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Centros de Saúde de BH vão ficar sem Guardas Municipais? Entenda

20/08/2025 às 11h22 - Atualizado em 20/08/2025 às 14h04
Permanência da GM nos Centros de Saúde de BH é alvo de impasse (Divulgação/PBH)

A possível saída dos Guardas Municipais da patrulha dos Centros de Saúde e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Belo Horizonte chamou atenção de servidores e de parte da população nos últimos dias. Mas afinal, isto vai de fato acontecer? Entenda a seguir em que pé está o assunto e o que está em jogo.

De um lado, a discussão tem como ponto central uma demanda dos membros da Guarda Civil. Lucas Perdigão, presidente do recém-criado Sindiguardas (Sindicato da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte), explica que a atuação dos agentes nas unidades de saúde está sucateada, causando risco à vida dos servidores.

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“Durante a gestão Kalil, a Guarda saiu dos Centros de Saúde. Na gestão Fuad, voltou, principalmente com recém-formados, mas, em muitos casos, com apenas um guarda por unidade. Isso vai contra a regra da supremacia de força que prevê que o ideal é termos duas pessoas para dominar uma”, defendeu.

“A gente quer a retirada imediata de todos os guardas dos Centros de Saúde para não faltar segurança. Para prestar segurança, a gente tem que dar segurança para os nossos agentes.

A articulação entorno do assunto, inclusive, foi um dos fatores que incentivaram os servidores da segurança a criarem um sindicato independente do Sindibel (Sindicato dos Servidores Públicos Municipal de Belo Horizonte).

Reação

Após discussões, algumas fontes sinalizaram que os guardas começariam a deixar os Centros de Saúde nesta semana, mas a movimentação foi questionada pelo Sindibel. Israel Arimar, coordenador do sindicato, afirma que a medida pode prejudicar a segurança dos agentes de saúde e dos pacientes.

“Sempre defendemos que a retirada dos guardas deve ser precedida de contratação de segurança privada e retorno dos porteiros”, defendeu Arimar.

Segundo o representante do Sindibel, apenas em 2025, as unidades de saúde municipais da capital mineira foram palco de 603 episódios de violência, sendo 66 agressões de trabalhadores.

“E não é somente com servidores. Em Venda Nova, na semana passada, uma usuária colocou a faca no pescoço da outra”, comentou.

Repercussões

O impasse sobre o tema foi assunto de uma audiência pública na Câmara de BH na última semana. Vereadores, representantes dos servidores da Guarda e do Sindibel participaram do encontro.

Diante a possível mudança imediata na estrutura, o Sindibel convocou a audiência para discutir o tema e a categoria ameaçou entrar em estado de greve.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte esclareceu que realiza, desde o início do ano, estudos para otimizar o trabalho dos guardas municipais e garantir a segurança na cidade. “O levantamento ainda não foi finalizado. Desta forma, os agentes seguem na rotina de trabalho atual, o que inclui a presença em unidades de saúde”, informou a PBH.

Representantes do Sindiguardas afirmam que o comando da instituição foi informado que a retirada está suspensa provisoriamente até que o secretário de Segurança e Prevenção, Márcio Lobato, retorne de férias e execute um projeto que já está sendo desenhado.

Segundo interlocutores, a ideia prevista é que as unidades de saúde classificadas como de risco voltem a ter dois guardas armados. As demais serão monitoradas por membros da Patrulha SUS, composta por dois agentes armados em motos. A dupla ficaria responsável por rondas e por atender demandas quando acionada.

Pablo Nascimento

Jornalista formado pela PUC Minas e pós-graduado em produção digital pelo Uni-BH. Focado na cobertura de cidades, passou por redações de TVs e portal de notícias. Como repórter, conquistou prêmios com reconhecimento estadual e nacional, em diferentes plataformas. Preza por unir precisão da informação à produção de conteúdo multiplataforma.
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