Ministro diz que vacina da UFMG pode participar do PNI e reforça importância de imunizante brasileiro

Ministro Marcos Pontes
Imunizante poderá ser utilizado ‘dentro da constelação de vacinas nacionais que vão surgir’ (Reprodução/MCTI/YouTube)

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, afirmou que a expectativa do governo é de que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a Spintec, seja usada no PNI (Programa Nacional de Imunizações).

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância sanitária) recebeu nessa sexta-feira (30) o pedido para que o imunizante seja testado em humanos. Em coletiva de imprensa realizada neste domingo (1°), representantes do MTCI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) e da UFMG deram mais detalhes a respeito dos próximos passos para o desenvolvimento da Spintec.

Questionado a respeito do contato com o Ministério da Saúde, o ministro Marcos Pontes afirmou que as pastas se mantêm sincronizadas. “O MTCI é uma caixa de ferramentas, nós trabalhamos com diversos ministérios diferentes. Durante a pandemia, ficou muito evidenciado esse trabalho em parceria com a Saúde”, afirmou.

“Temos uma série de atividades no desenvolvimento de ciência, conhecimento, tecnologias e metodologias para serem entregues ao ministério. Converso com frequência com o ministro [da Saúde, Marcelo] Queiroga, fazemos reuniões conjuntas, e certamente esta vacina poderá ser utilizada dentro da ‘constelação’ de vacinas nacionais que vão surgir”, completou Pontes.

Vacinação anual

Ainda segundo o ministro, é “praticamente certo” que o Brasil, no futuro, terá uma vacinação anual contra a Covid-19. Por isso, a existência de um imunizante nacional se faz ainda mais importante. “Elas vão poder ser utilizadas com controle completo da tecnologia, para se atender qualquer tipo de mutação do vírus. estaé a ideia, que tenhamos esta vacina participando do PNI, dentro do cronograma necessário”, disse.

Marcos Pontes ainda reforçou que a ciência “tem sua velocidade para trabalhar” e que os pesquisadores que desenvolvem vacinas contra a Covid-19 já estão trabalhando em velocidades inéditas. “Às vezes vejo pessoas falando, ‘isso não tem que ficar pronto mês que vem?'”, exemplificou.

“Eu não posso chegar para o pesquisador e falar que ele tem um mês para entregar, não funciona desta forma. Existem protocolos, a pesquisa funciona de forma muito padronizada, não dá pra cortar quina, não existe ‘jeitinho’, não existe ‘mais ou menos'”, completou o ministro.

A Spintec

A plataforma tecnológica usada no desenvolvimento da Spintec consiste na combinação de diferentes proteínas para formar uma única proteína artificial. Esse composto, chamado de “quimera”, é injetado no organismo em duas doses e induz à resposta imune.

Após os testes com primatas, os pesquisadores esperam a aprovação da Anvisa para iniciar os experimentos clínicos em humanos (fase 1, 2 e 3). Caso os testes confirmem a segurança, a eficácia da vacina e a adesão de voluntários para os testes aconteça rapidamente, o imunizante tem potencial para chegar ao mercado e a população ainda em 2022.

Segundo os pesquisadores da UFMG, as chances de sucesso desse imunizante no combate às novas variantes da COVID-19 são bastante elevadas. “Hoje demos um passo realmente muito importante e continuaremos trabalhando com muito afinco. Essa vacina teve desde o início o apoio do MCTI e da prefeitura de Belo Horizonte e nos traz uma grande esperança de uma vacina com tecnologia 100% brasileira”, disse a reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart.

Edição: Roberth Costa
Sofia Leão
Sofia Leãosofia.leao@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escreve com foco na editoria de Esportes no BHAZ.

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