Representantes da Polícia Federal e outras forças de segurança discutiram ferramentas para o combate às facções criminosas durante o Encontro de Polícia Judiciária 2026, realizado nesta quarta-feira (1), em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH. O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, comentou sobre o Projeto Mitra, voltado para o fortalecimento do policiamento nas fronteiras, portos e aeroportos do Brasil e o combate ao crime organizado. O ministro destacou a importância de Minas, estado pioneiro no projeto. “A Superintendência de Minas Gerais é uma das principais do país e sob a liderança do nosso superintendente, os resultados que o MJ consegue detectar são os mais relevantes possíveis”, comentou.
Wellington Silva também explicou que o programa “Brasil contra o crime organizado”, que envolve o Projeto Mitra, é desenvolvido com foco em quatro frentes: um focado na asfixia financeira dos grupos criminosos, outro focado na elucidação dos homicídios, e um terceiro voltado para o tráfico de armas. “Esse programa Mitra, para mim, é a iniciativa mais relevante que produzimos até hoje; nasceu com nosso superintendente de Minas Gerais e vem ganhando escala nacional”, completou.
Com o Mitra, uma base de dados mais robusta e ampla vem sendo construída, com informações e até imagens de suspeitos e foragidos, que podem ser usados em portos e aeroportos. A expectativa é de que, até o final de setembro, todos os estados do país estejam integrados ao sistema.
O diretor-geral da Polícia Federal também participou do evento e comentou sobre a eficiência das apurações da polícia. “Minas Gerais é o berço, aqui nasceram as forças integradas de combate ao crime organizado e, portanto, esse é um ambiente onde nós cooperamos com as 27 unidades da federação, com policiais federais, policiais rodoviários federais, policiais penais federais, policiais militares, civis e até algumas guardas municipais que participam desse processo de integração”, disse o gestor, que destacou, ainda, que há um esforço coletivo para enfrentar as facções criminosas.
Facções criminosas classificadas como terroristas
No começo de junho deste ano, o Governo do Estado lançou a operação “Cerco Fechado”, classificada como a maior ação policial contra facções criminosas da história de Minas Gerais. Cerca de 3 mil agentes foram mobilizados em 26 territórios considerados estratégicos para a atuação do crime organizado em seis cidades mineiras.
Pouco antes desta operação, o Governo dos Estados Unidos classificou as maiores facções criminosas do Brasil como terroristas, definição que foi endossada pelo Governador Mateus Simões. O foco da operação foi o sufocamento físico e financeiro de facções como o PCC, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Ao comentar sobre, o governador declarou: “O objetivo é a pacificação desse espaço e significa a expulsão dos traficantes e criminosos que estão ali”.
No evento da Polícia Federal desta quarta-feira (1), o Superintendente da PF em Minas, Richard Murad Macedo, destacou que “Minas Gerais tem sido um exemplo de integração. Nós participamos de todas as iniciativas locais, no sentido de combate ao crime organizado. Um dos exemplos é a nossa participação, hoje, na Operação Cerco Fechado, coordenada pela Sejusp”. Ele também comentou que, muitas vezes, gasta-se muito com a investigação, mas a impunidade se estabelece quando o indiciado continua foragido da Justiça. “Não adianta que nós iniciemos novas investigações contra esses criminosos contumazes, sem que nós demos aplicação direta a sentença que foi propagada”.








