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Senado vai avaliar projeto que prevê ‘novo cálculo’ para reduzir ICMS de combustíveis

14/10/2021 às 19h59
combustível
Objetivo da proposta é reduzir preço final nos postos (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira (13), o projeto que estabelece um valor fixo para a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis. A proposta, cujo objetivo é reduzir o preço final do combustível para o consumidor, agora segue para apreciação no Senado.

O projeto foi aprovado por 392 votos contra 71 e duas abstenções (veja como votou cada deputado aqui). Os críticos da proposta que altera o cálculo do imposto alegam que estados e Distrito Federal perderão arrecadação “sem ter culpa” pela alta dos preços.

Novo cálculo do ICMS

O texto aprovado — o substitutivo do relator, deputado Dr. Jaziel (PL-CE), ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2020, do deputado Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT) — determina que o ICMS cobrado em cada unidade da Federação seja calculado com base no preço médio dos combustíveis nos dois anos anteriores.

Atualmente, a referência é o preço médio nos 15 dias anteriores. Na prática, a mudança reduz o impacto de variações repentinas sobre o ICMS efetivamente cobrado. O texto também obriga estados e o Distrito Federal a fixar as alíquotas anualmente, fazendo-as vigorar por 12 meses a partir da publicação.

O relator do projeto na Câmara, deputado Dr. Jaziel (PL-CE), calcula que a mudança, caso aplicada hoje, levaria a uma redução média do preço final de 8% para a gasolina comum, 7% para o etanol hidratado e 3,7% para o diesel B.

Em setembro deste ano, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), os preços médios da gasolina comum, do etanol hidratado e do óleo diesel foram, respectivamente, de R$ 6,08, R$ 4,70 e R$ 4,73. Em janeiro de 2019, esses valores eram de R$ 4,27, R$ 2,81 e R$ 3,44.

Parte do aumento se deve à cotação do barril de petróleo, já que a política de preços da Petrobras leva em conta os valores praticados no mercado internacional. Outra parte se deve à variação cambial, com a queda do real frente ao dólar.

‘Viés pode ser remodelado’

Na noite dessa quarta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), afirmou que a proposta terá “o tratamento devido”. O senador lembrou que, para o preço dos combustíveis sofrer menos oscilações, é preciso levar em conta, além da questão tributária, fatores como o “papel social” da Petrobras e a situação de instabilidade política.

O presidente do Senado, no entanto, reconheceu que é necessário analisar a possibilidade de mudança no cálculo do ICMS. “Há um viés tributário muito forte no preço dos combustíveis, e isso pode ser remodelado”, afirmou.

“A tese de que todos comungamos é que temos que estabilizar esse preço dos combustíveis e torná-lo palatável. Não tem como desenvolver o país com o combustível com esse preço de hoje”, complementou Pacheco.

Estados e União em conflito

No Senado, o projeto já começa a dividir opiniões e repercutir entre os parlamentares. Um dos aspectos que eles já levam em consideração é o entrave criado entre administrações estaduais e o governo federal sobre o cálculo do ICMS.

“Os governos estaduais dizem que a culpa não é do ICMS. E o governo federal diz que é. Nessa briga política, está você que abastece o carro muito caro”, pontuou o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), enquanto o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) avaliou: “Os estados não podem assumir sozinhos esse ônus”.

Para este segundo, um caminho para viabilizar a proposta é incluir no texto uma emenda que prevê que a Petrobras assuma parte dos custos para garantir a redução do ICMS.

Com Agência Senado e Agência Câmara de Notícias

Giovanna Fávero

Editora no BHAZ desde março de 2023, cargo ocupado também em 2021. Antes, foi repórter também no portal. Foi subeditora no jornal Estado de Minas e participou de reportagens premiadas pela CDL/BH e pelo Sebrae. É formada em Jornalismo pela PUC Minas e pós-graduanda em Comunicação Digital e Redes Sociais pela Una.

Giovanna Fávero

Email: [email protected]

Editora no BHAZ desde março de 2023, cargo ocupado também em 2021. Antes, foi repórter também no portal. Foi subeditora no jornal Estado de Minas e participou de reportagens premiadas pela CDL/BH e pelo Sebrae. É formada em Jornalismo pela PUC Minas e pós-graduanda em Comunicação Digital e Redes Sociais pela Una.

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