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Patrus como candidato do PT: o que pode mudar no cenário das eleições em Minas Gerais

17/07/2026 às 18h41 - Atualizado em 17/07/2026 às 18h43
Patrus como candidato do PT deve movimentar tabuleiro das eleições em Minas Gerais.
Foto: Câmara dos Deputados/Divulgação

A definição sobre o nome de Patrus Ananias para a disputa ao governo de Minas pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que deve ocorrer na próxima segunda-feira (20), pode mexer no tabuleiro das candidaturas e já movimenta os bastidores sobre possíveis apoios e quem deve compor a chapa e indicar o vice.

Após encontro entre o ex-prefeito de Belo Horizonte com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, nessa quinta-feira (16), a legenda convocou os deputados federais e estaduais para uma reunião que deve oficializar a escolha. Uma coletiva de imprensa deve ocorrer pouco depois para comunicar a decisão.

De acordo com nota, divulgada pela presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Leninha, na manhã desta sexta-feira (17), na reunião entre Lula e Patrus foram abordados o cenário político atual e projetos estratégicos para o desenvolvimento do estado. Entre os temas debatidos estavam a ampliação e o fortalecimento de projetos da educação em Minas e a solução para a dívida do estado. Também esteve na pauta a sanção do projeto que transforma o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-MG) em universidade tecnológica.

“A conversa foi considerada muito positiva e reforçou o compromisso com a construção de um projeto que esteja de acordo com as necessidades da população e com o desenvolvimento do estado”, diz a nota, sem citar tratativas sobre o lançamento da pré-candidatura de Patrus.

Com a escolha de Patrus, as dúvidas giram entorno da manutenção de algumas candidaturas mais alinhadas ao campo progressista. A principal delas é a do PSB, hoje partido do vice-presidente Geraldo Alckimin. Em Minas Gerais, o pré-candidato é o ex-procurador Jarbas Soares, que atualmente viaja pelo estado em busca de apoios e que, inclusive, já recebeu afagos de Marília Campos (PT) em compromissos junto à ex-prefeita de Contagem.

Diante do novo cenário, Jarbas disse que precisa consultar o vice-presidente Alckmim. Ele elogiou o nome de Patrus, considerado por ele uma “referência”. “Tivemos uma relação institucional de alto nível quando ele foi prefeito de BH e eu promotor de Justiça de Meio Ambiente da Capital, e o PT é um grande partido.”, ressaltou.

Sem afastar a possibilidade de compor uma chapa com Patrus, Jarbas, no entanto, admite que ainda não recebeu nenhum convite e que, por ora, é pré-candidato do partido PSB ao governo do Estado, buscando cumprir agendas na capital e no interior. “Jamais farei vôo solo. Caso surja algum convite, vamos ouvir as instâncias partidárias”, completou.

Partido que, historicamente, apoia o Partido dos Trabalhadores, o Psol tem hoje posta a pré-candidatura de Maria da Consolação. No entanto, após o início das tratativas para que Patrus seja o nome do PT em Minas, Iza Lourença, presidente estadual da legenda, sinalizou apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o partido recebeu “com imensa alegria a perspectiva da candidatura de Patrus Ananias ao governo”.

“Desde o início, defendemos que Minas Gerais precisa de um nome que una o campo progressista em torno da reeleição do presidente Lula, que dialogue com os movimentos sociais, que tenha história de luta e que seja capaz de fazer frente ao projeto de desmonte que Zema representou para o nosso estado”, postou.

Para a vereadora, a união entre os partidos passa pelas candidaturas de Patrus ao governo, com Áurea Carolina e Marília Campos disputando as duas cadeiras do Senado. “Minas Gerais tem a chance de eleger a bancada progressista mais forte de sua história”, enfatizou.

Outro nome cogitado para a vaga de vice de Patrus é de Gabriel Azevedo, hoje pré-candidato pelo MDB. Interlocutores do ex-presidente da Câmara de Vereadores de BH, no entanto, rechaçam essa possibilidade, classificando como “chance zero”. Gabriel, inclusive, apresentou nesta semana a primeira versão do plano de governo, com foco no investimento em transporte ferroviário.

Fim da novela?

O nome de Patrus, se escolhido, coloca fim a uma novela que durou semanas e demorou a terminar. O ex-prefeito de Belo Horizonte não era o primeiro da lista do presidente da República. Lula aguardou por meses pela definição do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que, inclusive, mudou de legenda, diante da expectativa de concorrer ao governo de Minas. Mas, no final do maio, decidiu que não irá disputar nenhum cargo nas eleições de 2026 e que vai encerrar o ciclo na vida pública após 12 anos de atuação política. A declaração foi feita durante participação do evento Lide, em São Paulo.

À época, Pacheco disse que a saída não “é improvisada”. O senador diz que sempre enxergou a política como um período com começo, meio e fim, e que chegou a hora de parar. “Eu tenho muito desapego ao poder. Não preciso da política para viver e para sobreviver”, afirmou.

Outros nomes surgiram no radar do PT, dentre eles, o da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos. Pressionada a concorrer, ela deixou claro que seria candidata ao Senado. Marília chegou a considerar como um  “um equívoco estratégico” a candidatura própria.

Na visão de Marília, “embora legítima do ponto de vista partidário”, a decisão do PT de ter um candidato da legenda no pleito de outubro “pode fragilizar o campo democrático e popular no estado”.

Pablo Nogueira

Pablo Nogueira é jornalista, formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), com mestrado em Comunicação pela UFMG. Tem passagens pela Rádio Itatiaia, Rádio BandNews, Rede Minas, TV Alterosa, governo do estado, Agência Minas e Centro de Comunicação da Universidade Federal de Minas. Venceu os prêmios de jornalismo CDL, em 2024, MOL, em 2023, e Amagis, em 2022, além de ter sido finalista dos prêmios ABMES, em 2023, CDL, em 2022 e 2023, e C6 Bank, em 2022. É editor do BHAZ.
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