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VÍDEO: Tradicional fogueira de São João de Ingaí volta a iluminar o céu de Minas Gerais

24/06/2026 às 16h19
Tradicional fogueira de São João de Ingaí
Tradicional fogueira de São João de Ingaí (Reprodução/Redes Sociais0

A Fogueira de São João de Ingaí, uma das maiores do Brasil, com mais de 30 metros de altura, voltou a iluminar o céu e a manter viva uma promessa que atravessa mais de 90 anos história. A estrutura foi acesa na noite desta terça-feira (23), véspera do dia de São João, em uma celebração que reuniu moradores e marcou mais um capítulo de uma das tradições mais conhecidas da cidade.

A cidade vive, entre os dias 20 e 24 de junho, a 94ª Festa de São João Batista, com entrada gratuita e uma programação que reuniu moradores e visitantes em Ingaí. O evento contou com shows de Teodoro & Sampaio, Willian Reis e Marcos, Vini e Lucas, Felipe e Rodrigo, além de DJs e atrações locais, além de missas e celebrações religiosas em homenagem ao padroeiro, show pirotécnico, praça de alimentação e a tradicional queima da fogueira.

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Símbolo de devoção, cultura e união da comunidade, a fogueira é erguida todos os anos e se consolida como uma das manifestações mais fortes da identidade de Ingaí. Além do caráter religioso e cultural, a festa também reforça a preocupação ambiental: toda a madeira utilizada na montagem vem de áreas de reflorestamento, garantindo que a tradição siga viva em harmonia com a preservação do meio ambiente.

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História

Segundo a Prefeitura de Ingaí, a história da Fogueira de São João de Ingaí começa numa tarde de verão em 1931. O céu escureceu de repente e uma forte tempestade atingiu o então pequeno povoado. Um raio caiu sobre a igreja da comunidade e destruiu quase toda a construção. Quando a chuva passou, o que restava da antiga capela de madeira era pouco: apenas uma tábua com a imagem de São Sebastião, o padroeiro. Diante da cena, os moradores se reuniram em oração, assustados e agradecidos ao mesmo tempo por não haver vítimas.

Foi então que chamaram o vigário de Lavras, Padre Frederico, responsável pela capela. Ao chegar e ver os estragos, ele agradeceu a Deus pelo livramento e pela preservação da vida da comunidade.

Naquele momento, em meio à dor e à fé, nasceu uma promessa. O povo de Ingaí decidiu que, todos os anos, entre os dias 23 e 24 de junho, ergueria uma grande fogueira em honra a São João Batista feita com toda a lenha possível, trazida em carros de boi.

No ano seguinte, em 1932, a promessa foi cumprida pela primeira vez. A fogueira foi acesa em clima de festa e emoção, marcando o início de uma tradição que atravessaria gerações.

Em 1933, a fé da comunidade ganhou ainda mais força com a chegada da imagem de São João Batista, trazida pelas antigas estações ferroviárias de Paulo Freitas ou Engenheiro Figueiredo. A imagem passou a ocupar lugar de devoção na igreja e reforçou ainda mais o vínculo do povo com o santo.

Com o tempo, a tradição cresceu junto com a cidade. Em 1950, a Festa da Fogueira ganhou um novo capítulo com a inauguração da nova Matriz, construída após a demolição das ruínas da antiga igreja. A obra havia começado em 1941 e, mesmo antes de ser concluída, já recebia celebrações.

Nos anos seguintes, a fogueira mudou de lugar, passando a ser erguida nas proximidades do cemitério. Mais tarde, já na década de 1990, ganhou proporções maiores e passou a atingir cerca de 30 metros de altura, com a organização sob responsabilidade da Prefeitura Municipal.

Já nos anos 2000, com a criação da Paróquia São Sebastião de Ingaí, a festa passou por novas mudanças. Em 2002, a Prefeitura criou a Praça da Fogueira, que se tornou o novo espaço oficial da celebração, hoje reconhecido como patrimônio histórico do município, junto da própria fogueira e da imagem de São João Batista.

Em 2011, a devoção ganhou ainda mais reconhecimento quando São João Batista foi elevado a padroeiro da paróquia ao lado de São Sebastião, após pedido do então pároco Padre Leandro e aprovação da Diocese.

E mais recentemente, entre 2020 e 2021, a tradição precisou ser adaptada por causa da pandemia. Em respeito às medidas de isolamento, a fogueira foi reduzida e realizada de forma mais simples, no adro da igreja, mantendo viva a promessa mesmo em tempos difíceis.

Mais de 90 anos depois daquele raio que mudou tudo, a fogueira continua sendo acesa. E, ano após ano, ela segue iluminando não só o céu de Ingaí, mas também a memória, a fé e a identidade de um povo inteiro

Isadora Vianna

Estudante de jornalismo pela PUC Minas e estagiária do BHAZ desde fevereiro de 2026. Atuou na redação da Record Minas e na comunicação interna do Grupo Valence

Isadora Vianna

Email: [email protected]

Estagiária do BHAZ

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