Em decisão recente no âmbito da Operação Compliance Zero, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a aplicação de medidas cautelares contra Helder Alves de Lima, identificado como o operador da “camada contábil-documental” de uma sofisticada organização criminosa. Helder, sócio da Acrópole Contabilidade, é acusado de usar seus conhecimentos na área para conferir aparência de legalidade a repasses ilícitos do esquema comandado por Daniel Vorcaro.
Segundo as investigações da Polícia Federal, Helder Lima era o responsável por instrumentalizar documentalmente os pagamentos destinados à estrutura liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, líder do núcleo conhecido como ‘A Turma‘ no esquema do dono do Banco Master. O esquema envolvia a emissão de notas fiscais pela Roseno & Ribeiro para justificar o recebimento de valores da empresa King Participações Imobiliárias Ltda, vinculada a Felipe Mourão.
Na manhã desta quinta-feira, a Polícia Federal esteve em dois endereços ligados a Helder, ambos no bairro Floresta. O BHAZ esteve em ambos, que ficam distantes apenas alguns passos.
A sede do escritório de contabilidade fica num pequeno prédio na Rua dos Tabaiares, enquanto a residência de Helder fica na Avenida Assis Chateaubriand, no Edifício Parque Monjolo.
Detalhe: a Polícia Federal esteve no prédio onde Helder mora dois meses atrás para prender Marilson na terceira fase da Operação Compliance Zero. O contador e o policial aposentado que integram o esquema de Vorcaro, segundo a investigação da PF, residem no mesmo prédio.
Os agentes saíram do prédio por volta de 10h levando celular, computador e documentos do contador.
Um morador do condomínio revelou ao BHAZ que os agentes da PF chegaram por volta de 6h e impediram a entrada e saída de todos os residentes até a subida ao apartamento de Helder. O contador ainda estava dormindo e recebeu os agentes sem camisa.
Imagens das redes sociais de Marilson mostram ele e o contador Helder no Mercado Central de BH. Na imagem, os dois estão vestindo a mesma camisa, com a frase “encha o copo, e não o saco, jovem”. No comentário da postagem, um amigo dos dois ainda brinca: “Diretoria Heldera, Nena e Tatu”, apelido dos dois e de um terceiro que não vamos identificar por ser alvo da operação.

Segundo a investigação da PF, Helder teria orientado Marilson sobre como tornar os ingressos financeiros “limpos”, chegando a sugerir a utilização de CPFs de terceiros para formalizar os pagamentos. Em um dos diálogos interceptados, datado de outubro de 2025, Marilson solicitou ao contador a emissão de uma “nota de 50k” (R$ 50 mil) para acomodar contabilmente um “serviço adicional”, evidenciando a manipulação do fluxo financeiro.
Contato permanente
A investigação revelou que Helder mantinha um canal de comunicação constante com a liderança do grupo. No aparelho celular de Marilson Roseno, o contador estava salvo sob os codinomes “Heldera” e “Heldeira Resenha”.
Um dos pontos que mais pesou contra o investigado foi a continuidade das atividades ilícitas. Mesmo após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, Helder teria permanecido à disposição do grupo, emitindo documentos fiscais e viabilizando repasses financeiros, o que demonstrou a contemporaneidade e persistência de sua conduta.
Apesar das acusações, o ministro André Mendonça optou por não decretar a prisão preventiva de Helder Lima, por considerar que sua posição era de “apoio ou colaboração”, e não de liderança central. Em vez disso, foram impostas as seguintes medidas cautelares: proibição de se ausentar da comarca onde reside e proibição de sair do país, com a obrigatoriedade de entregar o passaporte à Polícia Federal em 24 horas.
O Ministério Público Federal (MPF) corroborou a necessidade das restrições, afirmando que Helder possuía plena ciência dos ilícitos e auxiliava ativamente na ocultação e manutenção da estrutura financeira da organização criminosa.
Nesta quinta-feira, durante a sexta fase da operação Compliance Zero foi preso o pai de Daniel, o empresário Henrique Vorcaro.












