TikTok
Youtube
X (Twitter)
Instagram
Facebook
Whatsapp

Picolé do Amado fake? Briga de família vai parar na Justiça e loja de BH terá que mudar de nome

31/03/2023 às 18h11 - Atualizado em 31/03/2023 às 18h53
picolé do amado
A ação foi movida pelo dono da marca depois que ele descobriu que um sobrinho distante usava o nome 'Picolé do Amado' para vender réplicas do produto em BH (Reprodução/@sorveteria_amado/Instagram)

Após seis anos de tramitação, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais reconheceu a um comerciante de São João del Rei, na região do Campo das Vertentes, o direito sobre a marca do tradicional “Picolé do Amado”. A ação foi movida por Dalmir de Almeida, de 65 anos, depois que ele descobriu que um sobrinho distante usava o nome da marca para vender o mesmo produto em Belo Horizonte.

Conforme consta nos autos, o réu afirmava que o comércio se tratava de uma “filial” do Picolé do Amado na capital mineira. Ele ainda criou um site e páginas nas redes sociais utilizando o nome e a logomarca do empreendimento original.

Ao BHAZ, Dalmir conta que a marca nasceu em 1966, quando o pai dele, Amado, comprou um máquina de fazer picolés que estava com defeito. Depois de consertar o equipamento, a família passou a comercializar os produtos e o nome “Picolé do Amado” foi criado pelos próprios clientes.

“Ele pegou a máquina para consertar, o dono viu o orçamento e não quis mais. Ele então vendeu pro meu pai, que consertou a máquina para vender, mas fez um picolé pra teste e o pessoal gostou. Quem experimentava, voltava no outro dia querendo mais. Ele então largou a oficina e passou a vender picolé”, conta ele.

Nome da marca causava confusão

Seu Dalmir se orgulha de ter crescido e criado a família com a renda do Picolé do Amado, negócio que vem passando de geração para geração desde então. Na época, com apenas 9 anos, ele vendia os picolés na rua e hoje é reconhecido pela qualidade dos produtos.

“São quase 60 anos de estrada, já tenho uma clientela formada. Aqui é pai trazendo filho, filho trazendo filho de novo”, comemora ele.

O futuro da marca, no entanto, ficou comprometido quando um parente distante passou a utilizar o nome de Amado nos próprios picolés. Além de ser comercializado em Belo Horizonte, o sobrinho também passou a vender os produtos em São João del rei e em Tiradentes.

“Meu pai faleceu e um sobrinho achou que estava no direito de fazer picolé colocando o nome Amado. Procurei ele, mas não quis muita conversa. Então eu registrei o nome. Isso causava muita confusão com os clientes aqui. Eles compravam na mão dele, não achavam bom e vinham reclamar comigo”, lembra Dalmir.

Picolé do Amado de BH rebate decisão

A marca classificada como original pela Justiça tem menos seguidores que a concorrente criada indevidamente pelo sobrinho de Dalmir em 2017. Enquanto o Picolé do Amado criado em São João del Rei na década de 1960 tem pouco mais de 5 mil seguidores no Instagram, o outro tem mais de 18 mil.

Com a decisão, em segunda instância, a Justiça deu ao sobrinho de Dalmir o prazo de dois dias para apagar as redes sociais e o site criados de forma indevida, segundo a Justiça. Caso não cumpra, ele deverá arcar com uma multa diária de R$ 1 mil.

O BHAZ conversou com o advogado de defesa do sobrinho, Jonas Batista de Castro Vasconcelos, que disse que essa decisão ainda não é definitiva. Ele deve entrar com um recurso solicitando a manutenção do site e das redes sociais do Picolé do Amado até que o processo chegue ao fim.

“A gente vai fazer um embargo de declaração, porque o tribunal não se manifestou a respeito das razões que nós apresentamos. Se ele [TJMG] continuar omisso, a gente vai entrar com recurso no STJ e no STF”, declarou ele.

“Esse tio quer pegar a marca para si próprio e tirar outros descendentes, outros familiares, inclusive a própria irmã do negócio. A gente tem tentado lutar contra isso. Isso que saiu no Tribunal é uma antecipação de tutela, não diz respeito ao que foi decidido na ação, ela ainda está sendo analisada”, acrescenta Jonas.

Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
InstagramLinkedIn

Larissa Reis

Email: [email protected]

Graduada em jornalismo pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e repórter do BHAZ desde 2021. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagem premiada pela CDL/BH em 2022.
InstagramLinkedIn

Mais lidas do dia

Leia mais

Acompanhe com o BHAZ