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Sicário de Vorcaro: deputados pedem informações sobre morte ao Ministério da Justiça

25/03/2026 às 14h53
A Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais concluiu inquérito sobre a morte de Sicário
(PF/Reprodução)

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou, nesta terça-feira (24), requerimentos para apurar as circunstâncias da morte e do sepultamento de Luiz Philipi Machado Mourão, conhecido como “Sicário” do banqueiro Daniel Vorcaro e um dos presos da Operação Compliance Zero. Ele morreu no dia 6 de março, em um hospital de Belo Horizonte, após tentar contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal na capital mineira.

Ao todo, foram aprovados cinco requerimentos solicitando informações ao Ministério da Justiça (MJ). Desses, quatro são de autoria do deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES). O parlamentar pede a verificação da regularidade dos procedimentos periciais realizados pelo Instituto Médico Legal, especialmente no que diz respeito à identificação do corpo e à emissão da certidão de óbito.

Outro requerimento, de autoria do deputado Messias Donato (Republicanos-ES), solicita informações sobre a unidade da Polícia Federal onde Luiz Philipi estava custodiado; os protocolos de custódia, vigilância, integridade física e prevenção de autoextermínio aplicáveis ao caso; as autoridades e agentes responsáveis pela unidade no momento do ocorrido; além dos procedimentos de revista pessoal, busca de objetos e medidas de segurança adotadas antes do ingresso do custodiado na cela.

Neste mês, a Comissão também aprovou a realização de uma visita técnica no local, incluindo a sela onde o investigado estava quando tentou suicídio.

Segundo a PF, ao tomarem conhecimento de que Mourão havia se ferido no dia 4 de março, policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, iniciando procedimentos de reanimação e acionando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

A PF informou que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, e que entregará todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido. Um procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato foi aberto, segundo a instituição.

Comparsa

Preso novamente no dia 4 de março por determinação de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro teria proferido uma série de ofensas e ameaças contra ‘desafetos’ em um grupo de WhastApp. No processo, que embasou a decisão do ministro, a Polícia Federal revela que o empresário ordenou que um jornalista, concorrentes empresariais e ex-funcionários fossem intimidados, sempre que a atuação fosse encarada como prejudicial aos negócios do grupo suspeito de fraudes no Banco Master.

Na nova fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga, além dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos, essas ameaças.

O monitoramento dos alvos era feito por integrantes de um grupo denominado “A Turma”, coordenado por Luiz Phillipi Mourão, alvo de um dos mandados de prisão nessa quarta-feira (4). Ele mantinha contato direto com o banqueiro e agia como um prestador de serviços.

Operação Compliance Zero

A ação investiga crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos, envolvendo um esquema bilionário de fraudes no Banco Master. As investigações tiveram apoio do Banco Central do Brasil.

As investigações começaram no início de 2024, após requisição do Ministério Público Federal para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

No dia 6 de março, Vorcaro foi encaminhado para a Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília. Conforme a PF, havia risco à segurança pública com a manutenção do banqueiro no presídio estadual. As investigações apontaram que Vorcaro tem influência e pode interferir nas apurações sobre as fraudes no Banco Master.

Ana Magalhães

Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foi estagiária do Jornal Estado de Minas e do programa Agenda da Rede Minas de Televisão. Repórter do BHAZ desde agosto de 2024.
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