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Belo Horizonte já teve chuva em 55 dos 77 dias de 2026; e vem mais por aí

18/03/2026 às 17h34 - Atualizado em 18/03/2026 às 17h35
(Reprodução/Defesa Civil)

Depois de um fevereiro super chuvoso, com acumulados que ultrapassaram em mais de 200% a média climatológica do mês, que é de 177 milímetros, março caminha para um desfecho parecido, em Belo Horizonte, com acumulados de até 237 milímetros, o que representa 20% a mais do que a média histórica.

Tanta chuva fez com que Belo Horizonte registrasse chuva em 55 dos 77 dias do ano até agora. Os dados, confirmados pela Defesa Civil do município, são consequência de eventos climáticos como o La Niña e a formação de Zonas de Convergência no Atlântico Sul (ZACS).

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De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), fevereiro foi muito mais chuvoso do que o normal em todo estado, especialmente na região na Zona da Mata – o que levou à tragédia em Juiz de Fora, Ubá e outras cidades.

O mês começou com a formação de uma ZACS, que transporta umidade da Amazônia para as regiões Centro-oeste e Sudeste do Brasil, e se prolonga pelo oceano, normalmente, com a passagem de uma frente fria. Apesar de normal, os acumulados de chuva foram grandes e se somaram, pouco tempo depois, a um fenômeno que a meteorologia chama de “cavado”.

“Quando essa área de baixa pressão se formou, ela estabeleceu esse canal de umidade entre a Amazônia e as regiões centro-oeste e sudeste. Não foi uma ZACS, porque grande parte do país estava com condição de chuva, pela condição dos ventos em altos e médios níveis da atmosfera. E esse sistema de baixa ficou por muito tempo ali, mantendo essa condição de chuva basicamente ali do dia 20 até o final do mês”, explicou a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet.

Outro fenômeno que pode ter ligação com a chuva em Minas é o La Niña, responsável por resfriar as águas do Oceano Pacífico Equatorial, aumentando as precipitações no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Anete acredita que, mesmo já enfraquecido, o “resquício de La Niña pode ter contribuído, sim, para esse janeiro e fevereiro com chuvas muito acima das médias no estado”. 

Tragédia em Juiz de Fora


Especialistas comparam a quantidade de chuva registrada na região da Zona da Mata, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, com o que aconteceu em Belo Horizonte, em janeiro de 2020. Naquela oportunidade, tida por muitos como “a pior chuva da história de BH”, um ciclone extratropical atuava próximo à costa brasileira, o que levou a uma tempestade de quase 180 milímetros em cerca de 3 horas. Os volumes acumulados, em janeiro de 2020, chegaram a quase mil milímetros.

Em Juiz de Fora choveu, somente em fevereiro, mais de 752 milímetros, de acordo com a Universidade Federal de Juiz de Fora. Deslizamentos e enchentes, causados pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira deixaram 75 mortos: 65 em Juiz de Fora e sete no município de Ubá.


Vem mais chuva por aí

A previsão do Inmet é de que novos episódios de chuva sejam registrados em Minas Gerais nos próximos dias. Em Belo Horizonte, os volumes aumentam a partir desta quinta-feira (19) e se intensificam na sexta-feira (20) com o tempo mais fechado e trovoadas. Pode chover, também, no sábado e no domingo. A probabilidade de chuvas, nestes dias, supera os 90%.

“A partir de abril que as chuvas declinam e aí ficam cada vez mais raras, e a partir de meados de abril, a gente não tem mais chuva. O verão termina no dia 20 (de março), mas a estação chuvosa só termina no dia 31, então, a gente ainda tem aí um mês com condições climatológicas de chuva até o fim de março”, ressalta Anete.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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