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Eleitores preferem as redes sociais, mas especialistas alertam sobre cuidados na busca por informações

30/04/2026 às 19h17
Especialistas alertam para uso de redes sociais na busca por informações durante corrida eleitoral
(Foto: Reprodução Agência Senado/ Stockphotos)


As mídias digitais estão ocupando espaço de relevância na busca por informações sobre tudo o que envolve o universo político. A constatação vem nos resultados apresentados na nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nessa terça-feira (28), e na avaliação de especialistas. De acordo com a pesquisa, 37% dos eleitores mineiros dizem se informar sobre política pelas redes sociais.


Fenômeno que reflete as mudanças no consumo de mídia, de acordo com o analista de comportamento de eleitor, Leandro César da Silva. “Houve uma migração muito forte para o consumo daquilo que é produzido de forma digital. Quando falamos de mídias digitais, importante entendemos que nós estamos trabalhando basicamente em três grandes pilares: Youtube, TikTok e Instagram”, analisa. Para Leandro, especialmente os eleitores mais jovens demonstram esse comportamento nas redes sociais.

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Ainda de acordo com a pesquisa Quaest, as redes sociais assumiram a primeira posição no consumo de informações sobre o cenário político, ficando a frente da TV, que ficou com 35% da preferência do público. Em seguida vêm outros meios (10%) e os que afirmam não se informar (9%). Já sites e blogs somam 6%, enquanto o rádio tem apenas 3% de preferência entre os eleitores.

Para o marqueteiro Alberto Lage é improvável que as pessoas busquem informações sobre os candidatos, por exemplo, nas redes sociais. “No ambiente de rede social, se forma vínculo, se forma comunidade, mas sequer há plataforma de pesquisa hoje em dia na maioria das redes, com exceção do TikTok”, avalia.

Já o estrategista em marketing político, Celso Lamounier, acredita que as redes possibilitam um debate público dinâmico, mas fragmentado, que pode ser, por vezes, instável e contraditório. “Isso exige das campanhas uma capacidade maior de escuta e de leitura do ambiente digital, para entrar em conversas que já estão acontecendo, e não simplesmente tentar impor uma narrativa”, diz.

Enquanto as mídias digitais crescem, os algoritmos coletam mais informações. O comportamento dos usuários é transformado em entrega de conteúdos semelhantes, o que pode levar o eleitor a ter mais informações sobre determinados candidatos, partidos e afins. Ao mesmo tempo, pode limitar o conhecimento sobre as demais possibilidades de escolha. Para Leandro, o eleitor “aprofunda um olhar, às vezes parcial, em cima daquilo que o algoritmo determina para ele e, se ele não sair da casinha, ele tende a já definir que aquela ali é a única informação. Então, existe esse perigo que é importante. Quando nós tínhamos um rádio, televisão, jornais e as mídias, todo mundo… você buscava várias fontes de informação.”


Riscos e cuidados ao usar as redes sociais


Nestas eleições, os mineiros deverão escolher um governador, um presidente, dois senadores e um deputado estadual e outro federal. Uma chuva de informações devem tomar conta das redes. Para especialistas, existe uma sensação entre os mais conservadores e também liberais, de que as mídias mais tradicionais não entregam todas as nuances da notícia, o que reforça a busca por outros meios de comunicação. Alberto Lage lembra que alguns hábitos antigos também devem ser mantidos, mesmo na internet. “Não buscar uma fonte só, conferir a origem e, agora, tomar cuidado com deepfakes”, ressalta.

O alcance das redes sociais também deve ser analisado com cautela pelos próprios candidatos, na visão de Lage. Ele afirma que é preciso “lembrar que dá pra seguir e curtir muita gente, mas que o voto é um só (dois, se for pra senador). Ou seja, não adianta só ter alcance na internet, tem que converter o alcance em voto”, o que não depende apenas da quantidade de curtidas em uma publicação.

Outro ponto importante é o cuidado com o que se fala ou reproduz nas redes. Analistas acreditam que o poder de alcance pode ser ainda maior, quando determinados discursos, por vezes preconceituosos, são feitos. “Na internet, tudo que você fala permanece. E hoje, o que você diz talvez não seja tão forte, certamente será utilizado no momento oportuno quando aquela fala for algo mais acintosa”, lembra Leandro.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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