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Super El Niño: Minas Gerais e governo federal intensificam preparativos para encarar fenômeno

24/06/2026 às 14h59
Super El Niño pode se formar em 2026, diz agência dos EUA
Informação foi confirmada pela NOAA nessa quinta-feira (11). (IMAGEM ILUSTRATIVA: Pixabay/Reprodução)

O fenômeno climático El Niño está atuando globalmente segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) em junho deste ano, e há 63% de probabilidade de que o fenômeno evolua para a categoria Super El Niño, com pico esperado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Em Minas Gerais, as análises da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) apontam cerca de 80% de chance de desenvolvimento do fenômeno no segundo semestre, com intensidade entre moderada e forte.

Em Minas Gerais, os efeitos esperados incluem redução da umidade relativa do ar, ondas de calor, prolongamento do período seco, atraso no início da estação chuvosa 2026/2027, chuvas mais irregulares e aumento do risco de incêndios florestais — especialmente nas regiões do semiárido mineiro. Diante disso, Estado e governo federal travam uma corrida contra o tempo para estruturar a resposta.

Equipamentos, treinamento e inteligência de dados

Nos últimos anos, o Governo de Minas investiu na aquisição de kits de equipamentos destinados às defesas civis municipais. Cada kit é composto por viatura 4×4, notebook, trena digital e coletes reflexivos. A previsão é que, até junho de 2026, 683 municípios sejam contemplados — mais de 80% das defesas civis municipais estruturadas no estado.

Para a coordenação das ações, o estado inaugurou em 2024 o Centro de Inteligência em Defesa Civil (Cindec). O espaço concentra tecnologia, análise de dados em tempo real e equipes especializadas em meteorologia, hidrologia e geologia.

No campo da capacitação, segundo o governo de Minas, mais de 6 mil agentes de defesa civil foram treinados no último ano — uma iniciativa que alcançou municípios mineiros e outros sete estados da federação.

“A prevenção é a principal ferramenta para reduzir os impactos do Super El Niño. Estamos monitorando os cenários climáticos e trabalhando junto aos municípios para fortalecer a preparação e a proteção da população”, afirma o coronel Paulo Roberto Rezende, coordenador estadual de Defesa Civil.

Bombeiros na linha de frente

O Super El Niño pode favorecer a propagação de incêndios florestais, e o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) já está em campo. A corporação executa a Operação Alerta Verde, com vistorias em lotes vagos e unidades de conservação, e desenvolve ações de manejo integrado do fogo — incluindo queimas prescritas e controladas em parceria com órgãos ambientais para reduzir o acúmulo de material combustível e diminuir o risco de grandes incêndios. Brigadas florestais voluntárias também estão sendo fortalecidas.

Durante o período de estiagem, o Corpo de Bombeiros aciona seus núcleos especializados em incêndios florestais, o Batalhão de Operações Aéreas (BOA) e o Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres (Bemad). A coordenação das ações ocorre pelo Centro Integrado de Coordenação e Controle (CICC), com monitoramento em tempo real.

Campo em estado de alerta

A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) orienta produtores a adotarem medidas preventivas desde já. Entre as recomendações estão:

  • o uso de cultivares mais tolerantes à seca
  • conservação da umidade do solo
  • planejamento da irrigação
  • proteção de nascentes
  • armazenamento estratégico de água
  • planejamento forrageiro para garantir reserva de alimento ao rebanho durante o período seco

Culturas como soja, milho, feijão e café estão entre as mais vulneráveis. No caso do café, o calor excessivo e o déficit hídrico podem afetar a floração e o enchimento dos grãos. Nas lavouras de soja e milho, o atraso das chuvas pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial das culturas.

O Brasil também se prepara

No plano federal, o governo colocou 20 ministérios em estado de prontidão. Uma sala de situação, coordenada pela ministra Miriam Belchior, reúne permanentemente o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e as defesas civis estaduais e municipais de todo o país.

“O Brasil está, sim, mais preparado. A vigilância está permanente, os órgãos mobilizados, os planos de contingência já estão em curso. Nunca faltaram e não faltaram recursos humanos, orçamentários e financeiros”, afirma o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.

Em situações de calamidade reconhecida, o aparato federal — incluindo as Forças Armadas — pode ser acionado integralmente. O ministro, porém, reconhece os limites da tecnologia diante da escala dos eventos extremos: “Os modelos matemáticos, às vezes, não alcançam aquela previsão com uma determinada previsibilidade assertiva.” Por isso, o planejamento antecipado e a atuação integrada entre Estado, municípios e população seguem como a aposta mais segura contra os impactos do fenômeno.

Pedro Rocha Franco

Pedro Rocha Franco é jornalista desde 2007 e bacharel em ciências sociais. Foi repórter do jornal Estado de Minas, editor do portal O Tempo e head do departamento de jornalismo digital da Itatiaia. Hoje é gerente executivo do BHAZ. Além disso, colaborou com UOL e Repórter Brasil.

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