários políticos. “Pessoas que não gostam de mim, da esquerda, do PT. Falo que a educação em Belo Horizonte está ruim porque a prefeitura virou um quartel de sindicato de esquerda. Eles fazem esses comentários que não refletem a realidade”.

O postulante afirma ainda que a gestão dele na Seds aumentou a integração entre as polícias militar e civil. “Isso que eu politizei a secretaria é conversa fiada. Tínhamos pessoas de dentro da secretaria para termos segurança efetiva de qualidade. Na época quase que dobramos a quantidade de presos trabalhando. Entramos e havia em torno de 4 mil presos trabalhando e deixamos perto de 10 mil”.

Candidato do Bolsonaro?

Durante a campanha, Lafayette Andrada se apresenta como o candidato em defesa da família e aliado aos princípios do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O objetivo seria angariar o eleitor do presidente. Apesar disso, na capital mineira, o deputado estadual Bruno Engler (PRTB) se coloca no mesmo posto, tendo inclusive postado fotos e vídeos com a participação de Bolsonaro.

Indagado sobre quem seria o candidato de Bolsonaro em BH, Lafayette explica: “O candidato Bruno Engler tem amizade particular com os filhos do presidente, mas o Republicanos, o meu partido é o da base do presidente e onde os filhos dele estão filiados. Temos sintonia grande e defendemos a família e o conservadorismo”, concluiu.

Edição: Thiago Ricci
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas pelo prêmio CDL.

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