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Dentista Camilla Groppo é indiciada por lesão corporal e uso de documento falso

25/07/2024 às 15h36 - Atualizado em 25/07/2024 às 17h36
(Reprodução/PCMG + Reprodução/Instagram)

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou a dentista Camilla Groppo pelos crimes de lesão corporal leve, lesão corporal grave e uso de documento falso. Ela é suspeita de causar infecções em pacientes que realizaram lipoaspiração de papada.

A polícia confirmou que a dentista fez pelo menos 18 vítimas de lesão corporal, e três de lesão grave. A corporação não pediu a prisão da mulher. Veja nota completa abaixo.

Em conversa com o BHAZ, o delegado responsável pelo caso, Alessandro Santa Gema, que explicou que Camilla não possui diploma de especialização em lipo de papada. Segundo ele, nem mesmo os professores nomeados no documento existem.

“Nós descobrimos que o diploma dela de especialização em lipoaspiração de papada é falso. Há uma declaração da faculdade onde consta que o diploma apresentado é falso. Os professores não existem. Inclusive, foi feito um boletim de ocorrência em São Paulo que acusa [a dentista] por uso de documento falso”, afirmou.

Pacientes relatam infecções graves

A investigação teve início a partir de boletins de ocorrências que foram registrados pelas vítimas noticiando a realização do procedimento estético na clínica da dentista Camilla Groppo. Supostos erros médicos teriam resultado em um surto de bactérias, causando graves infecções em dezenas de pacientes.

À Polícia Civil, as mulheres informaram que tiveram sua saúde comprometida após a cirurgia. Muitas, inclusive, chegaram a ser internadas e submetidas a tratamento com antibióticos que pode durar anos.

A clínica foi interditada duas vezes pela Vigilância Sanitária e, durante as inspeções, documentos administrativos, relatórios e prontuários médicos das pacientes não foram localizados no endereço comercial, o que motivou a Polícia Civil a solicitar à Justiça os mandados de busca e apreensão.

“As investigações prosseguem com celeridade, tendo em vista o surgimento de novas vítimas, coleta de seus depoimentos e a necessidade de aguardar os resultados dos exames periciais realizados para concluir o inquérito policial”, disse o delegado.

Registro desativado

No site do Conselho Regional de Odontologia (CRO) consta que Camilla era registrada com inscrição provisória, de abril de 2022, mas que se encontra desativada.

Ao BHAZ, o CRO informou que “a inscrita encontra-se com seu registro desativado por não ter apresentado o diploma de graduação em tempo hábil para conversão da sua inscrição provisória em definitiva”.

“À época de sua inscrição, este prazo consistia em um período de dois anos. A inscrição provisória é concedida àqueles que apresentam declaração de conclusão do curso da faculdade. Com o registro desativado/caducado a profissional não pode exercer a odontologia, nem mesmo fazer cursos”, explicou o Conselho.

O CRO-MG disse, ainda, que acompanhou a interdição da clínica e que abriu um processo de fiscalização, além de ter expedido, no dia 20 de março de 2024, uma Portaria de Interdição Ética do estabelecimento, proibindo que outros profissionais atuem nele.

Nota da PCMG na íntegra

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que concluiu hoje (25/7) o inquérito que apurou denúncias contra uma dentista de 26 anos, que atuava em uma clínica na região central da capital. Ela era investigada por supostos erros em procedimentos estéticos que teriam resultado em um surto de bactérias, causando graves infecções em dezenas de pacientes. Após minuciosa investigação, ela foi indiciada pelos crimes de lesão corporal leve e grave, totalizando 21 vítimas, como também, por uso de documento falso. O inquérito policial será remetido à Justiça para as providências legais cabíveis.

Isabella Guasti

Jornalista graduada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022 e também de reportagem premiada pelo Sebrae Minas em 2023. Vencedora do prêmio CDL/BH de jornalismo 2024.
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