Passageiros precisam ‘implorar’ por carros de aplicativo em BH e motoristas cobram melhores condições

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Usuários reclamam de demora ao solicitar viagem (Amanda Dias/BHAZ)

Os aplicativos de mobilidade caíram na graça dos usuários e desde que chegaram se tornaram essenciais na locomoção entre diferentes pontos de Belo Horizonte e até mesmo para cidades vizinhas. No entanto, ter uma corrida aceita virou um martírio. Alta no preço do combustível e baixo repasse nos valores das viagens são algumas justificativas apresentadas pelos motoristas.

Basta uma pesquisa rápida nas redes sociais para encontrar diversos relatos de usuários reclamando da demora ao solicitar uma corrida. “Acho que acabou Uber em BH. Cinquenta minutos esperando”, “Cada dia mais eu acho que os ‘Uber’ de BH viraram lenda urbana”, “Que humilhação está sendo pedir um Uber em BH”, “BH: A cidade inimiga do Uber”, comentam alguns.

O BHAZ conversou com motoristas e com o representante da categoria para buscar entender o que vem acontecendo para tanta demora. A Uber e 99, principais empresas com atuação em Belo Horizonte, também foram procuradas pela reportagem (veja abaixo). Um especialista em direito trabalhista acredita que a regulamentação da atividade é uma forma de buscar uma melhor harmonia entre as partes.

Muito gasto e pouco lucro

Os gastos para manter um veículo crescem cada vez mais e dificultam o trabalho dos motoristas. O litro da gasolina ultrapassando os R$ 6, a manutenção periódica do automóvel e além do baixo valor recebido por corrida tem dificultado o trabalho daqueles que dependem do volante para garantir o sustento da família.

Paulo Xavier é presidente da FANMA (Frente de Apoio Nacional aos Motoristas Autônomos) e revela que as empresas deixaram de pagar pelo quilômetro rodado e isso faz com que eles recebam um valor menor. “A gente tinha um extrato da corrida bem claro e objetivo. A pessoa sabia quanto ia receber dependendo da quilometragem e do tempo da viagem. Agora, é apresentado um valor para o usuário e outro bem abaixo para o motorista”.

O represente da categoria explica que a “mudança de algoritmo” fez com que o motorista passasse a avaliar cada solicitação de viagem para ver se compensa aceitá-la. “Não é que ele está selecionando, mas avaliando para que possa ter ganho. Tem viagem onde não há ganho algum para o profissional”.

“Da forma que está é impraticável, pois não temos ganho. O deslocamento até o passageiro é por nossa conta. A viagem só começa quando a pessoa está dentro do carro. A nossa reivindicação é para que Uber e 99 voltem a pagar por quilômetro rodado”, pede.

Antônio Ramos trabalha como motorista de aplicativo desde 2016 e conta que a situação está “muito difícil”. “Lá no começo, o valor mínimo que recebíamos era R$ 7 e o combustível custava R$ 3,39. A corrida mínima hoje varia de região. Em torno de R$ 5 em BH e R$ 4,60 na região metropolitana. Não paga nem o litro do combustível. A conta não bate”.

Usuário x motorista

A maneira como os apps têm sido conduzidos trouxe, conforme disse Xavier, prejuízo aos motoristas e acabou dificultando a relação entre eles com os passageiros. “O que a gente vê é uma forma desleal da empresa colocar o usuário contra o motorista. O motorista sai de casa para trabalhar. O problema é que tem vez que recebemos R$ 0,50 por quilômetro, sendo que nosso custo é R$ 0,90”.

“O usuário precisa entender que nós somos vítimas, assim como eles e que o vilão são as empresas que não reconhecem a necessidade de ter atualização do valor justo. Não queremos ganhar muito, mas o justo. Quando o motorista não aceita a corrida, é porque não há ganho”, diz o presidente da FANMA.

