O Hospital São João de Deus, referência no atendimento a pacientes de Santa Luzia e outras cidades da região, pode ter uma nova administração. A Fundação Cristiano Varella, entidade filantrópica ligada à Faculdade Faminas, em BH, confirmou o interesse em assumir a gestão da unidade hospitalar que vem, ao longo dos últimos anos, registrando graves problemas financeiros e jurídicos. A Prefeitura de Santa Luzia também confirmou as negociações.
A administração do município disse que vai cumprir o atual contrato até o final de agosto deste ano, quando ele se encerra, e depois “eventuais alterações e um novo instrumento contratual deverão ser discutidos futuramente junto à Fundação Cristiano Varella”.
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Apesar da negociação, ainda não há detalhes sobre o modelo de parceria que pode ser firmado, quais as atribuições da Fundação e os valores do novo contrato. Em nota, a Fundação Cristiano Varella disse que “o tema encontra-se em fase de tratativas e análises institucionais, não havendo, até o presente, definição formal ou conclusão que possibilite a divulgação de informações oficiais sobre os pontos mencionados.”
Desde 1845, cinco anos após a sua fundação, o Hospital São João de Deus é administrado por uma irmandade. Atualmente, existe um modelo de parceria com a Prefeitura de Santa Luzia que fornece a verba para o pagamento de funcionários e procedimentos médicos. A unidade realizava, até 2024, mais de 220 cirurgias e cerca de 4 mil exames de imagem por mês, de acordo com dados da administração.
Cirurgias de otorrinolaringologia, urológicas e ortopédicas eram realizadas pela instituição, que também contava com um aparelho de tomografias e uma maternidade com, aproximadamente, 10 leitos. Além da população de Santa Luzia, os pacientes também vinham de cidades como Jaboticatubas, Sabará, Taquaraçu de Minas, Ribeirão das Neves e Lagoa Santa, todas na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Crise histórica
Entre os anos de 2015 e 2020, a instituição permaneceu fechada, sem realizar nenhum tipo de atendimento à população. Desde 2023, a unidade hospitalar vinha registrando problemas no caixa. Já no começo de 2025, uma nova crise financeira interrompeu boa parte dos atendimentos. Segundo a irmandade que até então administrava o hospital, as dívidas ultrapassavam os R$ 5,5 milhões. Na mesma época, um novo acordo foi firmado com a Prefeitura de Santa Luzia para sanar as dívidas.
Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação do hospital filantrópico e de uma indústria farmacêutica por um caso que ocorreu em 2006, quando uma paciente morreu após apresentar graves complicações, após receber uma anestesia considerada imprópria para uso. O caso ocorreu em 2006. Cada um dos quatro filhos da vítima deve receber R$ 100 mil por danos morais, totalizando R$ 400 mil.









