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Prédio da Oi passou por fiscalização e foi multado dois dias antes do incêndio

11/08/2026 às 14h37
Pessoas pularam do segundo e terceiro andares de prédio abandonado da Oi que pegou fogo, em BH
Vítimas ocupavam prédio da Oi abandonado, em BH (Fotos: Reprodução)

O prédio atribuído à antiga Oi, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, passou por uma fiscalização da Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU) na sexta-feira (7), dois dias antes de um incêndio atingir o imóvel. Durante a ação, foi aplicada uma multa de R$ 20.485,31 pelo descumprimento das obrigações de promover e zelar pelas condições de estabilidade, segurança e salubridade do edifício.

Segundo a Secretaria, caso as medidas necessárias não sejam adotadas, poderá ser aplicada uma nova multa de R$ 20.485,41. Conforme a legislação, o descumprimento das determinações também poderá resultar na interdição do imóvel.

O edifício possuía Alvará de Localização e Funcionamento (ALF) enquanto a operação da empresa de telefonia ainda funcionava no local. Após o encerramento das atividades da empresa, o alvará foi baixado devido à baixa da inscrição municipal.

MPMG adota medidas após incêndio

Após o incêndio, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) adotou medidas contra o Grupo Oi. O órgão aponta indícios de abandono, degradação e risco à segurança de moradores e de pessoas que circulam pela região.

Como a Oi está em recuperação judicial, o MPMG encaminhou um pedido de cooperação institucional ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), onde tramita o processo. A intenção é buscar, junto à Justiça, medidas urgentes para obrigar a empresa ou os responsáveis pelo imóvel a adotarem providências.

Entre as medidas solicitadas estão o fechamento dos acessos ao prédio, a instalação de vigilância, a realização de vistorias e a limpeza da área. Segundo o MPMG, as providências têm como objetivo garantir uma resposta rápida e coordenada diante das condições do imóvel e proteger moradores, pedestres e a comunidade do entorno.

Entenda o caso

O incêndio começou na tarde de domingo (9) e, inicialmente, teria ficado concentrado no primeiro andar do prédio. Cabos de energia e outros componentes elétricos podem ter contribuído para a propagação das chamas e para a formação de uma fumaça preta e densa.

Ao menos cinco pessoas estavam no imóvel no momento do incêndio. Algumas deixaram o prédio por conta própria pelas janelas dos andares superiores. Uma mulher foi resgatada em estado grave no interior da estrutura com auxílio de uma câmera térmica e encaminhada ao Hospital João XXIII.

O prédio, que funcionava como uma unidade da antiga Oi, está abandonado e costuma ser ocupado por pessoas em situação de rua. As circunstâncias que provocaram o incêndio ainda serão apuradas. A suspeita inicial é de que o fogo tenha começado durante a queima de fios de cobre.

Sete viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para combater as chamas e realizar buscas no interior do prédio.

Na segunda-feira (10), a Defesa Civil vistoriou o imóvel e determinou a interdição após identificar riscos na estrutura. Foram constatadas trincas, queda e desplacamento de reboco, danos nas instalações elétricas, deformação da laje, danos no piso e queda de vidros.

A vistoria também identificou um acúmulo de água escura e com forte odor, com cerca de 1,5 metro de altura. Parte do passeio foi isolada e sinalizada devido ao risco de queda de vidros e de projeção de fragmentos sobre a via pública.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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