A dificuldade em ter uma corrida aceita, faz com que muitos passageiros mandem mensagens pedindo para o motorista não cancelar a viagem. “Converso muito com os clientes e eles falam da dificuldade em conseguir corrida. Teve um dia que desloquei quase 4 km para buscar uma passageira. Só fui porque ela estava precisando”, conta Antônio.

O motorista destaca o custo que teve no deslocamento até a pessoa e explica a recusa realizada. “Nós não queremos cancelar a corridas. A questão é que em poucos segundos temos que calcular o deslocamento e ver se vai compensar a ida até o cliente. Em uma corrida, por exemplo, de R$ 5, como vou deslocar?”.

‘Difícil trabalhar’

A realidade enfrentada pelos motoristas de apps tem feito com que muitos procurem uma nova forma de sustento. Joel de Assis trabalhou no volante por cinco anos, mas resolveu procurar outra atividade neste ano. “Chegou uma hora que estava difícil trabalhar. De um tempo pra cá, se você colocar R$ 100 de combustível está fazendo R$ 200. Ou seja, a conta não fecha e não sobra dinheiro pro motorista”.

A falta de lucro nas mais de 12 horas trabalhadas foram determinantes para Joel mudar de profissão. “Você trabalha muito para ganhar pouco demais. Eu adoro dirigir, mas não estava dando para continuar. Agora estou mexendo com sucatas e me associei em uma revenda de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Estou fazendo uns carretos de vez em quando. Estou tendo mais saúde e um dinheiro melhor”.

Antônio está pensando em seguir os passos de Joel e mudar de profissão, principalmente após ter vendido o veículo que tinha por não conseguir quitar as parcelas. “A situação está complicada para todos. Estou querendo largar. Não tenho condições de permanecer. Perdi o meu bem. Não conseguia dar manutenção e as prestações atrasaram muito. Tive que vender por um preço muito barato”, revela.

O motorista pretende continuar no volante e não descarta se tornar caminhoneiro. Ele conta que os baixos valores recebidos nas corridas faz com que enfrente dificuldade em casa. “Tem momento que preciso de doação de cesta básica. Às vezes não consigo pagar a conta de luz. É um malabarismo”.

‘Não aguenta’

A pandemia de Covid-19 trouxe muitos impactos negativos. Um dos que sofreram com isso foi Leonardo Reis que trabalha com o setor de eventos. O morador da região de Venda Nova precisou recorrer aos aplicativos para ter uma fonte de renda. Atualmente, com a volta das atividades, ele prossegue na plataforma, mas apenas para complementar a renda.

“Só por isso que ainda continuo. Pensando em quem precisa se sustentar apenas com este trabalho, a pessoa não aguenta. Só é possível trabalhar de motorista porque o carro é meu e não tenho mais prestação para pagar. A pessoa que depende o tempo todo, repito, não aguenta. Trabalha até 12 horas para não ganhar nada”, comenta.

Relação desgastada

Empresas e motoristas começaram a se relacionar como parceiros. No entanto, conforme os relatos ouvidos nesta reportagem, há um desgaste entre eles. A ausência de vínculo trabalhista e de regulamentação da atividade faz com que muitos motoristas acionem a Justiça reivindicando direitos.

“O que surgiu como uma parceria comercial, começou a se questionar uma possível relação trabalhista. Creio que com o agravamento da situação econômica no país tenha crescido o aumento de motoristas e consequentemente a redução do valor pago pelas empresas. A parceria deixou de ser tão interessante”, comenta o advogado trabalhista Arthur Gasperoni.

O mestre em Direito e professor da Faculdade Batista de Minas Gerais destaca que o motorista que se sentir lesado pode recorrer ao poder Judiciário e que isso já vem acontecendo no país.

“A Justiça começou a proferir decisões reconhecendo o vínculo empregatício. Hoje é uma questão sob judice e tem decisões favoráveis, mas muitas contrárias. Creio que o judiciário vai ter que enfrentar de maneira definitiva. Mesmo assim, qualquer motorista pode levar a empresa na justiça. O direito de recorrer à justiça é garantido na Constituição Federal”.

