Ativistas pedem fim das carroças em manifestação em frente a Câmara

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Manifestantes são a favor da aprovação do Projeto de Lei que proíbe a utilização de animais para puxar carroças (Arquivo pessoal/Caio Barros)

Ativistas se reuniram, na manhã desta segunda-feira (14), em frente à Câmara Municipal de Belo Horizonte para manifestar pelo fim das carroças. O grupo também é responsável por mobilizar apoio ao PL (Projeto de Lei) 142/2017, que reivindica a substituição gradativa desses veículos pelos de tração motorizada, bem como outras formas de trabalho e renda. O segundo turno de votação desse PL está previsto para acontecer hoje, na Câmara dos Vereadores.

Os ativistas fazem parte do movimento BH sem Tração Animal, fundado em fevereiro deste ano, por alguns coletivos de proteção animal. Na ocasião, o PL – de autoria de Osvaldo Lopes, hoje deputado estadual pelo PSD – estava em pauta para receber um segundo turno de votações, entretanto, os vereadores acabaram retirando. “Com a pandemia, acabou que eles não colocaram mais, aí voltou para a pauta esses dias”, explicou Caio Barros, ativista que faz parte da organização.

Por volta das 11h, os manifestantes se posicionaram em frente à Câmara Municipal, usando máscaras e segurando faixas. “Muita gente até saiu do expediente para poder estar lá marcando presença e para mostrar para os vereadores que o caminho é esse”, disse Caio. Segundo o ativista, o ato não foi previamente divulgado nas redes sociais para evitar aglomerações. “Nós fizemos um ato bem rápido com cerca de trinta pessoas”, contou.

A manifestação, que o correu de forma pacífica, contou com a presença de alguns vereadores, incluindo a vereadora eleita Duda Salabert, e a campeã do The Voice Brasil, Samantha Ayara. Uma faixa de 50 metros de comprimento com o escrito “Crueldade nunca mais” foi estendida sob o gramado. Outras faixas com os escritos “Diga não ao transporte por tração animal” também estavam sendo levantadas pelos ativistas.

Faixa com o escrito “Crueldade nunca mais!!!” (Arquivo Pessoal)
Manifestantes na Portaria I da Câmara Municipal de Belo Horizonte (Arquivo Pessoal)

PL 142/2017

O Projeto de Lei 142/2017 prevê que os trabalhadores que utilizam carroças sejam subsidiados pela prefeitura na compra de veículos motorizados. Além disso, o PL visa que a PBH capacite esses trabalhadores para que eles consigam dirigir tais veículos, ou para exercer outras profissões. “Os carroceiros terão um período de dez anos para fazerem essa transição”, argumentou o ativista Caio Barros.

“É importante a gente cobrar do poder público cursos para capacitá-los, orientações, enfim, outras formas que não explorem os animais”, disse Caio Barros. Segundo ele, os condutores desses veículos também ficam bastante expostos, tendo sido registrados vários casos de acidentes em que eles se machucaram. “Eles debaixo do sol o tempo inteiro, isso adoece, isso não é bom nem para o cavalo, nem para o carroceiro”.

Quando perguntado se existe alguma objeção por parte da sociedade acerca do Projeto de Lei que põe fim às carroças, Caio Barros respondeu que sim. “Por parte dos carroceiros há uma objeção por uma visão deles, de não enxergar outras formas para além da carroça, e isso vai passando de geração em geração”. Segundo o ativista, os condutores desses veículos questionam qual profissão os filhos deles teriam se as carroças acabassem.

A primeira vez que o Projeto de Lei 142/2017 foi aprovado em primeiro turno no ano de 2017. Depois que o PL passa pela Câmara dos Vereadores também em segundo turno, é a vez do prefeito sancionar. “Se o prefeito vetar o projeto, aí o projeto volta para a câmara para ver se a câmara derruba o veto”, explicou Caio Barros. Caso o projeto seja derrubado, Caio contou que Duda Salabert e Miltinho prometeram abraçar a causa durante a legislação deles.

BH sem Tração Animal

Um dos representantes da organização, Caio Barros, deixou claro ao BHAZ que eles não são contra os carroceiros, e sim contra às carroças. “Por outras fontes de renda para os carroceiros que não explorem os cavalos, que não agridam o meio ambiente com bota fora clandestino, que não tenham crianças na carroça, igual a gente recebe registro diariamente, e que não atrapalhem o trânsito”.

A pagina do movimento no Instagram contém manifestações e campanhas realizadas pelo grupo, além de mostrar os vereadores que demonstram apoio à causa. Ademais, a página oferece alternativas para que a população ajude nas mobilizações de apoio à PL 142/2017. Veja:

Andreza Mirandaandreza.miranda@bhaz.com.br

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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