No derradeiro debate, candidatos ao Governo de Minas abrem artilharia e trocam ataques

Rodrigo Salgado/Bhaz

O tradicional e derradeiro debate da TV Globo, realizado nesta quinta-feira (25), foi palco de troca de ataques entre os dois candidatos ao Governo de Minas, Antonio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (Novo). A três dias das eleições, os dois pleiteantes ao Palácio da Liberdade engrossaram o tom das críticas e do deboche durante seus discursos.

Anastasia foi enfático ao citar que as propostas de Zema são feitas “por ricos para ricos”, fazendo duras críticas aos projetos de privatização e de valorização das empresas privadas que constam no Plano de Governo do empresário. “Desde a Grécia antiga queremos combater a plutocracia, que é o governo dos ricos para os ricos”, disse.

Por outro lado, Zema afirmou que o Plano de Governo de Anastasia traz propostas “genéricas” e “difíceis de abstrair”. Disse, ainda, que o tucano “fala demais e age de menos”. “Pessoas como o senhor, que falam demais, não trabalham comigo. Já teria sido demitido”, criticou.

Nova política, velha política

Os candidatos também trocaram farpas sobre supostas contradições em suas candidaturas. De um lado, o senador alegou que Zema não é um candidato novo, desligado da política tradicional, e insistiu na “comparação entre as propostas”. De outro, o empresário tentou ao máximo vincular o nome de Anastasia ao de Aécio Neves (PSDB) e confrontou as falhas nas gestões do Estado entre 2003 a 2014 com as propostas do atual plano.

Como parte de sua estratégia de alegar que Zema não representa a nova política, Anastasia trouxe ao debate a filiação do empresário no PR entre 1999 e 2018, o fato de uma de suas empresas ter financiado a campanha de Manuela D’Ávila (PCdoB) – atual vice da chapa presidencial de Fernando Haddad (PT) – à Prefeitura de Porto Alegre e os empréstimos que o empresário pega a baixos juros com bancos estatais. Como ocorreu em outros debates, o tucano também bateu na tecla da inexperiência e na falta de conhecimento de seu concorrente.

Zema criticou o fato de Anastasia abandonar novamente um mandato caso seja eleito – assim como fez em 2014, quando largou o governo do Estado rumo ao Senado Federal. Além disso, argumentou que a coligação de Anastasia, formada por 12 partidos, será um empecilho para um governo de qualidade, pois o tucano será obrigado a encaixar nomes de todas as legendas na gestão como moeda de troca. Citou, também como forma de ataque, o apoio da ex-prefeita de Contagem e atual deputada estadual Marília Campos (PT) à campanha de Anastasia.

Mesmo diante de um cenário de troca de farpas entre os candidatos, ambos levantaram algumas bandeiras que serão prioritárias em eventuais governos. Anastasia argumentou que fará uma “gestão eficiente e técnica”, tendo como base a experiência na administração pública e da superação de crises em outros contextos. Já Zema apresentou um Plano de Governo baseado no enxugamento do Estado como forma de solução para a situação de déficit, sem “rabo preso” com políticos.

Balanço

Durante coletiva de imprensa após o debate, Anastasia avaliou o debate como positivo e que não houve um tom agressivo. “O último debate é sempre mais aguerrido. Não houve nenhum ataque, foi altíssimo nível. Temos propostas diferentes e eu coloco que as pessoas comparem”, comentou.

Com relação à pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, o candidato se mostrou confiante. “É possível reverter. Estou desconfiado dessas pesquisas, já que na noite anterior ao 1º turno eu tinha 40% e ele 20%. Tenho esperança e dedicação”, disse.

Já Zema aproveitou o momento para rebater a crítica de que seu Plano de Governo é voltado para os ricos. “Basta ver os gastos da minha campanha e os dele. Essa caracterização de rico não procede. Esse tipo de postura não soma, só divide. Trabalhar muito e ganhar dinheiro honestamente é crime?”, afirmou.

Quando questionado sobre a doação feita a campanha de Manuela D’Ávila, Zema alega ter ficado surpreso. “Não tenho conhecimento, vou me inteirar. Nossa empresa nunca se envolveu com política, nunca contribuiu. Foi feito sem meu aval, em uma empresa com muitas pessoas você não consegue controlar tudo”, completou.

Rodrigo Salgado

Repórter do Portal Bhaz.