Usuário prejudicado

O impasse entre empresas e motoristas prejudica a pessoa que está na ponta: o usuário. “Creio que poderia ser feita uma regulamentação adequada pelo Legislativo para que possa criar, pelo menos, bases mínimas de transparência, controle e equilíbrio. Se você tiver relação entre motoristas e empresas estabilizada, vai repercutir num serviço melhor prestado”, opina Gasperoni.

“Óbvio que se você não tem relação bem estabelecida, o consumidor vai sair prejudicado, não só financeiramente, mas também com a prestação do serviço. Quando o serviço chegou, as pessoas se sentiam bem atendidas e de um tempo pra cá o humor do consumidor mudou. A solução seria uma boa estabilização desta parceira comercial trabalhista entre motorista e empresa”.

Alternativa

Visando um melhor lucro, um novo app foi desenvolvido. “Os motoristas têm migrado para outras plataformas. Temos um grupo de motoristas que criaram o 7Move. A plataforma ainda está crescendo e avançando. Não tem muitos recursos, mas vem tendo aceitação do público. A divulgação dele é boca a boca”, conta Xavier.

A criação do app aconteceu, segundo o presidente da FANMA, pelo “total descaso” das empresas com os motoristas.

“Virou uma escravidão moderna. O sentimento é de total descaso. As empresas falam que são nossas parceiras, mas não são. Costumo dizer que somos um tripé e todos são importantes: motorista, usuário e plataforma. A perna do motorista está quebrada. Temos que nos reinventar. O sentimento que fica diante de tudo isso é descaso”.

Aumento da demanda

A reportagem procurou a Uber e a 99 para repercutir as reclamações dos motoristas parceiros. Antes disso, as empresas explicaram que a demora enfrentada pelos usuários se dá pelo aumento de pessoas que estão utilizando os serviços desde o início da pandemia do novo coronavírus.

“De acordo com o Datafolha, 40% dos brasileiros da classe C passaram a utilizar os carros por aplicativo com mais frequência e 31% que não conheciam o serviço aderiram à modalidade. Somado a isso, a retomada das atividades comerciais em 2021 também impulsionou o retorno da locomoção das Classes A/B, que deixaram de fazer home office em período integral. Esse aumento de pedidos de corrida pode ocasionar maior tempo de espera na plataforma em horários e dias nos quais aumenta a demanda”, justificou a 99.

“Esse contexto de alta demanda por viagens vem se acentuando nas últimas semanas, conforme o avanço da campanha de vacinação e a reabertura progressiva de atividades comerciais pelas autoridades. Nesse sentido, os usuários estão tendo de esperar mais tempo por uma viagem porque, especialmente nos horários de pico, há mais chamados do que parceiros dispostos a realizar viagens”, explicou a Uber.

Sobre os baixos repasses por viagem alegados pelos motoristas, a 99 alegou que “sempre esteve e continua aberta ao diálogo”.

“Quanto à transferência dos valores das corridas aos parceiros, a 99 esclarece que a taxa praticada na plataforma é revertida em mais investimentos, em segurança, novos produtos e campanhas de incentivo à demanda. O cálculo para o valor do repasse utiliza uma equação que leva em conta a distância percorrida e o tempo de deslocamento. Já o preço final da corrida é definido de acordo com a oferta e demanda”, explicou.

A Uber, por sua vez, destacou que cobrava uma taxa de serviço dos motoristas parceiros de 25%. “Desde 2018 ela se tornou variável para que a Uber tivesse maior flexibilidade para usar esse valor em descontos aos usuários e promoções aos parceiros. Em qualquer viagem, o motorista parceiro sempre fica com a maior parte do valor pago pelo usuário – há confusão entre os parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir”.

Ajudas

Uber e 99 informaram que acompanham o aumento no preço dos combustíveis e estão fazendo ações para reduzir o impacto nos motoristas parceiros.

