Uber exclui 15 mil motoristas por cancelamentos frequentes, diz Amasp; empresa fala em 1,6 mil

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Federação estima que BH e região metropolitana está com 500 motoristas a menos (Amanda Dias/BHAZ)

O alto número de cancelamentos de corridas fez a Uber banir 1,6 mil motoristas em todo o Brasil. O número estimado em Belo Horizonte é de, ao menos, 500 profissionais, segundo federação que representa a categoria. A empresa se posicionou depois da Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo) ter afirmado que 15 mil pessoas foram banidas.

O BHAZ entrevistou Paulo Xavier, presidente da FANMA (Frente de Apoio Nacional aos Motoristas Autônomos), que conta sobre o desligamento de vários motoristas. “Recebemos uma enxurrada de motoristas banidos da plataforma aqui em BH e região metropolitana”.

Xavier destaca que é difícil precisar o número certo de profissionais a menos rodando pelas ruas. “Foi um número grande. A estimativa é de, pelo menos, 500 motoristas. Falo isso por causa da quantidade de pessoas que procuraram a nossa associação alegando ter sido banido”, comenta.

A Uber foi procurada pelo BHAZ e informou que 1,6 mil motoristas parceiros foram banidos. O recorte regional não é disponibilizado pela empresa.

Cancelamentos excessivos

A empresa esclareceu que os “cancelamentos excessivos” foram os fatores motivadores para a série de desligamentos de motoristas em todo o Brasil. A Uber ressaltou que, assim como os usuários, os motoristas podem cancelar viagens quando “julgarem necessário”, mas ressaltou.

“Cancelamentos excessivos ou para fins de fraude, porém, representam abuso do recurso e configuram mau uso da plataforma, pois atrapalham o seu funcionamento e prejudicam intencionalmente a experiência dos demais usuários e motoristas”, afirmou em nota.

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Segundo a Uber, “o abuso no cancelamento de viagens não tem nada a ver com a liberdade do motorista parceiro de recusar solicitações”. Xavier destaca, por exemplo, que os profissionais são orientados a não recusar viagem após aceitá-la.

“O cancelamento prejudica o usuário, o motorista e toda logística de operação. Sempre orientamos para que não haja aceitação e cancelamento. O motorista tem a opção de rejeitar e deixar passar. É mais tranquilo”, afirma o presidente da FANMA.

Nota da Uber

“Motoristas parceiros são profissionais independentes e, assim como os usuários, podem cancelar viagens quando julgarem necessário. Cancelamentos excessivos ou para fins de fraude, porém, representam abuso do recurso e configuram mau uso da plataforma, pois atrapalham o seu funcionamento e prejudicam intencionalmente a experiência dos demais usuários e motoristas. A Uber tem equipes e tecnologias próprias que revisam constantemente as viagens e os cancelamentos para identificar suspeitas de violação ao Código da Comunidade e, caso sejam comprovadas, banir as contas envolvidas.

Comportamentos como a prática de cancelar diversas viagens em sequência e logo após terem sido aceitas prejudicam negativamente todos que usam a plataforma porque, de um lado, impedem que outros motoristas parceiros gerem renda atendendo as mesmas solicitações de viagens canceladas, e, por outro, deixam os usuários esperando mais tempo ou até desistindo da solicitação.

O abuso no cancelamento de viagens não tem nada a ver com a liberdade do motorista parceiro de recusar solicitações. Na Uber, o motorista é totalmente livre para decidir quais solicitações de viagem aceitar e quais recusar. A conexão entre parceiro e usuário – quando nome, modelo e placa do carro são compartilhados e o usuário recebe a confirmação de que o motorista está a caminho – só ocorre depois do motorista ter conferido as informações da solicitação (tempo, distância, destino etc.) e decidido aceitar a realização da viagem”.

Edição: Vitor Fernandes
Vitor Fórneas
Vitor Fórneasvitor.forneas@bhaz.com.br

Repórter do BHAZ desde maio de 2017. Jornalista graduado pelo UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte) e com atuação focada nas editorias de Cidades e Política. Teve reportagens agraciadas nos prêmios CDL (2018, 2019 e 2020), Sebrae (2021) e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados (2021).

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