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Super El Niño tem 81% de chance de atingir categoria ‘muito forte’ entre outubro e dezembro

09/07/2026 às 18h05
Super El Niño pode se formar em 2026, diz agência dos EUA
(IMAGEM ILUSTRATIVA: Pixabay/Reprodução)

O El Niño se intensificou e tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro, segundo estimativa publicada nesta quinta-feira (9) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de previsão climática dos Estados Unidos.

Se a previsão se confirmar, esse pode ser o maior El Niño desde 1950, ano em que começaram as medições. Havia uma estimativa de que o fenômeno pudesse se intensificar ao longo deste ano, mas não se sabia a intensidade a que poderia chegar. O boletim marca, portanto, uma mudança importante.

O fortalecimento tem ainda 97% de chance de perdurar até os meses de março a junho de 2027, quando é primavera no hemisfério Norte e outono no hemisfério Sul.

Segundo a NOAA, o El Niño ganhou força no mês de junho, causando alterações na temperatura de uma área da superfície do Oceano Pacífico central e leste, com aumento superior a 1ºC nessas regiões. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do Pacífico equatorial — essa elevação da temperatura causa alterações no ritmo das chuvas e na circulação dos ventos.

Um El Niño mais forte não significa necessariamente que haverá eventos climáticos graves, mas que há uma probabilidade maior de que ocorram mais tempestades e forte calor em diferentes regiões do planeta.

O que é o Super El Niño

O El Niño convencional aquece as águas entre +0,5°C e +2,0°C acima da média histórica. O Super El Niño ocorre quando esse aumento de temperatura ultrapassa +2,0°C — podendo chegar a valores superiores a +2,5°C. Para integrar o grupo dos episódios mais intensos desde 1950, o índice ONI precisa ser igual ou superior a +2,0°C, marca atingida pelos El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

Impactos no Brasil

No Brasil, o governo federal colocou 20 ministérios em estado de prontidão para responder aos efeitos do fenômeno. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que uma sala de situação coordenada pela ministra Miriam Belchior reúne permanentemente o Cemaden, o Inmet e o Inpe, além das defesas civis estaduais e municipais.

O climatologista Glauber Ferreira, do Inmet, explica que o El Niño tem efeitos clássicos no país: redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste e aumento das precipitações no Sul. Em Minas Gerais, por estar em uma área de transição climática, o fenômeno costuma aumentar as chuvas no Sul, enquanto o Norte e o Nordeste do estado podem enfrentar estiagem e atraso no período chuvoso.

Riscos à saúde

Além dos impactos estruturais, o Super El Niño tem efeitos diretos sobre a saúde da população. O calor acelera o ciclo de reprodução do Aedes aegypti, aumentando o risco de dengue, zika e chikungunya. Nas áreas chuvosas, o acúmulo de água multiplica os criadouros; nas áreas de seca, o armazenamento incorreto de água pela população pode produzir o mesmo efeito.

Enchentes frequentes aumentam a exposição à leptospirose e às gastroenterites, enquanto temperaturas muito altas elevam o risco de infartos, AVCs e insuficiência renal — especialmente em idosos. Nas regiões de estiagem prolongada, o ar seco retém poluentes e poeira, o que pode desencadear crises de asma e bronquite.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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