“A Uber vem realizando ações especiais em 2021 nas quais o motorista ganha até 20% de cashback no abastecimento do seu carro. E de forma permanente, pagando com o app abastece-aí nos postos Ipiranga, o motorista parceiro da Uber tem direito a 4% de cashback sem que, para isso, precise gastar seus pontos do programa KM de Vantagens”, informou.

A 99 alegou ter firmado parceria com uma rede de postos. “Neste ano, a companhia já garantiu mais de R$ 3,1 milhões em desconto nos postos da rede Shell em todo o país. Importante observar também que todas as promoções são subsidiadas pela plataforma, sem ônus para o parceiro”.

Os posicionamentos das empresas podem ser lidos na íntegra abaixo.

Nota da Uber

“A Uber opera um sistema de intermediação de viagens dinâmico e flexível, por isso buscamos sempre considerar, de um lado, as necessidades dos motoristas parceiros e, de outro, a realidade dos consumidores que usam a plataforma, tendo em vista a preservação do equilíbrio entre oferta e demanda que é fundamental para a plataforma.

Com a pandemia, pessoas que antes não usavam a Uber no dia a dia agora estão optando pelo app. Uma pesquisa feita pelo Datafolha mostrou que os brasileiros consideram os apps de mobilidade um dos meios mais seguros para se locomover no contexto da pandemia e, dentre as empresas no mercado, a mesma pesquisa identificou que os entrevistados consideram a Uber a mais segura.

Esse contexto de alta demanda por viagens vem se acentuando nas últimas semanas, conforme o avanço da campanha de vacinação e a reabertura progressiva de atividades comerciais pelas autoridades. Nesse sentido, os usuários estão tendo de esperar mais tempo por uma viagem porque, especialmente nos horários de pico, há mais chamados do que parceiros dispostos a realizar viagens. A demanda elevada significa que o app da Uber está tocando sem parar para os parceiros, situação em que eles relatam se sentirem mais confortáveis para recusar viagens, pois sabem que virão outros chamados na sequência, possivelmente com ganhos maiores.

Com isso, os ganhos de quem dirige com o app da Uber têm sido os maiores desde o início do ano. Em Belo Horizonte, por exemplo, os parceiros que dirigiram por volta de 40 horas ganharam, em média, de R$ 1.100 a R$ 1.200 na semana. Em um mês, significa que os motoristas estão com média de ganhos superior aos rendimentos mensais de várias atividades no país, como fisioterapeutas, intérpretes, marceneiros ou corretores de seguros, por exemplo, de acordo com dados do site Trabalha Brasil, que compila essas informações.

É importante lembrar que os ganhos dos parceiros da Uber são bem particulares, porque são muitas as variáveis em jogo, já que cada um escolhe como quer usar a plataforma. Por exemplo, como os parceiros da Uber são livres para decidir em quais dias e horários dirigir, quem dirige em dias e horários de maior movimento tem uma maior chance de ganhar mais.

Em relação à experiência dos usuários, entre as medidas que a Uber adota para reduzir o tempo de espera estão o preço dinâmico e as promoções para motoristas parceiros. O preço dinâmico é um recurso muito útil porque, por um lado, faz alguns usuários adiarem as suas viagens à espera de um preço menor e, por outro, incentiva que mais motoristas parceiros se desloquem para atender uma determinada região. O preço dinâmico é temporário e, por isso, a dica para os usuários é esperar alguns minutos antes de voltar a verificar o novo preço da viagem no app, porque ele é atualizado constantemente.

Gastos

A Uber vem acompanhando os aumentos de preço dos combustíveis nos últimos meses, entende a insatisfação causada pelos seus impactos em todo o setor produtivo e, por isso, a empresa tem intensificado esforços para ajudar os motoristas parceiros a reduzirem seus gastos. Por meio do programa de vantagens Uber Pro, a empresa lançou em 2021 diversas iniciativas e promoções para aumentar os ganhos em todos os tipos de viagem, de curta ou longa distância.

