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Suspeitos de agredir e matar mulher trans em BH, funcionários de bar estão em liberdade

14/11/2025 às 11h11 - Atualizado em 14/11/2025 às 11h54
Alice Martins Alves morreu após ser espancada na Savassi (Reprodução)
Alice Martins Alves morreu após ser espancada na Savassi (Reprodução)

Os suspeitos de agredir e matar Alice Martins Alves, de 33 anos, uma mulher trans, já foram identificados pela Polícia Civil de Minas Gerais e estão em liberdade. Eles são funcionários de uma pastelaria da Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A causa da agressão seria a cobrança de uma conta de R$ 22, mas a polícia ainda não descartou a hipótese de transfobia.

Os detalhes do caso foram divulgados pela Polícia Civil nesta sexta-feira (14). A PC informou que não vai revelar se fez pedido de prisão dos suspeitos para não atrapalhar a investigação. De acordo com o inquérito, por ora, não há suspeita de terceiros envolvidos no caso.

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Segundo testemunhas, Alice Martins Alves, de 33 anos, foi perseguida pelos dois funcionários ao sair do bar. Quando alcançada, ela teria sido intimidada a pagar a conta.

Os relatos apontam que a mulher chegou a dizer que havia quitado tudo, mas a fala foi feita diante seu estado de embriaguez. Ela não estava completamente lúcida, conforme informações levantadas pelos investigadores.

Logo em seguida, a mulher teria sido agredida violentamente. A sessão de espancamento só terminou com a chegada de um motoboy, que ajudou a socorrê-la. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado por testemunhas.

“Ainda investigamos se eles desferiram essas agressões de forma mais abrupta contra ela por ser uma mulher trans, de uma forma que eles não fariam se ela fosse uma mulher cisgênero”, disse Iara França, delegada responsável pelo caso.

Conforme mostrado pelo BHAZ, Alice frequentava os bares da região com frequência. Funcionários da pastelaria contaram que, quando embriagada, ela já se esqueceu da conta e saiu sem pagar outras vezes, mas voltava para quitar o débito.

Mesmo sendo uma pessoa querida e conhecida pelos frequentadores da área boêmia, segundo o delegado, Alice já tinha relatado que sentia preconceito de algumas pessoas dos bares da região.

“Ela era uma pessoa muito tranquila, mais tímida, com família acolhedora e muito presente na vida dela. Ela foi até incentivada pela família a sair para se distrair”, contou a delegada.

O crime

O ataque ocorreu na avenida Getúlio Vargas, na madrugada de 23 de outubro. Segundo o boletim de ocorrência, Alice Martins Alves saía de um bar onde estava com amigos, quando foi agredida por um homem. Outros dois que estavam com o agressor teriam observado a cena e rido da situação.

Segundo a família, após a agressão, Alice foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, depois, foi para casa. O pai a encontrou no quarto já com várias lesões pelo corpo e sentindo muitas dores. Devido à gravidade do quadro, ela foi a um hospital particular. O espancamento causou fraturas nas costelas, perfuração intestinal e uma úlcera no estômago da vítima.

A vítima registrou um boletim de ocorrência, no dia 5 de novembro. Nele, ela informou que não conhecia o trio e não houve nenhum tipo de discussão ou atrito antes do espancamento. Alice morreu no último domingo (9), 17 dias após a sessão de espancamento.

“Nesse boletim de ocorrência, ela descreve o autores de certa maneira porque tem medo deles. Ela demorou a relatar para o pai que foi agredida porque ficou com vergonha. Ela sabia que foi agredida por ser uma mulher trans. Diante a vergonha e o medo de não ser acolhida pelas instituições, ela não descreve exatamente como são os funcionários. Também temos que lembrar que ela estava sob efeito de álcool e desmaiou rápido devido às agressões intensas. Chegou a quebrar as costelas dela”, comentou a delegada.

“Parece que ela estava pressentindo que algo ia acontecer. Tinha três meses que ela não estava saindo de casa. Eu falei para ela dar uma volta porque tinha muito tempo que ela estava em casa e acontece isso”, contou Edson Alves, pai de Alice, no velório da filha.

“Será que uma transsexual não tem direito a viver em paz? Agora eu perdi uma grande parceira e amiga. Uma companheira de filme e de tomar uma cervejinha em casa”, desabafou o pai.

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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