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‘A Turma’: vizinhos de prédio no Floresta em BH, escrivão e contador atuavam em esquema de Vorcaro

14/05/2026 às 15h16 - Atualizado em 14/05/2026 às 15h37
imóvel de Helder Lima, operação compliance zero

Em decisão recente no âmbito da Operação Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a aplicação de medidas cautelares contra Helder Alves de Lima, identificado como o operador da “camada contábil-documental” de uma sofisticada organização criminosa. Helder, sócio da Acrópole Contabilidade, é acusado de usar seus conhecimentos na área para conferir aparência de legalidade a repasses ilícitos do esquema comandado por Daniel Vorcaro.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Helder Lima era o responsável por instrumentalizar documentalmente os pagamentos destinados à estrutura liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, líder do núcleo conhecido como ‘A Turma‘ no esquema do dono do Banco Master. O esquema envolvia a emissão de notas fiscais pela Roseno & Ribeiro para justificar o recebimento de valores da empresa King Participações Imobiliárias Ltda, vinculada a Felipe Mourão.

Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal esteve em dois endereços ligados a Helder, ambos no bairro Floresta. O BHAZ esteve em ambos, que ficam distantes apenas alguns passos.

A sede do escritório de contabilidade fica num pequeno prédio na Rua dos Tabaiares, enquanto a residência de Helder fica na Avenida Assis Chateaubriand, no Edifício Parque Monjolo.

Detalhe: a Polícia Federal esteve no prédio onde Helder mora dois meses atrás para prender Marilson na terceira fase da Operação Compliance Zero. O contador e o policial aposentado que integram o esquema de Vorcaro, segundo a investigação da PF, residem no mesmo prédio.

Os agentes saíram do prédio por volta de 10h levando celular, computador e documentos do contador.

Um morador do condomínio revelou ao BHAZ que os agentes da PF chegaram por volta de 6h e impediram a entrada e saída de todos os residentes até a subida ao apartamento de Helder. O contador ainda estava dormindo e recebeu os agentes sem camisa.

Imagens das redes sociais de Marilson mostram ele e o contador Helder no Mercado Central de BH. Na imagem, os dois estão vestindo a mesma camisa, com a frase “encha o copo, e não o saco, jovem”. No comentário da postagem, um amigo dos dois ainda brinca: “Diretoria Heldera, Nena e Tatu”, apelido dos dois e de um terceiro que não vamos identificar por ser alvo da operação.

compliance zero Helder Lima
(Reprodução/Redes Sociais)

Segundo a investigação da PF, Helder teria orientado Marilson sobre como tornar os ingressos financeiros “limpos”, chegando a sugerir a utilização de CPFs de terceiros para formalizar os pagamentos. Em um dos diálogos interceptados, datado de outubro de 2025, Marilson solicitou ao contador a emissão de uma “nota de 50k” (R$ 50 mil) para acomodar contabilmente um “serviço adicional”, evidenciando a manipulação do fluxo financeiro.

Contato permanente

A investigação revelou que Helder mantinha um canal de comunicação constante com a liderança do grupo. No aparelho celular de Marilson Roseno, o contador estava salvo sob os codinomes “Heldera” e “Heldeira Resenha”.

Um dos pontos que mais pesou contra o investigado foi a continuidade das atividades ilícitas. Mesmo após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, Helder teria permanecido à disposição do grupo, emitindo documentos fiscais e viabilizando repasses financeiros, o que demonstrou a contemporaneidade e persistência de sua conduta.

Apesar das acusações, o ministro André Mendonça optou por não decretar a prisão preventiva de Helder Lima, por considerar que sua posição era de “apoio ou colaboração”, e não de liderança central. Em vez disso, foram impostas as seguintes medidas cautelares: proibição de se ausentar da comarca onde reside e proibição de sair do país, com a obrigatoriedade de entregar o passaporte à Polícia Federal em 24 horas.

O Ministério Público Federal (MPF) corroborou a necessidade das restrições, afirmando que Helder possuía plena ciência dos ilícitos e auxiliava ativamente na ocultação e manutenção da estrutura financeira da organização criminosa.

Nesta quinta-feira, durante a sexta fase da operação Compliance Zero foi preso o pai de Daniel, o empresário Henrique Vorcaro.

Asafe Alcântara

Coordenador de mídias digitais e repórter, no BHAZ, desde setembro de 2021. Atualmente concilia como repórter na Record TV Minas. Jornalista graduado pelo UNI-BH, com experiência em redações de veículos de comunicação, como RedeTV! BH, TV Band Minas, TV Alterosa, TV Anhanguera (afiliada Globo GO), TV Justiça e CNN Brasil.
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Pedro Rocha Franco

Email: [email protected]

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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