Combustíveis

A Uber vem realizando ações especiais em 2021 nas quais o motorista ganha até 20% de cashback no abastecimento do seu carro. E de forma permanente, pagando com o app abastece-aí nos postos Ipiranga, o motorista parceiro da Uber tem direito a 4% de cashback sem que, para isso, precise gastar seus pontos do programa KM de Vantagens. Isso significa que, além de receber de volta parte do valor gasto no abastecimento, o parceiro ainda acumula mais pontos para usar, por exemplo, na manutenção do carro (troca de óleo, pneu, reparos etc.). Considerando quem abastece um carro 1.0 toda semana com gasolina, por exemplo, a economia estimada supera R$ 500 por ano.

Promoções

Lançamos o Turbo+, um novo formato de promoção para os parceiros que adiciona um valor fixo em cada nova oferta de viagem em locais e horários específicos. Também criamos promoções com ganhos adicionais para viagens curtas e estamos testando uma nova forma dos parceiros acompanharem as promoções disponíveis, tudo no mesmo lugar do app, para que ele possa se programar e avaliar os melhores momentos para dirigir.

Celular

Os parceiros Uber Pro podem contratar com preços especiais o Uber Chip, plano pré-pago da Surf Telecom que não desconta dados para navegação nos apps mais usados pelos motoristas, como Uber Driver, Waze e WhatsApp. No plano Diamante, o Uber Chip representa uma economia de R$ 360 por ano.

Uber Conta

Operacionalizada pelo Digio, a Uber Conta permite que os parceiros recebam os ganhos logo após cada viagem, sem pagar taxas e o valor começa a render automaticamente 100% do CDI. Além disso, a Uber Conta dá acesso a vantagens exclusivas como isenção de mensalidade por dois anos na tag Veloe de pedágios e estacionamentos (economia de R$ 454) e desconto ou cashback usando o Cartão Uber em lojas parceiras.

Saúde

Com o Uber Pro, os parceiros têm isenção de mensalidades no Vale Saúde Sempre, que dá descontos em consultas, exames e medicamentos, válidos também para dependentes, uma economia que chega a R$ 359 por ano.

Vida Saudável

O Uber Pro também oferece redução de até 50% na mensalidade do TotalPass, aplicativo que permite usar centenas de academias no país, incluindo a rede SmartFit, uma economia estimada em R$ 659 por ano. Essa vantagem também vale para até dois familiares do parceiro.

Idiomas

Parceiros Uber Pro têm acesso gratuito aos cursos de idiomas oferecidos pela Rosetta Stone, empresa com mais de 30 anos de experiência no ensino de diversas línguas. O aprendizado é integrado ao aplicativo de motoristas da Uber e consiste em mais de 200 lições de leitura, escrita e conversação. Com a parceria, o motorista tem uma economia de R$ 480 por ano.

Educação financeira

Todos os parceiros da Uber têm acesso gratuito a uma plataforma educativa, elaborada em conjunto com o Banco Mundial e o Sebrae, com sessões sobre gestão financeira, controle de gastos, gerenciamento de dívidas e planejamento de longo prazo, entre outros tópicos.

Os valores de economia são estimativas calculadas com base nos preços informados ao consumidor no site das respectivas empresas.

Covid-19

No contexto da pandemia, a Uber vem adotando diversas medidas para apoiar os motoristas parceiros, como um fundo para oferecer assistência financeira aos parceiros que precisaram parar de trabalhar por recomendação médica – apenas em 2020, foram transferidos 30 milhões de dólares com esse auxílio aos parceiros em todo o mundo. Motoristas e entregadores parceiros também podem solicitar, por meio do próprio aplicativo, reembolso para itens de proteção, como álcool em gel e máscaras. Todas as ações relacionadas à pandemia podem ser consultadas em nosso site.

