A mulher suspeita de roubar e matar um casal de idosos no bairro São Pedro, região centro-Sul de Belo Horizonte, foi presa na madrugada dessa quinta-feira (2) em Itabira, região Central de Minas Gerais. No momento da prisão, Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, estava em um hotel com o filho de 6 anos.
Alguns pertences do casal foram encontrados com a suspeita. Conforme a polícia, ela confessou o crime. Após a prisão, Paola foi levada ao Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, no bairro Gameleira, região Oeste de BH, onde prestou depoimento.
O crime
Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, e Cláudio Atala Inácio, de 75 anos foram mortos dentro do apartamento onde moravam. Na tarde de terça, o filho encontrou os corpos dos idosos no apartamento do casal. A descoberta ocorreu após funcionários do escritório de advocacia estranharem a ausência de Cláudio e a falta de contato telefônico.
O apartamento não apresentava sinais de arrombamento. A suspeita é de que o crime tenha ocorrido na segunda-feira (29), durante o horário do jogo entre Brasil e Japão na Copa do Mundo.
A suspeita foi flagrada por câmeras de segurança do condomínio, que mostraram a chegada dela às 7h30 e a saída às 15h30. Ao deixar o prédio, ela usava roupas diferentes das que chegou e levava duas bolsas grandes. O filho do casal afirma que uma das bolsas era da mãe dele.
Quem era o casal
Casados há décadas, Maria Clotilde e Cláudio Atala eram figuras conhecidas no meio profissional em que atuavam e descritos pela família como pessoas ativas e queridas.
De acordo com Henrique Maciel, sobrinho do casal, Maria era dona de uma loja na capital mineira e por muitos anos se destacou como atleta. Já Cláudio era sócio-fundador de um escritório de advocacia no bairro Lourdes, na região Centro-Sul, onde atuava principalmente nas áreas trabalhista e empresarial. Mesmo aos 75 anos, ele continuava exercendo a profissão diariamente.
O casal era conhecido pelo espírito aventureiro e já havia viajado por diversos países. Recentemente, eles haviam retornado de uma viagem aos Estados Unidos. Segundo o sobrinho Henrique Maciel, de quem eram padrinhos de casamento, os tios eram pessoas “cheias de vida” e muito próximas da família. O casal morava na rua Padre Severino há cerca de 20 anos.
A trajetória do dos dois também foi marcada por uma perda dolorosa em 2006, quando a filha deles, triatleta, morreu vítima de um atropelamento. Desde então, eles tinham apenas um filho, que também é advogado e trabalha no escritório fundado pelo pai.
Fuga e descarte de provas
Após cometer os assassinatos, a suspeita tomou banho no apartamento e saiu carregando diversas sacolas. Imagens e evidências mostram que ela descartou provas em uma caçamba de obras em uma rua próxima ao local. Entre os objetos estava uma blusa de gola rolê com marcas de sangue, parecida com a que ela usava no início do trabalho, além de caixas de relógios e uma bolsa.
Ainda de acordo com as investigações, Paola contou com o apoio de um homem para a fuga, que aguardava em carro de alto padrão, próximo à caçamba de obras. A Polícia Civil descartou a participação de motorista de aplicativo, uma vez que o veículo permaneceu estacionado por cerca de 15 minutos aguardando a mulher.
Possível motivação
A investigação aponta que Paola não tinha antecedentes criminais, mas enfrentava um quadro de instabilidade emocional e depressão. Familiares informaram aos policiais que ela possuía uma dívida de aproximadamente R$ 40 mil, embora a origem do débito não tenha sido confirmada. Antes de desaparecer, ela teria dito à família que “fez uma grande besteira”.
Após o crime, a suspeita teria passado pelo centro de BH, na região da Praça Sete, para tentar negociar os objetos roubados, que incluíam joias, relógios e celulares. Depois, Paola seguiu para Ribeirão das Neves, onde residia. Lá, a mulher teria conversado com vizinhos antes de fugir levando o filho de seis anos.
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