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Dono do ‘Picolé do Amado’ de BH não vai mudar o nome da empresa: ‘Vou lutar por ele até o fim’

01/04/2023 às 10h30
picolé do amado
Luciano disse que faz parte da marca desde criança (Reprodução/@picoledoamado/Instagram)

O dono do “Picolé do Amado” de Belo Horizonte não pretende abrir mão do nome da marca. Em conversa com o BHAZ nesta sexta-feira (31), Luciano Machado, alvo de uma ação judicial movida pelo tio Dalmir de Almeida, afirma que vai “até o fim” para manter o nome do avô no negócio localizado em BH desde 2017.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais reconheceu ao comerciante de 65 anos, natural de São João del Rei, o direito sobre o nome da marca e deu ao Luciano o prazo de dois dias para apagar as redes sociais e o site com o nome do Picolé do Amado. Caso não cumpra, ele deverá arcar com uma multa diária de R$ 1 mil.

À reportagem, no entanto, o empresário disse que essa não é uma opção. O advogado dele entrará, nos próximos dias, com um segundo recurso pedindo a manutenção das redes sociais da marca até que o processo seja concluído em definitivo.

“O que eu não queria era que a Justiça me impedisse de trabalhar com o nome do meu avô (…) vou lutar por ele até o fim”, declarou Luciano.

Tio e sobrinho divergem sobre a criação da marca

Ao BHAZ, Dalmir de Almeida, de 65 anos, disse ter movido o processo depois de descobrir que o sobrinho usava o nome da marca para vender o mesmo produto em Belo Horizonte. Na visão da Justiça, “a coexistência das marcas é apta a causar confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior”, no caso, o Dalmir.

Em conversa com a reportagem, no entanto, Luciano disse estar envolvido com a marca desde criança e que, assim como o tio, já chegou a vender picolés na rua para ajudar o negócio da família a crescer em São João del Rei.

Segundo ele, o tio teria aberto uma sorveteria concorrente ao Picolé do Amado quando o avô dele, que dá nome ao negócio, ainda era vivo. “Ele trabalhou com meu avô um tempo, mas iria casar, precisava sustentar a família dele, então deixou o meu avô e abriu uma concorrência”, conta.

O empresário argumenta, ainda, que o pai dele e irmão de Dalmir que criou o primeiro esboço da logomarca que é utilizada ainda hoje pela empresa. “Temos filmado em um dia de almoço lá em casa meu pai fazendo um rascunho do desenho da logomarca, que é a nossa até hoje. Foi onde começou a usar aquele desenho da locomotiva”, explica.

Tio teria criado ‘concorrência’

Alguns anos depois, o pai de Luciano teria saído do Picolé do Amado e uma irmã dele, tia de Luciano, assumiu o comando. Paralelo a isso, o novo negócio de Dalmir teria “desandado” e foi quando teria surgido a possibilidade de a família se unir em uma única marca.

“Nessa época, as irmãs do Dalmir teriam sugerido que ele criasse um ‘Sorvetes do Amado’, já que ele tinha experiencia na sorveteria. A ideia era ele vir pra ficar do lado da loja de picolé que a minha tia tomava conta. Ele montou a loja, que ficava aberta até mais tarde, e começou a fazer alguns picolés ‘do Amado’ para vender quando a loja da minha tia fechava”, disse.

O empresário conta que foi aí que os desentendimentos familiares começaram. Segundo ele, o tio registrou o nome “Picolé do Amado” sem consultar os irmãos, o que teria provocado um “racha” na família. “Ele registrou na surdina, se utilizando de má-fé”, disse.

Em contato com a reportagem, o advogado de Dalmir negou que o idoso tenha registrado a marca sem comunicar aos familiares.

Nome da marca confunde clientes

Em conversa com o BHAZ, Dalmir de Almeida disse que o nome da marca utilizado pelo sobrinho tem prejudicado o negócio dele em São João del Rei. Segundo ele, clientes já chegaram a questioná-lo sobre a “confusão“.

“Meu pai faleceu e um sobrinho achou que estava no direito de fazer picolé colocando o nome Amado. Procurei ele, mas não quis muita conversa. Então eu registrei o nome. Isso causava muita confusão com os clientes aqui. Eles compravam na mão dele, não achavam bom e vinham reclamar comigo”, lembra.

A marca classificada como original pela Justiça tem menos seguidores que a que foi assumida pelo sobrinho de Dalmir em 2017. Enquanto o Picolé do Amado criado em São João del Rei na década de 1960 tem pouco mais de 5 mil seguidores no Instagram, o outro tem mais de 18 mil.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
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Email: [email protected]

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
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