Taxa Uber

No passado, a taxa de serviço cobrada dos motoristas parceiros pela intermediação de viagens era fixa em 25%, mas desde 2018 ela se tornou variável para que a Uber tivesse maior flexibilidade para usar esse valor em descontos aos usuários e promoções aos parceiros. Em qualquer viagem, o motorista parceiro sempre fica com a maior parte do valor pago pelo usuário – há confusão entre os parceiros sobre o valor da taxa porque em algumas viagens ele pode aumentar enquanto, em outras, pode diminuir. É por isso que todos os motoristas parceiros ativos recebem semanalmente, por e-mail, um compilado sobre os seus ganhos que mostra quanto ele pagou de taxa Uber naquela semana.”

Nota da 99

“Desde o início da pandemia, a 99 vem experienciando um aumento na demanda por carros de aplicativos. De acordo com o Datafolha, 40% dos brasileiros da classe C passaram a utilizar os carros por aplicativo com mais frequência e 31% que não conheciam o serviço aderiram à modalidade. Somado a isso, a retomada das atividades comerciais em 2021 também impulsionou o retorno da locomoção das Classes A/B, que deixaram de fazer home office em período integral. Esse aumento de pedidos de corrida pode ocasionar maior tempo de espera na plataforma em horários e dias nos quais aumenta a demanda.

Sobre o repasse para os motoristas parceiros, a 99 esclarece que sempre esteve e continua aberta ao diálogo para reduzir o impacto principalmente neste momento em que há uma conjuntura econômica que vem pressionando o valor dos combustíveis. Neste ano, a companhia já garantiu mais de R$ 3,1 milhões em desconto nos postos da rede Shell em todo o país. Importante observar também que todas as promoções são subsidiadas pela plataforma, sem ônus para o parceiro.

Quanto à transferência dos valores das corridas aos parceiros, a 99 esclarece que a taxa praticada na plataforma é revertida em mais investimentos, em segurança, novos produtos e campanhas de incentivo à demanda. O cálculo para o valor do repasse utiliza uma equação que leva em conta a distância percorrida e o tempo de deslocamento. Já o preço final da corrida é definido de acordo com a oferta e demanda. É importante observar que há um teto máximo de 30% de desconto. O objetivo é garantir que os motoristas parceiros sempre tenham ganho no serviço prestado ao passageiro. Neste sentido há casos em que é empregada a taxa negativa, ou seja, o valor repassado ao motorista é maior que o pago pelo passageiro e esta diferença é custeada pela empresa para democratizar o acesso das pessoas.

Além disso, a empresa lançou, um pacote de ações para reduzir o impacto do aumento dos combustíveis e oferecer maior ganho para os parceiros:

99 lança pacote de apoio aos motoristas parceiros e prevê impactar PIB em mais de meio bilhão de reais

Iniciativa tem como objetivo apoiar a retomada econômica das cidades

Ações começaram a ser implementadas em julho e visam ampliar ganhos dos parceiros e melhorar a experiência na plataforma

Repasse integral em dias e horários específicos e revisão de políticas de cancelamento fazem parte do plano

Diante do cenário desafiador enfrentado pelo setor de transportes por aplicativo com os constantes aumentos no combustível, a 99 lança um pacote de ações que pretende colaborar com os ganhos dos motoristas parceiros da empresa e ainda impactar a economia do país. As iniciativas serão implementadas ao longo do segundo semestre, com algumas delas já começando este mês.

Com o pacote, a empresa estima injetar mais de R$ 570 milhões ao PIB brasileiro até dezembro, além do valor já gerado pela atividade intermediada pela companhia. Em 2020, este montante foi de R$ 15 bilhões, segundo um estudo da Fipe que considera o impacto econômico da renda obtida pelos motoristas parceiros, gasta em seus custos operacionais (como alimentação e combustível) e no consumo de suas famílias (bens e serviços em geral).

