O Festival de Arte Negra de Belo Horizonte (FAN BH) completa 30 anos e inicia, neste domingo (17), uma edição comemorativa que se desdobra até 2026. Com o conceito “Tempo Espiralar e a Cidade em Movimento”, o evento propõe um formato processual, dividido em etapas que envolvem escuta pública, formação e ocupações culturais pela cidade. Todas as atividades são gratuitas.
A abertura oficial será às 19h, no Teatro Francisco Nunes, com uma cerimônia conduzida por lideranças religiosas de diferentes matrizes. Depois, a escritora e pesquisadora Leda Maria Martins participa de um encontro sobre arte, oralitura, performance e o “tempo espiralar”, que inspira esta 13ª edição. O dia termina com o show da banda mineira Congadar ao lado da cantora Teresa Cristina. A retirada de ingressos é feita por meio do Sympla.
O primeiro ciclo do festival, chamado Rotas, ocorre de 17 a 21 de novembro e transforma a Funarte MG, no Centro de BH, em espaço de debates, performances e atividades formativas. A programação inclui sessões de cinema sob curadoria da Semana de Cinema Negro, lançamentos de livros, batalhas de poesia, contação de histórias, espetáculos e rodas de conversa sobre memória, patrimônio, juventudes, sustentabilidade e infâncias.
Realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Fundação Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Periférico, o FAN estrutura sua edição comemorativa em três pilares: Rotas, Raízes e Espiralar, que serão ativados até maio de 2026. Um chamamento artístico previsto para janeiro do ano que vem deve ampliar a participação de artistas e coletivos.
FAN BH
Criado em 1995, durante as atividades pelo tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares, o festival se consolidou na agenda cultural da capital. Para a secretária municipal de Cultura, Eliane Parreiras, “é importante afirmar que não se estabelece uma política pública do dia para a noite. É preciso muito trabalho, dedicação, empenho e compromisso para que essa política faça mesmo parte da vida da cidade. Com o Festival de Arte Negra foi assim”.
A edição também prevê ações em territórios considerados marcos da memória negra em BH, como o Largo do Rosário, o Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, o Muquifu, o Terreiro Casa Pai Jacob do Oriente e o Morro em Cena. Segundo a pesquisadora Fredda Amorim, o FAN, ao adotar o espiral como princípio operativo, “desloca o eixo hegemônico da produção cultural e propõe novas territorialidades simbólicas”.
A presidente da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, afirma que “o FAN é um festival onde a população de Belo Horizonte se vê e se sente representada”. Já Gabriela Santoro, presidente do Instituto Periférico, resume a proposta desta edição como “um processo contínuo de encontros, formações e criações que teve início em outubro e seguirá até maio do próximo ano”.
O FAN 30 anos será organizado em cinco atos: a Reunião Pública, realizada em outubro; Rotas, agora em novembro; o Chamamento Artístico, em janeiro; Raízes, em março; e Espiralar, em maio de 2026. O modelo, segundo os organizadores, busca atualizar o festival como plataforma colaborativa e em permanente construção. Confira abaixo a programação.
13ª edição do Festival de Arte Negra de Belo Horizonte – Rotas
Programação de Abertura
Data: 17/11 | Local: Teatro Francisco Nunes (Av. Afonso Pena, 1321 – Centro, Belo Horizonte)
18h30 – Acolhimento e abertura de trabalhos
Ritual de Abertura
17/11 às 19h – O Abre Caminhos marca o início simbólico do FAN, reunindo mestras e mestres de tradição em um gesto de bênção, proteção e celebração às ancestralidades que sustentam o festival. Conduzido por representantes de diferentes expressões religiosas e culturais. Estarão presentes Pai Ricardo, Rainha Belinha, Padre Mauro, Mam’etu Muiandê e Sidney D’Oxóssi. A cerimônia reafirma o compromisso do FAN com a diversidade do sagrado que abre os caminhos para o encontro, a arte e a continuidade das tradições negras.
“Tempo espiralar” – Encontro com com Leda Maria Martins
17/11 às 20h – Neste encontro, a escritora, pesquisadora e dramaturga Leda Maria Martins compartilha reflexões sobre arte, oralitura, performance e tempo espiralar – conceito que inspira esta edição de 30 anos. A atividade propõe uma escuta atenta sobre os modos de transmissão de saberes e o legado das epistemologias afro-brasileiras.
Congadar convida Tereza Cristina
17/11 às 21h15 – A banda mineira Congadar e a cantora Teresa Cristina se encontram em uma intervenção cênica que une música, ancestralidade e celebração. A proposta articula tambores, vozes e teatralidade para afirmar a potência das tradições negras e sua presença nos palcos contemporâneos.
Programação de 18 a 21 de novembro
Local: Funarte BH (Rua Januária, 68 – Centro, Belo Horizonte)
18 de novembro (terça feira)
18h – Acolhimento e abertura de trabalhos.
18h30 – GINGA: Memória, Patrimônio e Encantarias, com Tata Kasulembê / Terreiro Lodê Apara, Débora Raissa / Historiadora, Makota Kidoiale / Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango.
20h – Mostra de Semana de Cinema Negro curadoria de Layla Caroline Braz e Cecília Godoi
20h – Gira Literária: Roda de conversa e lançamento de livrosautoras e autores negros, com Coletivo Negras Autoras – “Poesia armada”; Pai Ricardo – “Da Macega á Makaia”; Júnia Bertolino – “Herdeiros de Zumbi”; Maíra Baldaia – “ A mulher e as águas do tempo”; Mediação: Renato Negrão – “escrevame”.
21h — Slam Clube da Luta.
19 de novembro (quarta feira)
18h – Acolhimento e abertura de trabalhos.
18h30 – GINGA: Economia, Sustentabilidade e Trabalho na Cultura Negra, com Kelma Zenaide, Hérlen Romão / Morro En.cena, e Nell Araújo.
20h – Mostra Semana de Cinema Negro, com curadoria de Layla Caroline Braz e Cecília Godoi
20h30 – Espetáculo ABRE CAMINHOS, com Grupo Identidade (*retirada de ingressos uma hora antes do espetáculo. Classificação 12 anos).
20 de novembro (quinta-feira)
10h – Fanzinho – Griot: Histórias e Cantorias, com o grupo Teatro Negro e Atitude, uma vivência voltada à contação de histórias.
11h – Ter-Ato – Oficina de Sensibilização Artística e Teatral, conduzida pelo grupo Teatro Negro e Atitude.
14h – Acolhimento e abertura de trabalhos
14h30 – Ginga: Arte, Linguagens, Representatividade e Protagonismo, com Evandro Nunes, Denilson Tourinho e Nívea Sabino.
14h30 – GINGA: Juventudes e Infâncias, com Marcus Carvalho, Fabiana Brasil e Negona Dance.
17h – Espetáculo Xirê, com grupo MorroEnCena.
17h – Uai Sound System
21 de novembro (sexta-feira)
14h30 – Acolhimento e abertura de trabalhos
15h – GINGA: FAN – 30 Anos e Rotas com Marcos Cardoso, Rui Moreira e Rosália Diogo.
17h – Bloco Magia Negra
18 A 21 DE NOVEMBRO – AÇÕES CONTÍNUAS
Instalação FAN 30 anos, com curadoria de Rosália Diogo.
Biblioteca de autorias negras (Parceria Fli BH)













