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Edifício Acaiaca: Bunker da Segunda Guerra Mundial no Centro de BH será aberto a visitação

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Atração deve ser liberada em até 60 dias, segundo síndico do prédio (Divulgação/Luiz Miranda + Divulgação/Alexandre Fraga)

O Centro de Belo Horizonte deve ganhar uma nova atração em breve. É que o tradicional Edifício Acaiaca, localizado na esquina entre as ruas Espírito Santo, Afonso Pena e Tamóios, se prepara para abrir seu bunker (abrigo antiaéreo) para visitação. A atração deve ser liberada em poucos meses.

“Nós temos uma missão social”, diz Antônio Rocha Miranda, de 86 anos, sobre a iniciativa de abrir o bunker. Contador por formação, o idoso assume, há anos, a função de síndico e administrador do condomínio do Acaiaca. Ele conta que sua história com o edifício começou ainda na década de 1950, por causa do pai.

“Quando jovem, eu vim com o meu pai pro Acaiaca e olhava o prédio, aquela coisa enorme perto de uma criança lá em baixo”, relembra. “Então meu pai me levou do térreo até o andar 25, que é até onde vão os elevadores originais. E eu tive a ideia de estar em um foguete, uma viagem de foguete. Isso ficou na minha recordação”.

Décadas mais tarde, o garoto encantado pela grandiosidade do edifício se tornaria proprietário de algumas salas do prédio e, posteriormente, síndico de lá. “Adulto, eu comecei a pensar no meu futuro, para manter o meu padrão de vida”, diz Antônio. “Eu já sabia da revitalização de algumas capitais do mundo, então eu pensei ‘Belo Horizonte vai acabar sendo revitalizada também’, aí eu comprei imóveis pensando no futuro”, explica.

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A ligação entre o imóvel e Antônio foi crescendo à medida que o contador se posicionava ativamente na história do edifício. Dessa ligação, surgiram dois livros sobre o Acaiaca, ambos assinados pelo idoso. O mais famoso deles, “Edifício Acaiaca, o Colosso Humano e Concreto”, com 136 páginas, lançado em 2016.

Abrigo antiaéreo

A ideia de um banker no Acaiaca remete ao regime presidencial de Getúlio Vargas, relembra Antônio. “A construção do prédio começou em 1943. Nós estávamos no auge da Segunda Guerra Mundial. Ele (o Acaiaca) só foi finalizado em 47, mas foi sendo habitado à medida que a construção ocorria, para viabilizá-lo economicamente”, relembra.

“Como na época a gente estava em guerra, havia um decreto do Getúlio Vargas que exigia que prédios de uma determinada altura tivessem que ter um abrigo antiaéreo”, complementa Antônio. O Acaiaca se enquadrava nisso. Com 120 metros, o edifício possui 30 andares e inspiração no art decó, estilo que destaca linhas retas e retângulos bem marcados.

O jeito então foi construir um bunker pro prédio. De acordo com o síndico, o maior da América Latina. “Agora, nós recuperamos parte do bunker, que nunca precisou ser usado. Recuperamos parte dele, algo como um presente pra cidade”, diz. Ainda segundo Antônio, o espaço revitalizado tem cerca de 200 metros quadrados.

Embora não tenha data marcada, a abertura do abrigo pra visitação já está em vista. O síndico estima que em 60 dias os interessados poderão visitar o lugar.

“Escolas que se cadastrarem, que tiverem menos recursos, vão poder entrar gratuitamente, por exemplo. Fora isso, nós devemos cobrar pela presença das pessoas”, afirma. “Isso porque nós temos custos de manutenção, mas a missão é social. Estão todos convidados”, finaliza.

Edifício Acaiaca

Um dos primeiros grandes prédios de Belo Horizonte. Dois rostos indígenas inconfundíveis. Uma construção emblemática. É possível definir o Edifício Acaiaca de diversas formas, mas há uma unanimidade: ele representa uma síntese instigante entre cultura, história, arquitetura e, por que não, da própria cidade de Belo Horizonte.

O prédio foi projetado pelo arquiteto Luiz Pinto Coelho, em 1943, e inaugurado quatro anos depois, em 1947. Um dos principais edifícios da capital mineira, tem relevância atemporal e teve a fachada tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal em 1994.

Terraço Acaiaca

O Terraço Acaiaca é um dos principais rooftops em BH, com uma vista de tirar o fôlego. O espaço é preparado para receber eventos diversos, como festas de aniversários, desfiles, lançamentos e eventos corporativos. A vista do Centro de BH ainda é ideal para quem deseja fazer um ensaio fotográfico no local.

Quem contrata o Terraço Acaiaca tem acesso à estrutura do lugar, que comporta cerca de 150 pessoas, além de móveis, iluminação e equipe de limpeza.

Os interessados em fazer um evento no espaço podem entrar em contato no Instagram e por meio do telefone (31) 98402-6758.

Curiosidades sobre o Acaiaca

Confira algumas curiosidades sobre o emblemático Edifício Acaiaca:

  • Muita gente não sabe que o elevador chega “apenas” até o 25º andar, enquanto o prédio possui 30 pavimentos. Para adentrar nos andares restantes da parte superior do edifício, é preciso usar a escada.
  • As grandes colunas internas em forma de cogumelos possibilitam a retirada de todas as paredes. Isso faz com que os andares consigam se tornar grandes salões – como acontece no Terraço, por exemplo.
  • Na década de 50, funcionava uma boate na sobreloja, frequentada sobretudo por pessoas com maior poder aquisitivo.
  • Lá, também existia o famoso cinema Acaiaca, que atraía inúmeros espectadores. O local tinha capacidade para cerca de 900 pessoas e foi desativado ao final da década de 1990.
  • O Acaiaca recebeu a primeira sede da TV Itacolomi, fundada por Assis Chateaubriand em 1955. Afiliada à Rede Tupi de Televisão, a emissora fazia parte do Diário Associados.
  • O edifício já abrigou a Faculdade de Filosofia da UFMG e a sede do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Minas Gerais.
  • Atualmente, predominam escritórios de odontologia e advocacia no Edifício Acaiaca. Em relação a outros serviços oferecidos, os clientes encontram diversidade: por exemplo, tem estúdio de tatuagem, podólogo, loja de eletrônicos e imobiliária.
  • O Acaiaca é um dos grandes edifícios recheados de história e cultura em Belo Horizonte. Citando mais alguns na mesma região, também temos o Maletta e o JK (clique nos nomes e saiba mais sobre eles).
Saiba mais sobre o icônico prédio de BH clicando aqui.

Thiago Cândido

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Colunista no programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Estagiário do BHAZ desde setembro de 2023.

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