“Esses valores mostram como a atividade da 99 é importante para a economia brasileira e nosso compromisso é continuar apoiando a geração de renda pelos parceiros da plataforma. Com esse pacote, nosso objetivo é retomar o equilíbrio da operação, levando em consideração a nova realidade do serviço, como o crescimento do volume de chamadas por meio da plataforma, impulsionado pela adoção em massa da modalidade pelas pessoas da Classe C”, declara Livia Pozzi, Diretora de Operações e Produtos da 99.

As iniciativas somam-se aos benefícios concedidos pela empresa por meio do programa de parceria SOMOS99 que, entre outras vantagens, garante 10% de desconto no combustível dos 3.2 mil postos da rede Shell, e já foi responsável por R$ 3,1 milhões de economia aos motoristas parceiros.

Confira as iniciativas que já estão em vigência:

Taxa Zero

O que é? A taxa de intermediação cobrada pela 99 será zerada em dias ou horários específicos ao longo dos meses em todas as categorias, exceto táxi. Dessa maneira, o valor integral da corrida será repassado ao motorista parceiro. Nas cidades onde há a cobrança de preço público, a 99 faz a dedução desse valor e o repassa ao município. Os motoristas serão comunicados com antecedência sobre os dias de Taxa Zero. Apenas na cidade de São Paulo, a iniciativa, em teste desde julho, já gerou R$ 3 milhões de retorno aos motoristas parceiros.

Escolha Inteligente

O que é? Em cidades e períodos selecionados, a plataforma apresentará as opções de incentivo disponíveis de corrida para que o motorista parceiro escolha aquela que melhor atenda à sua rotina. Os incentivos oferecem ganhos financeiros para quem cumprir os requisitos das campanhas.

Corrida Turbinada

O que é? Com essa opção, o motorista adquire um pacote de bônus que é aplicado à dinâmica de preço das suas corridas durante um determinado período de tempo. Importante destacar que este valor extra não impacta no preço final ao passageiro, ou seja, é subsidiado integralmente pela 99.

Reembolso Rápido

O que é? Atendendo a uma das maiores insatisfações entre os motoristas, a 99 fará a revisão do sistema de solicitação de reembolso no app, com adaptações para agilizar o processo de pagamento ao motorista quando o passageiro não paga a corrida.

Revisão de Políticas da Plataforma

O que é? Revisão da política de cancelamentos que bloqueia o motorista parceiro por infrações às regras da plataforma. Entretanto, atitudes que vão contra as políticas de uso da plataforma – como casos de ofensa e preconceito – ou infrações à lei vigente continuarão sujeitas às consequências previstas em nossos Termos de Uso.

Volume de corridas aumentou

Desde o início da pandemia, a 99 vem observando um aumento do volume de pedidos na plataforma pela população da Classe C. “Sem o privilégio do trabalho remoto, as pessoas com menor renda passaram a utilizar mais transportes por aplicativo. Uma pesquisa Datafolha constatou que, entre as pessoas da Classe C, 40% afirma ter aumentado a frequência de utilização do app em 2020 e 31% começou a utilizar a modalidade por causa da pandemia”, explica Livia Pozzi.

Para a diretora, a Classe C representa a maior fatia de usuários da plataforma também devido aos preços acessíveis praticados pela empresa. “O aumento da gasolina impacta todos os setores, mas o de transporte sente os efeitos primeiro. Nosso compromisso com a sociedade é de continuar garantindo a geração de renda aos nossos motoristas parceiros, mas também seguir promovendo o acesso à mobilidade por parte das pessoas que precisam do serviço”.

Somada a este aumento, a retomada das atividades econômicas no início de 2021 fez as Classes A e B voltarem a utilizar o serviço, intensificando o volume de chamadas solicitadas por meio da plataforma. Para incentivar a disponibilidade de motoristas, a 99 está promovendo pelo segundo ano consecutivo a campanha Direção Premiada, que sorteará oito carros de R$ 80 mil, uma casa no valor de R$ 200 mil, além de prêmios semanais”.

Edição: Vitor Fernandes
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ de maio de 2017 a dezembro de 2021. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

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