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Servidora suspeita de desviar mais de 200 armas é afastada pela Polícia Civil

10/03/2026 às 10h51
A decisão do afastamento foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça. (Reprodução/redes sociais + Google Maps)

A servidora da Polícia Civil Vanessa de Lima Figueiredo foi afastada do exercício da função pública por decisão publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (10). Ela é suspeita de desviar mais de 200 armas e dinheiro de uma delegacia em Belo Horizonte.

A medida foi tomada em cumprimento à decisão judicial proferida no processo. Conforme a determinação, Vanessa foi afastada do cargo até decisão em contrário. A ré ocupa o cargo de analista da Polícia Civil de Minas Gerais e de Atividades Governamentais, nível III.

Além do afastamento, a decisão também determina que Vanessa está proibida de frequentar as dependências de qualquer unidade da Polícia Civil no estado, especialmente a 1ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro, em Belo Horizonte.

Tornozeleira eletrônica

A Justiça de Minas Gerais determinou o uso de tornozeleira eletrônica à servidora da Polícia Civil Vanessa de Lima Figueiredo após o Ministério Público apontar risco de fuga no processo em que ela é ré por peculato. A decisão também impõe a entrega do passaporte e a proibição de sair do país.

A medida foi determinada pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte. Segundo a decisão, a acusada terá que entregar o passaporte em até 24 horas e não poderá se ausentar do território nacional. Também foi determinado que Vanessa não poderá deixar a comarca de Belo Horizonte por mais de oito dias sem autorização judicial e deverá passar a ser monitorada por meio de monitoração eletrônica. O descumprimento das medidas poderá levar à decretação de prisão preventiva.

Decisão

O pedido das novas medidas cautelares foi feito pelo Ministério Público de Minas Gerais após a descoberta de que a servidora comprou, em 24 de outubro de 2025, uma passagem internacional para Miami, nos Estados Unidos, com embarque previsto para 20 de março de 2026. A data seria quatro dias antes da audiência de instrução e julgamento marcada no processo.

Para o Ministério Público, a compra da passagem indicaria uma possível tentativa de fuga, o que poderia comprometer a instrução processual e a aplicação da lei penal.

A defesa da acusada afirmou que a viagem havia sido planejada com antecedência, antes do início das investigações, e apresentou comprovantes de cancelamento da reserva. Apesar disso, o juiz entendeu que a compra da passagem internacional, com data próxima à audiência, demonstra “capacidade de mobilização e potencial risco de evasão”.

Na decisão, o magistrado considerou que o cancelamento da viagem não elimina a preocupação com uma possível saída do país. Segundo ele, a gravidade das acusações e o desaparecimento de grande quantidade de armamento justificam o reforço das medidas de controle para garantir o andamento do processo.

O juiz, no entanto, negou o pedido de recolhimento domiciliar integral, considerado excessivo no momento. A audiência de instrução e julgamento foi mantida para o dia 24 de março de 2026.

Relembre o caso

Vanessa de Lima Figueiredo responde a processo após ser denunciada pelo Ministério Público pelo desvio de cerca de 200 armas de fogo, além de dinheiro e outros objetos apreendidos, que estavam sob custódia da 1ª Delegacia do Barreiro, na capital mineira. Segundo a denúncia, ela teria retirado os materiais entre os dias 20 e 29 de outubro de 2025.

De acordo com a acusação, a servidora trabalhava no setor de protocolo da unidade policial e tinha acesso à sala onde eram guardados os itens apreendidos em operações policiais. O desaparecimento dos materiais foi identificado após a realização de um inventário.

Imagens de câmeras de segurança registraram a servidora entrando e saindo da delegacia com sacolas e bolsas volumosas em dias que coincidem com o período em que os objetos teriam sido retirados do local.

A investigação foi conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais e resultou no indiciamento da servidora pelo crime de peculato, que ocorre quando um funcionário público se apropria ou desvia bens sob sua responsabilidade.

O processo segue em tramitação na Justiça de primeira instância.

Lavínia Fernandes

Jornalista formada pela PUC Minas. Publicou um artigo sobre alfabetização midiática pela Intercom. Foi estagiária de assessoria de comunicação na ALMG. Repórter no BHAZ desde novembro de 2024.
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