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Morte de empresária em BH foi feminicídio premeditado, afirma polícia

25/06/2026 às 16h07
Polícia Civil conclui que morte de empresária foi feminicídio premeditado pelo marido
(Foto: Divulgação/PCMG)

O inquérito em que se apurou a morte da empresária Lídia Nandes da Silva, de 42 anos, assassinada a tiros enquanto fazia exercícios físicos em uma praça de Belo Horizonte, foi concluído pela Polícia Civil, e mostrou que o crime foi um feminicídio premeditado. O autor é o marido da vítima, Antônio Luiz Alves Pereira, de 49 anos. Ele tirou a própria vida depois de matar a esposa.

O crime aconteceu no último dia 17 de maio, na Praça Manoel Bandeira, no bairro Cidade Nova. A vítima foi surpreendida pelo companheiro durante a atividade física e atingida por diversos disparos de arma de fogo. O corpo dela foi encontrado sob um viaduto, próximo a avenida Cristiano Machado. No mesmo dia, Antônio Luiz foi encontrado morto no bairro Sagrada Família.

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A polícia conseguiu reconstituir a dinâmica do crime. Testemunhas relataram que a mulher permaneceu com as mãos erguidas durante a abordagem e não apresentou qualquer reação agressiva antes de ser baleada. Segundo a delegada que apurou o caso, Ariadne Elloise Coelho, mensagens enviadas pelo investigado, uma carta manuscrita e outros elementos reunidos ao longo da investigação indicaram que a ação havia sido planejada previamente. Lídia era ameaçada por Antônio Luiz e vivia um relacionamento abusivo desde que declarou que gostaria de encerrar a relação.

Durante os trabalhos, foram apreendidas duas armas de fogo, munições, materiais balísticos e uma carta de seis páginas encontrada na residência do casal. Os exames toxicológicos e de alcoolemia realizados no investigado tiveram resultado negativo.

Acusado tentava controlar a vida da vítima

Além da premeditação, a investigação identificou relatos de familiares sobre o comportamento controlador e os ciúmes excessivos do investigado. 

De acordo com Ariadne, a investigação procurou reconstruir essa dinâmica relacional. “Ela vivia uma situação de violência psicológica muito grande. Ele controlava tudo, ele era extremamente possessivo, extremamente ciumento, não deixava que ela tivesse redes sociais ou qualquer tipo de interação social”, detalhou a delegada, que também relatou um possível estupro, em uma relação sexual forçada sofrida por Lídia em outro momento, antes do crime.

O suspeito chegou a enviar mensagens para familiares e, na carta escrita por ele, tentou justificar os próprios atos e ainda direcionar os bens. Após cometer o crime, ele ainda deixou um bilhete indicando onde estava o próprio carro, onde o corpo dele foi encontrado.

A empresária Lídia Nandes deixou duas filhas, uma criança e uma adolescente. Como o suspeito morreu horas depois dos fatos, o caso foi encaminhado à Justiça com sugestão de extinção da punibilidade.

Ao comentar o caso, a delegada também destacou que nem todos os feminicídios são precedidos por registros policiais ou medidas protetivas. Segundo ela, situações de violência psicológica e controle podem permanecer invisíveis por longos períodos, até culminarem em desfechos extremos como o registrado neste caso.

Fábio Galdino

Fábio Galdino é jornalista, apresentador de TV e, agora, repórter do Portal BHAZ. Natural de Santa Luzia, na Grande BH, é formado pela Universidade Federal de Ouro Preto e, nos últimos anos, dedicou à cobertura jornalística em diferentes emissoras de televisão, com passagens por afiliadas à Rede Globo, SBT e Band. Em 10 anos, participei de grandes coberturas, como eleições municipais e estaduais, a tragédia do rompimento de uma barragem, em Mariana, e a pandemia de Covid-19.

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